A misericórdia antes do julgamento

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Análise publicada na página 13 de O São Paulo, em dezembro de 2015

Um gesto simples, mas fortemente simbólico. Assim descreveu o Papa a abertura da “porta santa” da Basílica de São Pedro, no Vaticano, formalizando com ela abertura do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia. “Entrar pela porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai, que a todos acolhe e vai ao encontro de cada um pessoalmente”, explicou o pontífice durante a homilia da missa de terça-feira (8), Solenidade Imaculada Conceição. “Este será um ano em que se cresce na convicção da misericórdia”, disse. “Temos que colocar a misericórdia antes do julgamento, e em todo caso o julgamento de Deus será sempre à luz da misericórdia.”

Uma semana antes, o pontífice havia antecipado a abertura do Jubileu na cidade de Bangui, na República Centro-Africana. Agora, o ano jubilar está inaugurado para toda a igreja e várias “portas santas” serão abertas nas dioceses de todo o mundo. “Que atravessar a porta santa, portanto, nos faça sentir participantes deste mistério de amor, de ternura. Abandonemos toda forma de medo e de temor, porque isso não é próprio de quem é amado. Vivamos a alegria do encontro com a graça que tudo transforma”, acrescentou Francisco em sua homilia.

O porquê de um Jubileu da Misericórdia – Este ano jubilar, convocado pelo próprio Papa Francisco, é para ele uma grande oportunidade de a Igreja Católica aprofundar o mistério do perdão de Deus, apesar das fraquezas humanas, e um convite a uma maior abertura ao próximo. “Em qualquer lugar onde há uma pessoa, lá a Igreja é chamada a encontrá-la para levar a alegria do Evangelho e levar a misericórdia e o perdão de Deus”, declarou na homilia do domingo.

Mais do que isso, na audiência geral da quarta-feira (9), o Papa fez um resumo dos motivos que o levaram a convocar um Jubileu da Misericórdia. “Não digo: é bom para a Igreja este momento extraordinário. Digo: A Igreja precisa desse momento extraordinário”, detalhou. “Em nossa época de profundas mudanças, a Igreja é chamada a oferecer a sua contribuição peculiar, tornando visíveis os sinais da presença de da proximidade de Deus.”

Segundo o pontífice, é um momento para que a Igreja aprenda a escolher somente “o que Deus gosta mais”, que, para o Papa Francisco, é “perdoar o seus filhos, ter misericórdia deles, para que eles, por sua vez, possam perdoar os irmãos, resplendendo como luzes da misericórdia de Deus no mundo”.

Missionários da misericórdia – Duas das decisões mais importantes do Papa Francisco para o Ano da Misericórdia foram a criação dos “missionários da misericórdia” e a abertura para que, durante o Ano Santo, todos os sacerdotes católicos possam perdoar o pecado de aborto.

O presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, arcebispo Rino Fisichella, explicou à imprensa que os missionários da misericórdia são um grupo de 800 padres de todo o mundo, nomeados exclusivamente pelo Papa, autorizados a perdoar os chamados “pecados reservados à Santa Sé”.

Esses pecados, considerados mais graves pela doutrina da Igreja, são cinco: primeiro, a profanação da Eucaristia (isto é, contra a presença do corpo e o sangue de Cristo); segundo, a absolvição de um cúmplice (quando um sacerdote absolve um pecado do qual participou); terceiro, a ordenação de um bispo sem o mandato do Papa; quarto, a violação do sigilo sacramental (revelar o que foi ouvido em confissão); quinto, a violência física contra o pontífice.

Aborto e misericórdia – No caso do aborto, durante o Ano Santo, o Papa autorizou que todos os sacerdotes possam absolvê-lo, algo que não ocorre normalmente. Por ser considerado um pecado que leva à excomunhão automática – isto é, ao cometê-lo as pessoas que participaram do aborto deixam de estar em comunhão com a Igreja –, esse pecado normalmente só pode ser absolvido pelos bispos ou seus delegados (padres nomeados pelo bispo para poder exercer esse ministério em seu nome).

Quando anunciou a permissão para que todos os padres possam absolver o pecado de aborto, Papa Francisco divulgou uma carta explicativa. “Penso, em modo especial, a todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a essa decisão. Sei que é um drama existencial e moral”, disse.

“O perdão de Deus a quem se arrependeu não pode ser negado, sobretudo quando, com coração sincero, se aproxima ao sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também por esse motivo decidi, não obstante qualquer disposição em contrário, conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado.”

