O que a Igreja pode fazer contra o tráfico de pessoas e a escravidão

O tráfico de pessoas é o segundo crime mais lucrativo no mundo, depois do tráfico de armas, conforme recorda o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano. E o que pode a Igreja Católica fazer para ajudar a superar esse difícil problema global?

São três os caminhos de ação principais: prevenção, cuidado pastoral das vítimas e sua reintegração à sociedade – conforme as discussões de uma conferência realizada ontem, em Roma, pelo Pontifício Conselho para Justiça e Paz, presidido pelo Cardeal  Peter Kodwo Appiah Turkson . O evento foi organizado pelo bispo Patrick Lynch, auxiliar da Arquidiocese de Saouthwark, que trabalha nessa área na Irlanda.

Diariamente, milhares de pessoas são vendidas como escravos e vítimas da exploração sexual, da escravidão doméstica ou de qualquer outro tipo de trabalho forçado. De acordo com o L’Osservatore Romano, a comunidade internacional já avançou bastante para coibir esses crimes, criando leis internacionais, acordos e declarações de âmbito global. Mesmo assim, a Igreja acredita que isso não é suficiente.

Muitas pessoas “são compradas e vendidas como mercadorias. A dignidade inerente a elas é degrada por criminosos inescrupulosos que enchem seus bolsos com o tráfico e a exploração”, afirmou o Cardeal Turkson na conferência. Uma das formas de atuação da Igreja é utilizar sua imensa rede de fiéis e sua presença internacional para divulgar o problema. Em muitos lugares, o trabalho escravo e o tráfico de pessoas existe, mas não é denunciado nem há qualquer política para combatê-lo por falta de conhecimento.

Cardeal Turkson, de Gana

“Um importante componente precisa ser educar a população de uma maneira autêntica, especialmente os mais vulneráveis”, acrescentou o cardeal, que parafraseou o Papa Bento XVI ao dizer que a promoção dos direitos humanos depende também de “homens e mulheres justos”, preocupados com o bem comum.

Segundo Turkson, a conversão dos corações é essencial neste processo, pois apenas as leis nacionais e internacionais não bastam.

Para Turkson, o combate à pobreza, às condições degradantes de vida e ao subdesenvolvimento são essenciais para evitar a proliferação dos crimes de tráfico de pessoas e escravidão. Dom Lynch observou que as congregações religiosas femininas têm um trabalho muito relevante nesse sentido e são um “exemplo brilhante”, pois “lideraram o caminho ao redor do mundo” no combate a esse grave problema.

De acordo com o Cardeal Turkson, “profundamente convencida da igual dignidade de cada um criado pela imagem e semelhança de Deus, a Igreja não vai deixar de fazer todo o esforço para garantir que a dignidade inerente (a cada pessoa) seja reconhecida e garantida em todas as circunstâncias”.

Olhando para nossa realidade local, o Brasil ainda tem números altíssimos no que se refere ao trabalho escravo, que permanece firme e forte principalmente no setor rural. Atualmente, o Congresso Nacional avalia um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo para endurecer a punição para essa atrocidade contra a vida e a dignidade humanas. Porém, infelizmente é possível que qualquer projeto nesse sentido fique só no papel.

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