Vaticano contrata jornalista profissional como ‘conselheiro de comunicação’

Greg Burke, jornalista, é o novo relações públicas do Vaticano

Antes tarde do que nunca. Uma notícia chamou muito a atenção ontem: um jornalista profissional foi contratado para assumir o novo cargo de “conselheiro da Secretaria de Estado” do Vaticano para as questões da Comunicação.

Estamos falando do americano Greg Burke, que ocupava o cargo de correspondente da Fox News em Roma e tem ampla experiência nesse tipo de cobertura.

Pode parecer algo óbvio, mas trata-se de um passo enorme. Uma das principais falhas da Igreja Católica nessa área de Comunicação é a falta de profissionalização. Na maioria das vezes, as atividades são lideradas por padres ou outros religiosos mais ou menos especializados, mas que quase sempre se dividem entre essa e outras funções não menos importantes.

O porta-voz do Vaticano e Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, por exemplo, é o Pe. Federico Lombardi – que permanece no posto. Vale lembrar que o médico e jornalista Joaquín Navarro-Valls esteve nesse cargo durante mais de 20 anos. Entretanto, além de ser mais teórico do que jornalista “do mercado” (como é o caso de Burke), sua função era mais de organizador dos veículos de imprensa do Vaticano. Já Burke será conselheiro direto das autoridades da Santa Sé.

De qualquer forma, o fato de a Igreja se abrir para a presença de um jornalista profissional dentro do Vaticano mostra que, demorou, mas está caindo uma ficha importante:

Sabe-se que a cobertura da grande imprensa sobre a Igreja é predominantemente negativa (como é para quase tudo), mas será que isso é um problema só da imprensa? Ou seria também um problema da Igreja, que ainda não sabe direito transmitir as mensagens que quer transmitir?

Em vez de apenas se queixar sobre os problemas da mídia, que existem e precisam ser apontados e analisados, agora com Burke a Igreja passa a buscar os problemas de sua própria estratégia de comunicação.

Um bom jornalista profissional saberá que a estratégia de ocultar fatos ou dificultar o acesso da imprensa às informações é sempre pior do que ajudá-la a obter essas informações ou a esclarecer melhor qual é a ordem das coisas.

Burke afirmou, em entrevista à Associated Press, que seu trabalho será semelhante ao do conselheiro de comunicação da Casa Branca (Estados Unidos). “Vamos formatar a mensagem, vamos moldar a mensagem, vamos tentar garantir que todos permaneçam na mensagem. E isso é difícil”, declarou.

A decisão de contratar Burke é, naturalmente, resultado do recente escândalo de vazamento de documentos secretos do Vaticano (que ficou conhecido como “VatiLeaks”, saiba mais aqui).

Segundo o jornalista italiano e também vaticanista Andrea Tornielli, “a Secretaria de Estado finalmente levou o problema a sério depois de ser atingida no estômago após uma série de ocasiões nas últimas semanas”.

Torçamos para que outros níveis da Igreja – dioceses, conferências episcopais, universidades, paróquias – caminhem no mesmo sentido, sem precisar antes de uma pesada dor de estômago para procurar o remédio.

Atualizado às 22h02 com informações sobre Joaquín Navarro-Valls.

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