Aos padres, Francisco pediu uma preparação especial para essa “grande tarefa”. Que saibam “conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença”.

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De Roma a Bangui: a África no centro da Igreja

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Análise publicada na página 13 de O São Paulo, em dezembro de 2015

Pelo menos por um dia Bangui se transformou em “capital espiritual do mundo”, nas palavras do Papa Francisco, que antecipou ali a inauguração do Jubileu da Misericórdia. Em sua primeira viagem à África, na qual passou também pelo Quênia e por Uganda, o pontífice abriu no domingo (29) uma “porta santa” na catedral de Bangui, cidade na República Centro-Africana.

O local é um cenário de guerra civil entre cristãos e muçulmanos. “Hoje, Bangui se torna a capital espiritual do mundo. O Ano Santo da Misericórdia chega antes nesta terra. É uma terra que sofre há muitos anos por causa do ódio, da incompreensão, da falta de paz”, declarou o Papa aos fiéis, diante da porta da igreja.

Abrindo o Ano da Misericórdia em Bangui, o Papa atraiu atenção internacional para uma realidade insustentável. A República Centro-Africana está em guerra e sem grandes alternativas no momento. Conflitos entre forças do governo, a coalizão rebelde de maioria muçulmana (Séléka) e milícias de rebeldes cristãos, conhecidas como “anti-Balaka”, causam milhares de mortes, um enorme fluxo de refugiados e uma urgência humanitária. Eleições foram convocadas, mas o país tem um governo frágil, de transição.

Nesse contexto, em sua visita, o Papa Francisco pediu paz, misericórdia, reconciliação, mas não somente nos discursos. Em seu papa-móvel, passou por bairros perigosos da capital dividida. Mais do que isso, visitou a mesquita de Kaudoukou, próxima a uma estrada conhecida como “Km 5”, na qual se corre o risco de ser assassinado somente por atravessar para o outro lado, cristão ou muçulmano. Naquela área, ele disse que cristãos e muçulmanos são “irmãos e irmãs” e, portanto, “devemos nos considerar e nos comportar assim”.

Tropas das Nações Unidas afirmavam que não podiam garantir a segurança do Papa. Mesmo assim, ele rodou em carro aberto. Um gesto simples de confiança que muitos, como o jornal norte-americano Washington Post, chamaram de “o maior esforço diplomático do Papa até agora”. O repórter Kevin Sieff relatou que a visita foi percebida como o possível início de um processo de paz e uma potencial renovação da atenção internacional. Inclusive o arcebispo de Bangui, Dom Dieudonne Nzapalainga, afirmou à Rádio Vaticano, que a visita do papa deu nova esperança para o país. Ele manifestou confiança nos centro-africanos na busca pela paz. “Não houve sequer um tiro de arma de fogo na praça da Catedral! Era previsto o apocalipse, mas não aconteceu nada. Em vez disso, havia alegria”, disse.

COP 21 vista de Nairóbi – Em sua visita à sede das Nações Unidas em Nairóbi, no Quênia, o Papa também aproveitou para recordar a mensagem de sua encíclica Laudato si’ (Louvado seja), sobre o cuidado pelo planeta e a promoção do que chamou de uma “ecologia integral”. Para Francisco, as injustiças sociais e os problemas ambientais têm uma mesma origem – como a exploração excessiva dos recursos naturais e das pessoas, numa “cultura do descarte”. Sua encíclica foi publicada intencionalmente com o objetivo de influenciar a conferência pelo clima de Paris (COP 21), na qual representantes de quase 200 países se reúnem entre 30 de novembro e 11 de dezembro para discutir problemas ambientais, como o aquecimento global.

O fato de Francisco recordar essa mensagem em Nairóbi a reforça. Laudato si’ foi em grande parte um apelo por uma ação coletiva em defesa do meio-ambiente e no combate à pobreza. “O clima é um bem comum”, reafirmou. “Seria triste e, ousarei dizer, até mesmo catastrófico que interesses privados prevalecessem sobre o bem comum (na COP 21) e chegassem a manipular as informações para proteger os seus projetos”, completou, em uma referência indireta a empresas, grupos de interesse e de lobby que procuram negar a existência do aquecimento global, por exemplo.

O pontífice renovou também seu apelo à redução do consumo de combustíveis fósseis e disse que a COP 21 pode ser “um passo importante no processo de desenvolvimento de um novo sistema energético”. De fato, no voo de retorno a Roma, Papa Francisco disse que tem confiança em que os líderes globais assumam um verdadeiro compromisso em Paris. “Estamos no limite de um suicídio.”

