Arquivo do mês: julho 2012

Papa se reúne com comissão de cardeais dos ‘VatiLeaks’

Cardeal Herranz, presidente da comissão investigadora dos VatiLeaks

O Papa Bento XVI recebeu na última quinta-feira a comissão de três cardeais criada por ele mesmo para investigar o escândalo de vazamentos de documentos secretos do Vaticano, que ficou conhecido como VatiLeaks (relembre o caso clicando aqui).

Os cardeais transmitiram ao Papa suas conclusões sobre o processo, mas a Santa Sé não divulgou detalhes. O pontífice se limitou a agradecer à comissão, composta pelos cardeais Julián Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi. O Papa pediu que eles “continuem seu trabalho com diligência”.

Alguns dias atrás, a imprensa internacional informou que o mordomo Paolo Gabriele, preso em 23 de maio com documentos sigilosos e suspeito de contribuir com os vazamentos de correspondências do Papa, aguarda julgamento prisão domiciliar. Ele vive com a esposa e três filhos dentro do Vaticano. O julgamento está previsto já para agosto.

O Papa com Paolo Gabriele

O advogado de Gabriele, Carlo Fusco, afirmou que “Paolo escreveu uma carta ao Papa pedindo perdão, especialmente pela dor que lhe causou”. Após o julgamento, também tentará pedir uma espécie de “perdão judicial” para que sera anistiado.  De acordo com o vaticanista Giacomo Galeazzi, do jornal italiano La Stampa, o perdão do Papa pode até ser concedido, mas dificilmente nesta fase atual do processo.

Bento XVI “parece ter intenção de fazer emergir tudo o que aconteceu  – o vazamento de notícias iniciado muito antes dos VatiLeaks, as publicações de documentos reservados e, enfim, as tentativas de despistagem e desinformação que sucederam a prisão do perjúrio mordomo  Paolo Gabriele – para poder proceder uma verdadeira operação de polícia e regeneração”.

O advogado Fusco declarou que Gabriele queria ajudar o Papa e pode ter agido para “limpar a Igreja”. Por enquanto, o mordomo é o único suspeito do caso, mas outras pessoas deram depoimento. A maioria dos observadores do Vaticano acredita que certamente há outros “corvos” rondando a Santa Sé.

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Vaticano proíbe PUC do Peru de se chamar de ‘católica’ e ‘pontifícia’

Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Bertone

Filipe Domingues – Agência Estado

O Vaticano divulgou neste sábado um comunicado informando que a Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) perdeu o direito de usar em seu nome os títulos de “Pontifícia” e “Católica”. Conforme decreto do Secretário de Estado Tarcisio Bertone, o número dois do Vaticano, a universidade fundada em 1917 pela Santa Sé vem alterando unilateralmente seus estatutos desde 1967, “com grave prejuízo para o interesse da Igreja”.

A decisão foi tomada depois de uma série de visitas de representantes da Santa Sé à universidade, em dezembro de 2011, e reuniões com o atual reitor, Marcial Rubio. “A Santa Sé foi obrigada a adotar esta medida”, diz o comunicado. A crise na PUC do Peru começou em setembro do ano passado, quando o arcebispo de Lima, cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, identificou diferenças ideológicas entre professores e alunos em relação às posições da Igreja.

Cipriani pediu mudanças nos estatutos da universidade, conforme as orientações da Igreja para as universidades católicas contidas na constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae. O arcebispo exigiu, por exemplo, o direito de indicar o reitor a partir de uma lista tríplice definida pela universidade em assembleia.

O reitor Marcial Rubio

Mas o atual reitor, Marcial Rubio, e grupos de alunos recusaram a mudança, acusando perda de autonomia universitária. Rubio declarou à imprensa local que Cipriani tem interesse no controle econômico da PUCP. Ao mesmo tempo, a universidade não quer perder os títulos de “católica” e “pontifícia”, pois teria de abrir mão das propriedades que pertenceriam à Arquidiocese de Lima – pois o doador do terreno da PUCP vinculou a herança ao uso por uma universidade pontifícia.

