Vaticano e Benetton fazem as pazes após fotomontagem com o Papa

O Vaticano retirou hoje o processo contra a famosa marca italiana de roupas Benetton por usar indevidamente a imagem do Papa Bento XVI em uma campanha publicitária no ano passado. Vamos recordar o caso neste post e ver o que acontece agora.

Em um dos anúncios da Unhate Foundation (“unhate” em inglês quer dizer “não ódio” ou “pare de odiar”) divulgados em novembro de 2011, o Benetton Group colocou Bento XVI beijando a boca do xeque egípcio Ahmad al Tayyib, presidente da Universidade Al Azhar, que rompeu relações com a Santa Sé. Na época, o Vaticano considerou a imagem “uma séria falta de respeito” e disse que a manipulação da imagem foi “inaceitável”, pois tem fins comerciais e, além de ser um desrespeito com o Papa, é um desrespeito com os fiéis.

O porta-voz Pe. Federico Lombardi afirmou na ocasião que o anúncio da Benetton foi “uma afronta aos sentimentos dos fiéis e uma demonstração evidente de como, no campo da propaganda, as regras mais elementares do respeito aos outros podem ser quebradas para atrair atenção por meio da provocação”. Portanto, a Secretaria de Estado da Santa Sé autorizou seus advogados a processar a Benetton pelo uso indevido da imagem do Papa.

Horas depois do pronunciamento do Vaticano, a Benetton se retratou: “Pedimos desculpas que o uso da imagem (do Papa) tenha afetado tanto a sensibilidade dos fiéis.” Logo em seguida, a marca retirou os anúncios de circulação, mas, como eles caíram na internet, obviamente foi impossível apagá-los completamente.

Ahmad al Tayyib, que aparece no anúncio beijando Bento XVI

Hoje, o Vaticano divulgou outro comunicado, encerrando a briga. Segundo o Pe. Lombardi, o Benetton Group reiterou, na sexta-feira passada, seu pedido de desculpas e garantiu que todas as imagens do Papa foram retiradas da circulação comercial.

A marca “prometeu não usar a imagem do Santo Padre no futuro sem autorização da Santa Sé”, disse Lombardi, acrescentando que a empresa “vai usar seus recursos para impedir outras utilizações da imagem por terceiros em sites na internet ou em outros lugares”. – (Comentário nosso: Não sei como.)

Por fim, “o Benetton Group reconheceu que a imagem do Papa precisa ser respeitada”. De acordo com Lombardi, a Santa Sé não buscava compensação financeira, mas moral, o que foi atendido pela Benetton, realizando um “ato de generosidade, efetivo, embora limitado, junto a uma das atividades de caridade da Igreja”. Não foi informado o valor da doação nem para qual instituição ela foi feita.

Infelizmente, não é possível saber se a retratação da Benetton foi sincera ou se foi apenas mais uma jogada publicitária. Ou, ainda, se foi só uma forma de evitar o pagamento de uma grande indenização ao Vaticano.

Isso porque os outros anúncios – que incluem o presidente americano, Barack Obama, beijando Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e o presidente chinês, Hu Jintao, entre outros – não foram tirados do ar e ainda podem ser vistos e copiados livremente no site da Unhate Foundation. Além disso, as imagens correm à solta na internet e, neste momento, todos os sites de notícias, o Google e o Facebook estão fazendo propaganda de graça para a Benetton.

Ou seja, apenas a imagem que inclui o Papa foi supostamente considerada desrespeitosa pela marca. As outras pelo visto não.

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