Mártires ugandeses como exemplo de humildade – Em Uganda o pontífice recordou, entre outras coisas, que o poder terreno não oferece verdadeira alegria, mas sim o caminhar em direção ao próximo. Na memória de Carlos Lwanga e companheiros, um grupo de 23 anglicanos e 22 católicos mortos entre 1885 e 1887 pelo rei de Buganda por causa da fé cristã, disse que o testemunho dos mártires mostra que “a fidelidade a Deus, a honestidade, a integridade da vida e a genuína preocupação pelo bem dos outros” dão verdadeira alegria e paz duradoura.

Enfim, como escreveu a vaticanista argentina Inês San Martin, do site Crux, a viagem do Papa à África “sem dúvidas permitiu que Francisco mostrasse duas de suas ambições pessoais mais perceptíveis: colocar as periferias do mundo no centro da Igreja, e colocar a Igreja no centro da misericórdia de Deus”.

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Congresso mundial no Vaticano discute identidade e missão da escola católica

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Reportagem publicada na página 11 de O São Paulo, em novembro de 2015

Identidade, missão, formação dos formadores e os grandes desafios que as escolas católicas enfrentam para promover valores cristãos sem deixar de dialogar com o mundo. Foram esses os quatro eixos principais das discussões promovidas no congresso mundial “Educar hoje e amanhã”, realizado no Vaticano entre 18 e 25 de novembro. Uma das inspirações do encontro são os 50 anos dos documentos do Concílio Vaticano II, como a declaração Gravissimum educationis, sobre a educação cristã

Organizado pela Congregação para a Educação Católica, o encontro reuniu 2,2 mil representantes de todo o mundo, inclusive muitos brasileiros. Entre eles, o bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, Dom Carlos Lema Garcia, e o Pe. Vandro Pisaneschi, Coordenador de Pastoral do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade. Eles conversaram com O SÃO PAULO no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma, sobre os destaques do congresso.

Uma das grandes riquezas do congresso, segundo Dom Carlos, foi justamente encontrar pessoas de todo o mundo que vivenciam desafios parecidos com os que são encontrados em São Paulo. À frente do Vicariato, Dom Carlos explicou que vem visitando escolas e universidades católicas presentes na Arquidiocese e o congresso o ajudou a conhecer melhor outras realidades de todo o mundo. “Nós estamos acompanhando de perto as escolas e as universidades católicas, especialmente para garantir a identidade católica. E no congresso se falou muito em missão e identidade. Tudo o que foi falado no congresso, nós sentimos no dia a dia”, disse.

Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar de São Paulo responsável pela educação católica

Diversos palestrantes do congresso observaram que é impossível separar a identidade de uma instituição católica de sua missão. A missão educativa de qualquer escola deve ir ao encontro da identidade evangelizadora de uma instituição católica. Porém, segundo eles, quando as duas dimensões se separam, a escola católica falha em sua função social.

“Às vezes, por exemplo, a escola começa a derivar para o trabalho de voluntariado, assistência social, e isso é interessante, mas não pode ser desvinculado da identidade. A escola não pode se transformar numa espécie de super-ONG, esquecendo que sua razão de ser é a evangelização”, declarou Dom Carlos.

Ele afirmou que “a escola católica deve existir por ser sujeito de evangelização na Igreja”, mas ao mesmo tempo não se fechar dentro dos seus próprios muros, mensagem transmitida também pelo Papa Francisco. “Não podemos formar um grupo católico, nos proteger do clima que tem lá fora. Temos que ser conscientes da nossa identidade, mas encontrar maneiras de dialogar com o mundo de hoje.”

Nesse sentido, outro tema muito abordado no congresso, segundo o Pe. Vandro, foi a “formação integral da pessoa”. Para ele, “o ser humano possui perguntas dentro de si que só os conceitos e conteúdos não respondem”. A ideia é que as escolas com identidade católica precisam ir além da formação técnica e da excelência acadêmica, embora sejam também essenciais. “É importante que a gente não perca essa visão transcendental do homem”, algo que o Papa também destacou. “Quando a escola assume a sua função social? Quando o ser humano aprende a trabalhar pelo bem comum”, afirmou o coordenador do Vicariato.