Segundo o comunicado divulgado hoje, Rubio vinha exigindo que a Arquidiocese renunciasse ao controle dos bens. A Igreja recusou, dizendo que os tribunais civis do Peru confirmaram mais de uma vez seu direito de participar da gestão.

A Santa Sé afirmou que continuará acompanhando a situação da universidade e quer que as autoridades acadêmicas reconsiderem sua posição. O reitorado da universidade, por sua vez, informou em seu site que o decreto será discutido em assembleia na segunda-feira.

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Um sinal de alerta dos bispos da Amazônia para todo o Brasil

É um desafio lidar com a riqueza da Amazônia. Cultural, ambiental e social. Não se sabe direito como preservá-la sem colocá-la à margem do desenvolvimento. Entre os importantes agentes presentes na Amazônia, refletindo sobre essa questão e participando lá dentro, está a Igreja Católica.

Na semana passada, um grupo de bispos da região da Amazônia se reuniu para discutir justamente essa atuação, que se dá por meio de missões, projetos pastorais e sociais. Liderados pelo Cardeal Dom Cláudio Hummes, arcebispo brasileiro de maior destaque em âmbitos nacional e internacional (que já trabalhou no Vaticano e hoje se encarrega dos pobres da Amazônia), refletiram sobre conclusões tomadas pela própria Igreja 40 anos atrás – na cidade de Santarém, entre 24 a 30 de maio de 1972, foram estabelecidas as diretrizes para a Igreja na Amazônia. E daí saiu o “Documento de Santarém”, um marco para a religião católica no país.

Dom Cláudio Hummes é presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia

Neste novo encontro, que terminou em 7 de julho de 2012, publicaram uma carta assinada pelos bispos novamente em Santarém. O conteúdo da Carta dos Bispos ao Povo de Deus na Amazônia é, na verdade, de interesse de todos os brasileiros. Vejamos a seguir alguns elementos apresentados por ela, que passou batida na imprensa.

No texto, os bispos constatam novamente o grande sofrimento dos povos da Amazônia. E aí está a maior crítica da carta.

Eles atribuem isso principalmente ao fato de que, apesar de alguns avanços, a região ainda está à margem do restante do país. A Amazônia, dizem eles, ainda é vista como uma colônia: como há 40 anos, “é apenas ‘província’, primeiro província madeireira e mineradora, depois a última fronteira agrícola no intuito de expandir o agronegócio até os confins deste delicado e complexo ecossistema, único em todo o planeta.”

Mais do que isso, analisam os bispos, as decisões sobre a Amazônia são sempre tomadas de fora para dentro, sem a participação dos povos locais (ribeirinhos, seringueiros, quilombolas, indígenas).

Rio Xingu, onde se constrói a controversa Usina de Belo Monte

A Amazônia é vista por governos e empresas como uma província também “energética”, dado seu enorme potencial hidrelétrico, que, na avaliação dos bispos, coloca em risco os povos da região.

“Sob a alegação de gerar energia limpa se esconde a verdade de que mais florestas sucumbirão, mais áreas, inclusive urbanas, serão inundadas, milhares de famílias serão expulsas de suas terras ancestrais, mais aldeias indígenas diretamente afetadas”, afirmam. Nesta declaração, está implícita uma crítica à Usina de Belo Monte, que vem sendo construída no Rio Xingu, no Pará, à revelia de grande parte da população local.

Citando o Papa João Paulo II, os bispos da Amazônia observam que o agravamento da devastação e da miséria gera “ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres”. Segundo eles, quem se opõe às decisões tomadas pelos governos e empresas costuma ser visto como “inimigo”. “Somado a estes desafios nos deparamos com a emergência do fenômeno urbano, com o inchaço nas periferias das grandes cidade, exploração sexual, tráfico de pessoas e de drogas, violência”, acrescentam.

Sobre a ação pastoral da própria Igreja na Amazônia, os bispos destacam três pontos principais (sempre à luz do Documento de Santarém).

O primeiro é a falta de padres, maior problema da Igreja Católica na região. E, mesmo para os poucos que existem, a formação é considerada precária. Também os leigos carecem de formação.

