Arquivo do mês: junho 2012

A queda do número de católicos no Brasil e a tal ‘nova evangelização’

O noticiário destacou hoje a queda do número de brasileiros que se declaram católicos, de acordo com dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dez anos, a proporção de católicos no Brasil caiu de 73,6% da população para 64,6%. Enquanto isso, cresce o número de evangélicos, que cada vez mais se espalham por diferentes e novas igrejas.

Não há como negar que a queda é expressiva. E a primeira questão que se levanta é, por que isso acontece? Alguns atribuem  o fato à lentidão da Igreja Católica em aceitar as mudanças do mundo, especialmente no que diz respeito às questões sexuais, reprodutivas e familiares.

Outros dizem que não é isso o que afasta as pessoas da Igreja e de Deus, mas sim uma questão social e cultural, pois a religião como um todo está perdendo espaço na vida das pessoas para outras atividades com as quais passaram a ocupar mais tempo e a dar mais importância, como o trabalho, o estudo, o lazer, etc. Sendo assim, não só o catolicismo seria afetado, mas também outras religiões. Em outras palavras, no mundo atual, muitas vezes as pessoas sentem menos necessidade da religião.

A resposta oficial da Igreja no Brasil aos dados do IBGE foi dada hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Declarou que, embora o número de pessoas que se dizem católicas tenha caído, cresce o número de padres e paróquias, o que, em sua visão, mostra que a Igreja está “viva” no país – que é o mais católico do mundo e cuja população é predominantemente católica.

Vale recordar os dados globais, que foram divulgados no Anuário Pontifício de 2012 – sobre o qual fizemos uma breve análise neste blog. Naquela ocasião, percebemos que, globalmente, o número de católicos cresce proporcionalmente ao aumento da população global. Ou seja, numericamente, estão elas por elas.

Porém, a Igreja está no mínimo atenta a essas mudanças. Quando esteve no Brasil, em 2007, o Papa Bento XVI afirmou na sessão inaugural da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe (Celam): “Observa-se uma certa debilitação da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica devido ao secularismo, hedonismo, indiferentismo e proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de novas expressões pseudo-religiosas.”

Bento XVI com bispos em Aparecida (SP)

Não é à toa a iniciativa de Bento XVI de promover um processo de “nova evangelização“, defendido já por João Paulo II. Segundo Bento XVI, é preciso mudar a forma de transmitir a mensagem deixada por Jesus Cristo, levando-a a novos lugares e retomando-a firmemente em regiões onde ela está se perdendo. Nos países desenvolvidos, avalia o Papa, “o bem-estar econômico e o consumismo, embora misturado com tremendas situações de pobreza e de miséria, inspiram e permitem viver ‘como se Deus não existisse'”.

O documento preparatório para o Sínodo dos Bispos, quando se discutirá a “nova evangelização”, em outubro de 2012, reconhece a necessidade de que a Igreja “recomece sempre por se evangelizar a si mesma”. Diz ainda: “Nova evangelização significa dar resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos homens e dos povos de hoje, aos novos cenários que mostram a cultura por meio da qual exprimimos a nossa identidade e procuramos o sentido da nossa existência“.

Os números divulgados hoje pelo Censo não são, portanto, nenhuma surpresa para a Igreja Católica. Mas chamam a atenção porque colocam a olhos vistos o que já era sabido: que, se o objetivo é disseminar uma determinada mensagem, os métodos usados atualmente não estão sendo suficientes.

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Vaticano contrata jornalista profissional como ‘conselheiro de comunicação’

Greg Burke, jornalista, é o novo relações públicas do Vaticano

Antes tarde do que nunca. Uma notícia chamou muito a atenção ontem: um jornalista profissional foi contratado para assumir o novo cargo de “conselheiro da Secretaria de Estado” do Vaticano para as questões da Comunicação.

Estamos falando do americano Greg Burke, que ocupava o cargo de correspondente da Fox News em Roma e tem ampla experiência nesse tipo de cobertura.