Para isso, é preciso que os formadores, ou educadores, também conheçam os princípios da instituição em que trabalham. Dom Carlos explicou que o congresso despertou um olhar mais amplo para esse ponto, que pode ser colocado em prática pelo Vicariato. “Podemos dar esse caminho, ter iniciativas concretas. Formação espiritual, religiosa e ética dos formadores”, disse, ao mesmo tempo alegrando-se de que na Arquidiocese já exista a estrutura do Vicariato para esses projetos. “Temos muito o que crescer, mas só o fato de ter um Vicariato nessa linha já corresponde a essa expectativa.”

O Pe. Vandro acrescentou que a formação dos formadores deve ser focada na transmissão de valores. “Os professores da escola católica não precisam ser necessariamente católicos, mas precisam dar testemunho dos valores cristãos”, disse. “Eles educam através do testemunho, na atitude de sala de aula tem de estar aberto ao diálogo, ao encontro, à fraternidade, porque tudo isso são valores cristãos que devem ser vividos.”

Para dar um exemplo, Pe. Vandro mencionou o caso de Bangladesh, um país onde prevalecem o Islamismo e o Hinduísmo. “Os professores dão exemplo no silêncio. Não podem falar de Cristo publicamente, mas o testemunho do professor ajuda o aluno a entender a ética, a parceria, o não aceitar uma escola competitiva que forma robôs para passar em determinados concursos, mas formar o coração dos seres humanos.”

Outro grande desafio das escolas católicas é não ser nem “elitista nem seletista”, definiu o Pe. Vandro, lembrando novamente um pedido do Papa Francisco de ir ao encontro das periferias existenciais. “Se as faculdades católicas forem muito boas mais continuarem só educando um determinado nível social, elas não vão atingir seu fim. Uma rede de educação católica que não é inclusiva não atinge a sua finalidade.” Dom Carlos completou dizendo que o Vicariato tenta promover a presença formativa nas escolas públicas da cidade e do Estado de São Paulo. “A pedido até da Secretarias de Educação, promovemos seminários de formação de professores da rede pública, para falar sobre valores, dignidade humana, virtudes”, afirmou.

Também Dom Julio Endi Akamine compareceu ao congresso, representando a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No mesmo sentido, ele acredita que a educação católica tem como finalidade formar as pessoas, não somente para o mercado de trabalho ou para ter um bom salário, mas prepará-las para a vida, transmitir valores e princípios. A formação dos educadores é no sentido de ajudá-los a se identificar com o mesmo “espírito” da instituição católica, mesmo que tenha convicções diferentes. “A instituição católica pode ajudar a lançar pontes de encontro entre as culturas e as religiões”, avalia.

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Sínodo dos Bispos fortalece processo de discernimento na Igreja

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Análise publicada na página 23 de O São Paulo, em outubro de 2015

“Discernimento” é uma palavra-chave na última assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a família, realizada de 4 a 25 de outubro. O Sínodo foi um confronto direto de ideias, afinal, ocorre justamente para discutir questões complexas. Apesar das diferenças de opinião sobre como conciliar doutrina e prática pastoral, seu relatório final foi aprovado com significativo consenso dos 270 padres sinodais. “Para a Igreja, concluir o Sínodo significa voltar a realmente ‘caminhar juntos’, para levar a todas as partes do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação, o sustento da misericórdia de Deus”, afirmou o Papa Francisco, no encerramento dos trabalhos.

O Sínodo é um processo de discernimento – Em várias ocasiões, o Papa Francisco recordou que a palavra “sínodo” quer dizer “caminhar juntos”, um conceito “fácil de exprimir em palavras, mas não tão fácil de colocar em prática”. De fato, desde o início da assembleia, o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, relatou que os participantes tinham “diferenças de opiniões, entre quem está mais preocupado em recordar o ensinamento católico e quem destaca mais a necessidade de dialogar com o mundo”.

Como declarou o Papa, “no caminho deste Sínodo, as opiniões diferentes que foram manifestadas abertamente certamente enriqueceram e animaram o diálogo, oferecendo uma imagem viva de uma Igreja que não usa ‘modelos pré-confeccionados’, mas que bebe da fonte inesgotável de sua fé, água viva para saciar os corações áridos”. De acordo com o pontífice, o processo foi cansativo, mas os padres sinodais saem enriquecidos. “Muitos de nós experimentaram a ação do Espírito Santo, que é o verdadeiro protagonista e criador do Sínodo”, disse.

O arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönborn

Uma imagem parecida foi apresentada na cerimônia dos 50 anos de instituição do Sínodo dos Bispos, em 17 de outubro, pelo cardeal Christoph Schönborn. O arcebispo de Viena recordou o “Concílio de Jerusalém”, referindo-se à reunião narrada nos Atos dos Apóstolos, na qual os discípulos de Jesus deviam decidir se sua mensagem era só para os judeus ou também para os pagãos.