O segundo, por outro lado, destaca o valor das chamadas “Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)“, vistas como uma grande riqueza – elas visam, por exemplo, a reunir uma determinada comunidade em torno da leitura da Bíblia e da avaliação da realidade local.

O terceiro, por fim, é a questão indígena. Diz o texto que, não fosse a intervenção da Igreja, muitos povos indígenas teriam desaparecido. “A presença solidária e o apoio incondicional à luta por seus direitos foi fundamental para que hoje a maioria dos povos indígenas da região tenha suas terras demarcadas.”

Alguém pode perguntar: “Mas o que têm esses bispos a ver com tudo isso?”. Eles mesmos, na carta, adiantam que “como 40 anos atrás, também hoje os bispos se entendem como mensageiros dos povos da Amazônia”. Sua mensagem é relevante, portanto, porque “nestes nossos tempos, as feridas se tornaram chagas abertas que perpassam e sangram a Amazônia de fora a fora, causando cada dia mais vítimas fatais”, afirmam.

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Pergunta: Qualquer vinho pode ser usado na celebração das missas?

Papa Bento XVI

A pergunta acima surgiu nesta semana durante um papo informal entre colegas jornalistas. Resolvi, então, aproveitar a deixa para registrar o tema aqui no blog, pois se trata de uma curiosidade bastante comum.

A resposta é não. Na verdade, a Igreja Católica tem orientações claras para o vinho que deve ser usado nas missas. Essa indicação está na instrução Redemptionis Sacramentum (texto completo aqui). O motivo das recomendações é o fato de que, para os católicos, durante a missa o vinho se torna o sangue de Jesus Cristo. Por isso, são exigências que visam a manter o caráter sagrado da celebração.

Pede-se que o vinho usado seja puro, natural e, lógico, de uva. Não pode ser qualquer vinho, não pode ter substâncias como conservantes, aromas, entre outras. Diz o texto: “Está totalmente proibido utilizar um vinho de que se tem dúvida quanto ao seu caráter genuíno ou à sua procedência, pois a Igreja exige certeza sobre as condições necessárias para a validade dos sacramentos.”

A Instrução Geral para o Missal Romano (livro usado na celebração das missas) recomenda que: “Tenha-se grande cuidado em que o pão e o vinho destinados à Eucaristia se conservem em perfeito estado, isto é, que nem o vinho se azede nem o pão se estrague ou endureça tanto que se torne difícil parti-lo” (nº 323).

Para ajudar nessa escolha do vinho, as lojas de artigos religiosos vendem o chamado “Vinho Canônico”, popularmente conhecido como “vinho do padre”. Esse vinho está dentro das exigências. Usado em pequenas quantidades, costuma ser bastante licoroso, muito doce e ter elevado teor alcoólico, para manter sua conservação por períodos longos. Saiba mais sobre as características e origem no interessante blog do jornalista Beto Gerosa, sobre vinhos.

SUCO DE UVA – Em alguns casos raros, o bispo diocesano de cada Diocese pode admitir que a celebração seja feita com suco de uva, mas ainda assim não é qualquer suco. Geralmente é o chamado “mosto”, que, na verdade, é quase um vinho sem álcool. É o vinho antes do processo de fermentação. O suco de uva comum, aquele que compramos no supermercado, é proibido.

Este comunicado do bispo diocesano de Santo André, Dom Nelson Westrupp, resume os casos em que o suco de uva natural pode ser admitido: “falta de vinho (como acontece na região de Nova Guiné, na África); problemas de saúde do padre; problema de alcoolismo”.

Se tais normas não são seguidas, a Igreja considera o sacramento inválido. Em outras palavras, fora dessas condições, para a Igreja Católica a Eucaristia não foi celebrada.

Envie você também sua dúvida sobre a Igreja nos espaços para comentários ou para o e-mail pracadesales@gmail.comveja aqui as outras perguntas já respondidas neste blog.

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Um bom perfil de Dom Eugênio Sales

A morte do Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro, aos 91 anos, foi amplamente noticiada desde ontem à noite. Ele era o bispo católico que há mais tempo foi nomeado cardeal – em 1969, pelo Papa Paulo VI – e sua atuação na Igreja durou muitos anos. Ele foi uma das pessoas mais importantes para a história da Igreja no Brasil.

