Mario Monti aperta (também) a Igreja na Itália

Mario Monti e Bento XVI

Governantes precisam abrir mão de si em nome da função que exercem. Prova disso é o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, que é católico, mas colocou em maus lençóis a Igreja em seu país.

A Comissão Europeia – “braço” executivo da União Europeia – vem pressionando países da zona do euro para que ponham em ordem suas contas e não tenham de recorrer à ajuda financeira externa. Na Itália, que está bem mal das pernas, Mario Monti foi empossado por meio de acordos políticos, sem eleições, justamente para cortar gastos e aumentar a arrecadação pública. E entre as delicadas medidas que Monti adotou está o fim da isenção fiscal para algumas instituições da Igreja Católica na Itália. Monti apresentou hoje ao Parlamento a emenda que acaba com a isenção de impostos aplicada a imóveis da Igreja utilizados para fins comerciais.

Em outras palavras, hotéis, restaurantes, lojas de artigos religiosos, entre outros estabelecimentos que pertencem a dioceses ou congregações católicas, começarão a pagar impostos. Alguns dizem ser possível que se cobre, inclusive, retroativamente. Estima-se que o governo passará a arrecadar de € 100 milhões a € 500 milhões de euros (R$230 milhões a R$ 1,15 bilhão) a mais por ano. Imóveis de atividade mista, como prédios que também possuem uma capela ou que são residência de religiosos, por exemplo, serão taxados proporcionalmente. Tudo isso será determinado pelo governo, e não pela Igreja.

Segundo a agência de notícias France Presse, a Comissão Europeia investigou as vantagens fiscais que beneficiam a Igreja, cujo patrimônio também inclui escolas e universidades, clínicas, casas de repouso, albergues… seriam cerca de 100 mil prédios avaliados em 9 bilhões de euros.

Naturalmente, os bispos italianos não gostaram da ideia. E no começo resistiram à proposta, que vem sendo negociada já há algum tempo. Mas, diante da percepção de que toda a população do país está sofrendo com uma série de cortes de despesas públicas e aumentos de impostos, resolveram não resistir mais à pressão do governo. A Conferência Episcopal acolheu o pedido de Monti “com a máxima atenção e responsabilidade”. Está disposta a colaborar.

Entretanto, os bispos pediram que o governo seja cauteloso ao avaliar instituições sem fins lucrativos. Muitas das que são tidas como “comerciais” são, na verdade, fonte de renda de congregações religiosas para manutenção de obras sociais ou para subsistência. “Esperamos que seja reconhecido e levado em conta o valor social do vasto mundo dos (institutos) sem fins lucrativos”, disseram os bispos.

Também correm o risco de entrar no aperto do governo as escolas e universidades, o que seria um golpe ainda maior. Os religiosos Salesianos, que têm 140 escolas no país, disseram que “não podem ser consideradas ‘comerciais’ aquelas atividades que entregam um serviço que tem um sentido público”, informa o jornal La Reppublica.

Mas, na prática, o que pode acontecer agora? Não é difícil supor. O fim da isenção de impostos para essas instituições pode resultar em duas possibilidades: a primeira, de que os preços dos serviços prestados subam, para que se possa pagar o imposto agora devido; a segunda, de que muitos grupos não consigam manter certas atividades devido ao novo encargo e tenham de fechar as portas. Não são raras as congregações religiosas que foram obrigadas a vender imóveis e fechar casas na Itália nos últimos anos – também por falta de vocações religiosas. Muitas saíram de Roma e foram para o interior, onde tudo é mais barato.

O futuro de muitas obras pode estar em risco. Mas, infelizmente, as crises atingem a todos.

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Arquivado em Cristianismo, Igreja, Igreja no Mundo, Vaticano

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