Aquele debate, contou o cardeal, começou com um “dramático conflito” e teve “animadas discussões”, mas terminou com o parecer do apóstolo Pedro. Ele simplesmente recordou o que Deus os havia dado até ali: não discriminou os pagãos e “purificou os seus corações com a fé”, contou o cardeal.

Um espírito semelhante deve inspirar o Sínodo, dizia Dom Schönborn. “Em Jerusalém, a questão era o discernimento da vontade e do caminho de Deus”, contou. “Discussões acaloradas, mais do que isso, brigas, e a disputa intensa fazem naturalmente parte do caminho sinodal. Já em Jerusalém foi assim. Mas o objetivo dos debates, o objetivo dos testemunhos é o discernimento comum da vontade de Deus. Até mesmo quando se vota, não se trata de lutas de poder, de formações de partidos, mas desse processo de formação de um juízo comum, como vimos em Jerusalém”.

Enfim, o conflito de ideias é parte do processo. Conforme afirmou à Rádio Vaticano o cardeal húngaro Péter Erdő, relator-geral do Sínodo, “existiam, existem e podem existir posições diferentes, acentuações pastorais diferentes e também a nossa formação teológica pode ser diferente na mesma e única verdade católica. Mas, diversamente da impressão que algumas notícias da imprensa davam, sempre houve uma atmosfera de fraternidade. Mais do que tudo, houve um confronto de ideias, de propostas, e não de lutas ou combates”.

Cardeal Péter Erdő

O discernimento como resposta do Sínodo – Ao final de seu discernimento, o Sínodo indicou que o próprio discernimento é um princípio geral para ir ao encontro das famílias. O relatório final o propõe não só para orientar pessoas divorciadas que vivem em segunda união, mas também o discernimento sobre a vocação da família em diversas realidades, sobre os motivos pelos quais muitos jovens se afastam da Igreja, sobre as características do matrimônio em outras tradições religiosas, no processo de acompanhamento dos noivos, no discernimento vocacional.

Enfim, especialmente nas situações de sofrimento, os padres são convidados a “discernir” juntos aos fiéis sobre cada circunstância, conforme o ensinamento da Igreja e a orientação do bispo local.

Mais de uma vez, o relatório cita o discernimento baseando-se na exortação Familiaris consortio, de João Paulo II. “Saibam os pastores que, por amor à verdade, são obrigados a bem discernir as situações. O grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, e podem existir fatores que limitam a capacidade de decisão. Portanto, enquanto a doutrina é expressa com clareza, devem ser evitados juízos que não consideram a complexidade das diversas situações, e é necessário estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição”, diz.

O Sínodo não oferece resposta para todos os problemas, pois tem um caráter consultivo, de ajudar o Papa a guiar a Igreja. Conforme comentou o arcebispo italiano Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, o Sínodo se mostrou atento às situações culturais, sociais e religiosas do mundo contemporâneo e analisou como a Igreja pode ser compreendida nesse mundo. À Rádio Vaticano, ele declarou: “Nós continuamos presentes no mundo, com uma proposta eficaz, forte, que é exatamente o anúncio do Evangelho. E, não esqueçamos, é um anúncio direcionado a todos, ninguém excluído.”

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Papa adota tom conciliador em Sínodo dos Bispos sobre a família

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Análise publicada na página 23 de O São Paulo, em outubro de 2015

Procurando promover um espírito de comunhão entre os padres sinodais e evitar as especulações midiáticas, o Papa Francisco reafirmou a doutrina católica para o matrimônio e, ao mesmo tempo, insistiu na misericórdia como principal diretriz da Igreja em situações de grande sofrimento nas famílias.

Em diversas ocasiões nos últimos dias, no contexto do Sínodo dos Bispos, o Papa adotou um discurso conciliador. Defendeu a união entre homem e mulher como aliança de amor indissolúvel no matrimônio, mas também pediu uma Igreja misericordiosa e aberta a todos, que “constrói pontes, e não muros”, especialmente para quem vive no sofrimento.

O Sínodo dos Bispos volta a discutir o tema da família neste mês de outubro, entre os dias 4 e 25, após a assembleia extraordinária realizada um ano atrás, sob convocação do Papa. Agora os padres sinodais se reúnem em assembleia ordinária, ou seja, já prevista. Refletem sobre “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

Na missa de abertura do encontro, no domingo (4), o Papa chamou de “sonho de Deus para sua criatura” a “união de amor entre homem e mulher, feliz no caminho de comunhão e fecunda na doação recíproca”. Ele criticou as sociedades modernas, que, segundo ele, cada vez mais desestimulam relações “sólidas e fecundas de amor”. Disse que “o amor duradouro, fiel, consciente, estável, fértil é cada vez mais motivo de zombaria e visto como se fosse coisa da antiguidade”.