Pode parecer algo óbvio, mas trata-se de um passo enorme. Uma das principais falhas da Igreja Católica nessa área de Comunicação é a falta de profissionalização. Na maioria das vezes, as atividades são lideradas por padres ou outros religiosos mais ou menos especializados, mas que quase sempre se dividem entre essa e outras funções não menos importantes.

O porta-voz do Vaticano e Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, por exemplo, é o Pe. Federico Lombardi – que permanece no posto. Vale lembrar que o médico e jornalista Joaquín Navarro-Valls esteve nesse cargo durante mais de 20 anos. Entretanto, além de ser mais teórico do que jornalista “do mercado” (como é o caso de Burke), sua função era mais de organizador dos veículos de imprensa do Vaticano. Já Burke será conselheiro direto das autoridades da Santa Sé.

De qualquer forma, o fato de a Igreja se abrir para a presença de um jornalista profissional dentro do Vaticano mostra que, demorou, mas está caindo uma ficha importante:

Sabe-se que a cobertura da grande imprensa sobre a Igreja é predominantemente negativa (como é para quase tudo), mas será que isso é um problema só da imprensa? Ou seria também um problema da Igreja, que ainda não sabe direito transmitir as mensagens que quer transmitir?

Em vez de apenas se queixar sobre os problemas da mídia, que existem e precisam ser apontados e analisados, agora com Burke a Igreja passa a buscar os problemas de sua própria estratégia de comunicação.

Um bom jornalista profissional saberá que a estratégia de ocultar fatos ou dificultar o acesso da imprensa às informações é sempre pior do que ajudá-la a obter essas informações ou a esclarecer melhor qual é a ordem das coisas.

Burke afirmou, em entrevista à Associated Press, que seu trabalho será semelhante ao do conselheiro de comunicação da Casa Branca (Estados Unidos). “Vamos formatar a mensagem, vamos moldar a mensagem, vamos tentar garantir que todos permaneçam na mensagem. E isso é difícil”, declarou.

A decisão de contratar Burke é, naturalmente, resultado do recente escândalo de vazamento de documentos secretos do Vaticano (que ficou conhecido como “VatiLeaks”, saiba mais aqui).

Segundo o jornalista italiano e também vaticanista Andrea Tornielli, “a Secretaria de Estado finalmente levou o problema a sério depois de ser atingida no estômago após uma série de ocasiões nas últimas semanas”.

Torçamos para que outros níveis da Igreja – dioceses, conferências episcopais, universidades, paróquias – caminhem no mesmo sentido, sem precisar antes de uma pesada dor de estômago para procurar o remédio.

Atualizado às 22h02 com informações sobre Joaquín Navarro-Valls.

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Rio+20: o que têm a Igreja e os direitos reprodutivos da mulher a ver com isso

Já havíamos adiantado neste post um pouco do que seria a atuação da Santa Sé na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Mas o noticiário chamou a atenção para o fato de que o Vaticano pressionou o Brasil, que preside a Conferência, contra a inclusão no texto final de que os países se comprometeriam com a garantia dos “direitos de sexualidade e reprodução” da mulher. No lugar, entrou “serviços de saúde” da mulher.

A primeira coisa a se entender aí é o que tem a saúde da mulher a ver com o meio ambiente. Pois bem, muitos ambientalistas afirmam que as mulheres são as pessoas mais prejudicadas nos ambientes de extrema pobreza. Em muitos lugares onde a degradação ambiental é resultado da pobreza, como numa favela, por exemplo, as mulheres são as principais responsáveis por manter e cuidar das famílias. Às vezes têm muitos filhos e uma vida sexual descontrolada. Se a degradação ambiental agrava a pobreza, portanto, as mulheres são uma parcela da população mundial significativamente prejudicada.

O Brasil, que hoje é presidido por uma mulher, Dilma Rousseff, simpatizante da causa feminista, havia colocado no rascunho o termo “direitos de sexualidade e reprodução”, que no meio diplomático é conhecido como outra forma de dizer “métodos contraceptivos e aborto”. E como todo mundo sabe, a Igreja é contra o aborto em qualquer circunstância.