Embora tenha reafirmado a doutrina já conhecida, o pontífice também manifestou o desejo de ver uma Igreja mais compreensiva e acolhedora das famílias que vivem em situações difíceis, muitas vezes definidas como irregulares. “A Igreja é chamada a viver sua missão na caridade que não aponta o dedo para julgar os outros, mas, fiel à sua natureza de mãe, se sente no dever de buscar e curar as feridas com óleo da acolhida e da misericórdia.” Ele repetiu a metáfora de que a Igreja deve ser um “hospital de campanha, com as portas abertas para acolher a qualquer um que bata pedindo ajuda e sustento”.

Segundo o Papa Francisco, a Igreja deve “sair do próprio recinto em direção aos outros, com amor verdadeiro, para caminhar com a humanidade ferida, para incluí-la e conduzi-la à fonte de salvação”. Citando o Papa João Paulo II, acrescentou que “o erro e o mal devem ser sempre condenados e combatidos, mas o homem que cai ou que erra deve ser compreendido e amado. Nós devemos amar o nosso tempo e ajudar o homem do nosso tempo.”

O Sínodo não é um parlamento – Novamente estimulando um espírito de unidade e um melhor entendimento do Sínodo, o papa afirmou que tal assembleia não é um parlamento, onde os participantes negociam e tentam convencer os outros, mas um local de oração e “abertura ao Espírito Santo”. O pontífice acrescentou que os 270 membros votantes do Sínodo precisam de “coragem, zelo pastoral e doutrinal, sabedoria, franqueza”, tendo sempre em mente o bem da Igreja, das famílias, e a lei suprema da Igreja: “a salvação das almas”.

De fato, em coletiva de imprensa no Vaticano, na segunda-feira (5), o arcebispo italiano Bruno Forte, secretário especial da assembleia, procurou afastar a ideia de que a Igreja está dividida: “Posso dizer com grande sinceridade que não há divisão. Somos todos pastores tentando ouvir a voz de Deus. Sim, há diferenças, mas uma divisão seria outra coisa”, declarou.

O Sínodo tem pauta ampla – A imprensa internacional tem dado grande ênfase às questões mais polêmicas que envolvem as famílias, como sexualidade e divórcio, mas a Igreja tem tentado transmitir a ideia de que a diferença de ideias no Sínodo é algo normal.

De acordo com o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, tanto as discussões fechadas quanto as manifestações abertas dos participantes têm demonstrado que há “diferenças de opiniões entre quem está mais preocupado em recordar o ensinamento católico e quem destaca mais a necessidade de dialogar com o mundo”.

Pe. Lombardi informou que nos primeiros três dias de reuniões a portas fechadas foram abordados, entre outros, os temas da homossexualidade; de encontrar uma linguagem nova com a qual comunicar o Evangelho; e a possibilidade de se encontrar soluções locais, em vez de universais, para questões controversas, como a comunhão aos divorciados em segunda união.

O vaticanista norte-americano, John Allen Jr., do Boston Globe, informou que alguns participantes do Sínodo creem que a assembleia do ano passado tenha gastado muito tempo e energia debatendo “como encorajar famílias que estão tentando viver o ensinamento da Igreja”. Portanto, agora, querem aprofundar, por exemplo, “a necessidade de se ter formas mais compreensivas de preparação para o matrimônio, assim como acompanhamento e apoio para famílias depois da cerimônia de casamento”.

O Sínodo não é um Fla-Flu – Nesse sentido, o vaticanista Andrea Tornielli, do jornal italiano La Stampa, escreveu, em análise, que “quem olha o Sínodo como uma partida de futebol, encontrará posições já conhecidas, graças a entrevistas e livros publicados (pelos padres sinodais), de quem joga no time dos contrários à abertura e de quem, em vez disso, está na outra metade no campo”. Mas, observou Tornielli, “o Sínodo não é uma partida de futebol, e seu primeiro dia não foi um derby com torcidas rivais. E tem alguém que continua a repetir isso: o Papa Francisco, que, mais uma vez, procurou indicar um olhar, uma abordagem ao tema da família, a partir do Evangelho”.

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Em Cuba, Papa Francisco propõe ‘revolução da ternura’

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Análise publicada na página 9 de O São Paulo, em setembro de 2015

O Papa Francisco convidou os cubanos à revolução. Mas uma revolução bem diferente daquela armada, socialista, marxista, liderada por Fidel Castro e Che Guevara nos anos 1950. Trata-se da “revolução da ternura”.

A ideia de que a alegria de ser cristão possa levar as pessoas a “construir pontes” e manifestar compaixão. Um caminho de solidariedade dentro do próprio país e um novo caminho de reconciliação entre os povos. A mensagem ganha ainda mais força no contexto da viagem do Papa a Cuba e aos EUA, países que recentemente retomaram suas relações diplomáticas, após um acordo histórico mediado pelo Papa e pela Santa Sé.

“Nossa revolução passa pela ternura, pela alegria que se faz proximidade, que se faz sempre compaixão”, afirmou o pontífice, em missa celebrada no Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, localizado em Santiago de Cuba.

Conforme escreveram alguns vaticanistas, como o americano John Allen Jr, do Boston Globe, Francisco usou deliberadamente a palavra “revolução”. Curiosamente, não o fez em nenhuma das praças “da Revolução” em que esteve – uma em Havana e a outra em Holguín. Muito menos no Palácio da Revolução, que fica na praça de Havana. Todos esses nomes remetem à famosa Revolução Cubana, ao nacionalismo, ao socialismo de Fidel Castro.

O Papa falou de “revolução” em solo cubano, mas o fez no Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba. Parece que, discretamente, Francisco quis dar um novo significado ao termo, consagrado no país por uma ditadura de esquerda que ao longo da história viveu momentos de auge e de depressão. Francisco talvez queira recordar que o povo cubano tem uma identidade revolucionária, mas essencialmente cristã, que se desenvolveu com a devoção à Virgem. Conforme relatou a vaticanisa Cindy Wooden, da agência Catholic News Service, embora somente 60% da população cubana seja batizada na Igreja Católica, a pequena estátua de Nossa Senhora da Caridade, descoberta há 400 anos, “é amplamente considerada um símbolo da identidade cubana e da força, apesar das dificuldades”.

Essa raiz cristã, pacífica, perseverante até mesmo na dor, é que, segundo o Papa, semeia a misericórdia, grande lema de seu pontificado. “Como Maria, mãe da caridade, queremos ser uma Igreja que saia de casa para construir pontes, derrubar muros, semear reconciliação. Como Maria, queremos ser uma Igreja que saiba acompanhar todas as situações penosas de nossa gente”, declarou. “A partir daqui (do Santuário), ela protege as nossas raízes, nossa identidade, de modo que nós nunca podemos nos desviar para caminhos de desespero.”

Portanto, Papa Francisco procurou recordar os cubanos de que a “revolução da ternura” em Cuba precede e prevalece sobre a socialista, que, politicamente, ainda comanda, atualmente com o presidente Raúl Castro.

Para isso, o pontífice recorreu a um símbolo de unidade, a Virgem, já que, como descreveu John Allen, Cuba é um país repleto de divisões políticas. Há os que apoiam o governo socialista e os que não apoiam, os que ficaram na ilha e os que fugiram em busca de asilo político em outros países, os que estão com o governo cubano e os que gostam da influência americana.

Com uma retórica forte, como é tradição em Cuba, mas permeada pelo tema da misericórdia, o Papa sinalizou que a religião é maior o ponto de unidade na região. Reforçou uma ideia que já havia sido apresentada por João Paulo II e Bento XVI, de que Cuba precisa começar um novo caminho de reconciliação com o mundo, mas que ganha vigor agora, com a retomada das relações com os EUA.

De acordo com o vaticanista Philip Pullella, da agência Reuters, provavelmente por esse motivo Francisco evitou temas polarizantes entre Cuba e EUA, como o fim do embargo econômico americano sobre a ilha: “O Papa terminou sua viagem a Cuba na terça-feira e partiu para os EUA com uma mensagem de reconciliação entre antigos inimigos na Guerra Fria”, relatou.

Também o jornalista francês Jean-Marie Guénois escreveu, em análise publicada no jornal Le Figaro, que Francisco “quer fazer da reconciliação entre estes dois inimigos ‘um exemplo’ para o mundo, demonstrando o potencial da ‘cultura do diálogo’ que esse jesuíta promove, dentro e fora da Igreja”. Ao fazer discursos de teor fortemente religioso, ainda que ao mesmo tempo políticos, Papa Francisco demonstra que a Igreja acompanha a transição gradual que a ilha está vivendo e demonstra que a via do diálogo é, para ele, a mais certa.