Mary Robinson criticou o documento final

Nesse contexto, alguns grupos políticos e de ambientalistas criticaram o Vaticano por ter defendido essa posição. Uma delas foi a ex-presidente da Irlanda e ex-comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Mary Robinson, que em entrevista ao jornal O Globo disse que “as mulheres são essenciais para o desenvolvimento sustentável”. Ela lamentou muito o resultado e afirmou que a questão não avança “por uma guerra política” da qual a Igreja faz parte.

No discurso proferido na Rio+20, o Arcebispo de São Paulo e presidente da delegação da Santa Sé, Cardeal Dom Odilo Scherer, falou diretamente sobre as delegações que tentam promover “questões como ‘dinâmica populacional’ ou ‘direitos reprodutivos’, como uma forma de desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, “estas propostas são baseadas em uma noção errada de que o desenvolvimento sustentável e a proteção ambiental só podem ser alcançados através da garantia de que haja menos pessoas em nosso planeta”.

Dom Odilo Scherer

Não aprofundaremos a discussão sobre qual posição é a mais correta ou melhor para o desenvolvimento sustentável. Mas há que se ponderar que a Santa Sé não foi a única contrária à inclusão do termo “direitos de sexualidade e reprodução”. Também o fizeram Chile, Nicarágua, Costa Rica, República Dominicana, Egito, Síria e Rússia. Defenderam o termo Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Suíça, União Europeia e Estados Unidos.

Na verdade, o grande problema dessas conferências não é o fato de um país ou outro defender essa ou aquela posição, sobre qualquer temática que seja. Afinal, cada país é soberano em suas decisões, tem suas próprias leis, legisladores, governantes e eleitores (no caso das democracias, claro).

O problema é a lógica ingênua de exigir  que o documento final da Rio+20 seja fruto de um consenso entre todos os países representantes. Desse modo, qualquer membro tem direito de discordar de uma vírgula e pressionar para mudar o texto nesse ou naquele sentido – o que é totalmente legítimo nesse cenário. É por isso que essas reuniões raramente chegam a resultados concretos, como foi  o caso da Rio+20.

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Bispos dos EUA elogiam decisão do governo Obama sobre imigrantes

Dom José Gomez, Arcebispo de Los Angeles

Para não dizer que os bispos dos Estados Unidos só implicam com o governo do presidente Barack Obama – que vem desagradando boa parte dos católicos do país com algumas decisões que contrariam suas expectativas (entenda melhor lendo este post e também este) -, hoje saiu uma notícia que mostra sintonia entre as duas partes.

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) elogiou a decisão do gabinete presidencial de proteger imigrantes ilegais com até 15 anos de idade, que serão acolhidos no país em vez de passarem por procedimentos de deportação. Autoridades executivas dos Estados Unidos passam a analisar caso a caso.

De acordo com os bispos dos EUA, em carta assinada pelo Arcebispo de Los Angeles, Dom José Gomez, presidente do Comitê de Migração da USCCB, cerca de 800 mil jovens que estão ilegalmente no país poderão receber o benefício e uma permissão de trabalho. Segundo os bispos, eles não podem ser condenados pela migração, pois na maioria das vezes entraram juntos com os pais.

“Essa ação importante vai oferecer proteção (…) para um grupo de imigrantes vulnerável, que merece permanecer no nosso país e contribuir com seus talentos às nossas comunidades”, afirmou Dom José, em nota. “Essa juventude é brilhante, energética e ansiosa por buscar sua educação e alcançar todo o seu potencial”, acrescentou. “Eles não entraram em nosso país por violação própria, mas vieram aos Estados Unidos com seus pais como filhos, algo que qualquer um de nós faria.”

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Vaticano anuncia criação de novo departamento voltado ao esporte

Cardeal Ravasi

O Cardeal Gianfranco Ravasi anunciou nesta quinta-feira a criação de um novo departamento voltado ao esporte, dentro do Pontifício Conselho para a Cultura, do qual ele é presidente. O objetivo é fazer com que a Igreja Católica compreenda melhor o mundo dos esportes e crie novas abordagens para a evangelização.