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A caminho da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia

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Texto publicado no Jornal “O São Paulo”, em setembro de 2015

Começou a contagem regressiva para a Jornada Mundial da Juventude de 2016. Literalmente. Quando O SÃO PAULO esteve em Cracóvia, no fim de julho, faltavam 362 dias, três horas, 43 minutos e 49 segundos para a abertura do evento, que reunirá na Polônia jovens católicos do mundo inteiro juntos ao Papa.

Um painel eletrônico tinha acabado de ser instalado na fachada da Basílica de Santa Maria, na praça principal da cidade Rynek Główny. Bandeiras coloridas com o símbolo polonês da JMJ foram espalhadas pela praça, criando o clima de que a JMJ já está para começar. Barracas de divulgação do evento foram instaladas e jovens voluntários caminham pelos principais santuários da Polônia, como o de Czestochowa. O Santuário é parada obrigatória para todo peregrino no país: ali está a imagem milagrosa da Nossa Senhora Negra, chamada “rainha da Polônia”.

A divulgação da JMJ se intensificou exatamente um ano antes do seu início. Na oração do Ângelus de 26 de julho, o Papa Francisco inaugurou pessoalmente as inscrições, num tablet. “Aí está! Acabo de me inscrever como peregrino neste dispositivo eletrônico”, disse, convidando os jovens do mundo inteiro a fazerem o mesmo. A estratégia teve efeito. Em apenas duas semanas, mais de 200 mil se cadastraram pelo site www.krakow2016.com/pt/.

Para receber os 2,5 milhões de peregrinos esperados para a JMJ, a organização e o governo local estão preparando dois grandes espaços abertos. O primeiro está no parque de Błonia, uma área de 48 hectares, no centro de Cracóvia. O outro, onde será a missa final, é uma área cinco vezes maior, na zona industrial que fica entre Cracóvia e Wieliczka. A região é famosa por sua enorme (extração ou mineração) de sal, reconhecido patrimônio da humanidade.

Uma JMJ europeia

O responsável pelo setor Comunicação do Comitê Organizador da JMJ, o padre salesiano polonês Adam Parszywka, falou com a reportagem sobre os preparativos para a Jornada. Segundo ele, espera-se uma JMJ com grande presença de jovens europeus, assim como a do Brasil recebeu muitos sul-americanos. “Prevemos que a maioria dos peregrinos seja de poloneses, porque estão em casa. O segundo país mais numeroso deve ser a Itália”, disse. Estima-se que até 900 mil jovens poloneses e 120 mil italianos sejam inscritos.

O Padre Adam ainda não soube estimar quantos brasileiros atravessarão o oceano para participar da JMJ, mas aguarda uma presença significativa. “Dois anos atrás, os brasileiros foram aqueles que acolheram a gente. Agora, estão aqui para ajudar os poloneses. Também se sentem donos dessa festa espiritual da Igreja”. Esses números por nação consideram os peregrinos inscritos, mas muitos viajam por conta própria. “Como são jovens, os participantes agem espontaneamente. Muitos não fazem inscrição, vão chegar na hora. Pegam o carro, se colocam em grupinhos, chamam os outros e chegam”, brincou.

Importância da inscrição

O ideal, especialmente para os grupos numerosos, é que se inscrevam junto à organização e informem o setor de logística do Comitê sobre os lugares que planejam visitar. Os santuários poloneses, como o de Czestochowa e o da Divina Misericórdia, são relativamente pequenos e é impossível entrar muita gente ao mesmo tempo. Padre Adam afirmou que a organização pretende privilegiar as visitas dos estrangeiros durante a JMJ. “Os poloneses podem vir quando quiserem. Quem vem da Austrália, do Brasil, muitas vezes virá só uma vez na vida. É preciso ter a oportunidade de rezar lá.”

Além disso, viajantes inscritos têm direito ao kit do peregrino (mochila, livros, objetos religiosos) e podem incluir alimentação e hospedagem no pacote. Muitos terão de ser alojados em cidades próximas a Cracóvia, que possui somente 800 mil habitantes, menos da metade do que se espera receber durante a Jornada. No entanto, Padre Adam garante que os inscritos não terão de viajar mais de uma hora para chegar aos eventos principais. “Para Cracóvia, tudo isso será uma aventura muito grande! A cidade não é tão grande como as cidades do Brasil”, declarou o Sacerdote.

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