Segundo nota do jornal do VaticanoL’Osservatore Romano, por meio do novo escritório de “Cultura e Esporte” pretende-se identificar um ambiente privilegiado de diálogo na Igreja, na cultura e no mundo dos jovens, para crentes e não crentes. A Igreja quer, portanto, analisar mais de perto a dinâmica e os valores do esporte. “A cultura não evangeliza externamente, mas de seu coração, da parte interior de cada fenômeno cultural”, afirma o jornal.

De acordo com o Cardeal Ravasi, considerado um dos maiores intelectuais da Igreja atualmente, “o esporte é um dos grandes fenômenos culturais do nosso tempo, (mas) com toda a sua degeneração, que o leva também a ser um campo de anticultura” – conforme cita o site Vatican Insider.

O esporte deve “reencontrar o seu aspecto cultural, a sua alma profunda, e voltar a ser um ponto de referência educativa para os jovens, valorizando o espírito criativo da pessoa humana, indo além dos elementos degenerativos que ocupam as primeiras páginas dos jornais”, acrescentou Ravasi. Ele acredita que o mundo do esporte precisa de uma “catarse”.

A iniciativa vai ao encontro de outros trabalhos do Vaticano no mesmo sentido, como atividades do Pontifício Conselho para os Leigos, que criou em 2004 um departamento chamado “Igreja e Esporte”.

A diferença do escritório anunciado hoje está na abordagem, voltada para a questão do esporte como cultura, e não apenas como uma prática.

É bem provável que essa proposta da Igreja de se aproximar dos esportes seja parte dos esforços de “nova evangelização” lançados pelo Papa Bento XVI já há algum tempo.

Diversas vezes ele vem afirmando que cada vez mais “vastos horizontes se abrem para o anúncio do Evangelho” e que regiões de antiga tradição cristã “são chamadas a redescobrir a beleza da fé”.

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Igreja Católica também discute sobre o futuro do meio ambiente na Rio+20

Espaço “Futuro que queremos” na Rio+20

Começou hoje a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e a Igreja Católica também participa das discussões.

O Papa Bento XVI nomeou o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, como enviado especial da Santa Sé à conferência. Além de Dom Odilo, que preside a delegação, estarão lá também Dom Francis Chullikatt, Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, os adidos Pe. Philip J.Bené e Pe. Justin Wylie, além do advogado Lucas Swanepoel.

O encontro deve reunir representantes dos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), além de membros da sociedade civil, como Organizações Não Governamentais (ONGs), empresas e outras instituições.

Em entrevista à televisão católica Canção Nova (veja aqui), Dom Odilo Scherer explicou o motivo de a Igreja também estar na Rio+20: “A palavra da Igreja, representada pela Santa Sé, tem um peso e por isso a Igreja não pode deixar de dizer sua palavra e apresentar a sua posição“, afirmou. “O Homem foi colocado como zelador do jardim, do paraíso, então deve assumir a sua responsabilidade de cuidar bem, e não de estragar o jardim, o paraíso terrestre, ou seja, o mundo em que nós vivemos.”

Dom Odilo Scherer, enviado especial do Papa para a Rio+20

Pode parecer talvez que a Igreja está caindo de paraquedas nas discussões sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, mas essa ideia é um engano. Nunca um Papa falou tanto sobre a proteção do meio ambiente como Bento XVI, que é chamado por alguns ambientalistas de o “Papa Verde”.

Uma das ocasiões em que abordou o tema foi em 2009, enviando mensagem para os representantes da ONU em conferência sobre as mudanças climáticas, Bento XVI afirmou que “os custos econômicos e sociais na utilização dos recursos comuns devem ser reconhecidos com transparência”, dedicando atenção às futuras gerações. Em sua encíclica Caritas in Veritate (Caridade na Verdade), defendeu que o desenvolvimento deve ser “inspirado nos valores da caridade na verdade” e pediu uma transformação do modelo de desenvolvimento, com maior valorização do ser humano.

A pobreza é degradação

Também hoje, a entidade Caritas Internationalis – mais famosa e reconhecida instituição católica de caridade – divulgou documento pedindo “uma mudança de paradigma, a uma nova civilização do amor pela humanidade, que coloque a dignidade e o bem-estar de homens e mulheres no centro de toda ação”. A Caritas estimulou os líderes transmitirem “uma mensagem de esperança para a humanidade, sobretudo para os pobres e excluídos”.

A grande discussão que se faz sobre a Rio+20 é se ela realmente chegará a alguma conclusão prática e concreta sobre a sustentabilidade, pois muito se fala sobre o meio ambiente e pouco se faz em âmbito global. Os países raramente chegam a acordos sobre essas questões.

De qualquer forma, especialistas dizem que conferências desse tipo são importantes assim mesmo, nem que seja apenas para se formar uma nova “cultura”, um novo pensamente de preservação, de reutilização, e não mais somente de exploração e descarte.

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Habemus cattus: Bento XVI e os gatos

Chico, o melhor amigo felino de Bento XVI

Na época da eleição do Cardeal Joseph Ratzinger para o papado, em 2005, foi muito divulgada na imprensa internacional a paixão do então “novo Papa” com os gatos.

Bento XVI ama gatos. Sua relação com os felinos vem desde a infância e até hoje ele manifesta grande carinho, embora não possa mais tê-los muito por perto – parece que as regras do Vaticano proíbem a presença de animais de estimação, “por motivos de segurança”.

Essa paixão ficou evidente durante a última visita do Papa aos Estados Unidos, em 2010. Durante um de seus compromissos, enquanto andava nos corredores, o pontífice parou para cumprimentar Pushkin, um gato preto de dez anos que estava no colo do padre Anton Guziel, seu dono. Segundo o padre, Bento XVI começou a conversar com o gato e acariciá-lo nas orelhas: “Você não é bonitinho? Você não é bonitinho?” Depois, falando com o padre: “Qual é o nome dele? Quantos anos ele tem?”

“Você não é bonitinho?”, disse o Papa

Dizem também que, antes do conclave de 2005 que elegeu Bento XVI, o então Cardeal Ratzinger costumava ser visto pelas ruas de Roma alimentando os felinos que viviam soltos pela cidade.

Em Roma, os gatos são muito queridos de modo geral. Isso porque, em determinado período da História, houve um massacre de gatos. Mas logo depois ocorreu uma infestação de ratos pela cidade e, desde então, os romanos cuidam dos gatos e a Itália tem uma série de leis que os protegem.

Mas a relação de Ratzinger com os gatos é anterior ao período em que começou a trabalhar no Vaticano como cardeal, em 1982. Quando criança, ele brincava com vários no jardim de sua casa na Alemanha, que, inclusive, tem uma estátua de felino. Sua família tinha alguns gatos e também os vizinhos.

O mais famoso gato que passou pelo vida de Bento XVI se chama Chico (em alemão fica “Kico”). De acordo com a agência de notícias Rome Reports, Chico pertencia aos vizinhos da frente de Joseph Ratzinger, em Pentling, na Alemanha. Por algum tempo, Chico viveu com Ratzinger, mas voltou a morar com o casal Rupert e Therese Hofbauer quando Ratzinger se mudou de lá. Por muitas vezes, Joseph Raztinger voltou para visitá-lo, mas parece que desde que se tornou Papa não retornou mais.

A história de Bento XVI e Chico ficou conhecida internacionalmente quando Chico escreveu um livro infantil sobre a história de vida de Joseph Ratzinger, a primeira biografia autorizada deste Papa. Se chama Joseph e Chico: a vida do Papa Bento XVI contada por um gato.

Não se assuste, o livro é assinado pelo gato mesmo! Mas é claro que o Chico precisou de uma força. A jornalista Jeanne Perego o “auxiliou” e as ilustrações são de Donata Dal Molin Casagrande. Não encontrei versão em português, mas no Amazon tem em inglês.

Na ocasião da publicação do livro, em 2008, Chico tinha 10 anos. Se ainda estiver vivo, agora está com 14. Não consegui descobrir se ele já morreu ou não, mas seu twitter (sim, ele tem um twitter) está parado desde 2010.

Dizem que os gatos vivem de 15 a 20 anos, mas acho que a imprensa internacional teria nos informado se Chico já tivesse gastado as suas sete vidas.

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