Para não repetir o que já está na mídia, recomendamos um ótimo perfil escrito pelo jornalista José Maria Mayrink, de O Estado de S. Paulo – até onde eu sei o único repórter da grande imprensa brasileira que se dedica ao jornalismo religioso.

Neste texto, Mayrink resume a trajetória de Dom Eugênio sem simplificá-la demais e sem colocar um rótulo, como fazem alguns obituários. Dom Eugênio Sales, como qualquer pessoa, foi uma personalidade complexa, ao mesmo tempo conservador e liberal, rico e pobre, de direita e de esquerda. Segue o primeiro parágrafo. Para ler o restante, clique abaixo.

Coerência e idealismo marcaram a vida de d. Eugenio

“De padre da roça a cardeal no Rio de Janeiro, o nordestino d. Eugenio de Araújo Sales foi, à sua maneira, um revolucionário – na opinião do presidente-marechal Castelo Branco, “o bispo mais perigoso do Brasil”. Natural de Acari, no Rio Grande do Norte, onde nasceu em 8 de novembro de 1920, sonhava ser vigário do interior até ser mandado para Natal, seu primeiro estágio durante dez anos para uma vida a serviço dos pobres. (…)”

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Bispo recém-ordenado de Xangai enfrenta governo chinês e desaparece

Dom Ma está sendo chamado de ‘bispo corajoso’

Confusão em Xangai. A bagunça que já estava instaurada em uma das mais importantes dioceses católicas da China se agravou nos últimos dias.

O recém-ordenado bispo auxiliar de Xangai, Dom Thaddeus Ma Daqin, foi barrado pelas autoridades chinesas e, na prática, proibido de exercer seu ministério. Há alguns meses, tratamos com detalhes do antigo e complicado problema da Igreja Católica na China, que voltou à tona nos últimos dias com novas ordenações realizadas pelo governo sem a permissão do Papa Bento XVI.

O motivo do sumiço de Dom Ma Daqin: ele se recusou a ocupar qualquer cargo na chamada Associação Católica Patriótica Chinesa (ACCP, em inglês), que é uma espécie de igreja paralela comandada pelo governo comunista chinês para supervisionar a religião, e que funciona no meio das coisas da Igreja Católica.

“Depois da ordenação de hoje, vou dedicar todo esforço ao ministério episcopal. É conveniente para mim não servir mais a um cargo da ACCP”, afirmou o bispo à assembleia na igreja, o que incluía autoridades do governo. Seu discurso foi recebido com grande surpresa entre as cerca de 1 mil pessoas presentes.

Ao recusar posições na ACCP, Dom Ma Daqin se manifestou publicamente contrário às autoridades do governo comunista. Desde então, ele não apareceu mais em público, nem para celebrar sua primeira missa como bispo. De acordo com a agência de notícias asiática UCA News, religiosos da Diocese de Xangai receberam de Dom Ma Daqin uma cartinha dizendo que estava “mentalmente e fisicamente exausto” depois da ordenação.

Ordenação ilegítima em Sichuan

Parece que ele está em um “período de descanso” em um seminário. Entretanto, segundo fontes da UCA News, o novo bispo está em uma espécie de prisão domiciliar, assim como outros bispos chineses que em algum momento se opuseram à ACCP. Alguns deles se recusaram a comparecer a ordenações irregulares ou a obedecer ordens do governo, por exemplo.

Na véspera da ordenação de Dom Ma Daqin, considerada legítima pelo Vaticano, ocorreu uma ordenação irregular amplamente anunciada pelo governo. O grande problema aí é que, depois de um razoável período de paz com Roma, há alguns meses a ACCP voltou a nomear e ordenar bispos sem autorização do Papa. Antes disso, por algum tempo houve acordo entre as duas partes e as ordenações correram relativamente bem.

O resultado agora é uma grande confusão entre os fiéis. Isso porque muitas vezes, durante as ordenações irregulares, há bispos lícitos que são obrigados a comparecer. E entre ordenações de bispos lícitos é comum aparecerem alguns bispos da ACCP, com aval do governo, como foi no caso de Dom Ma (embora os ilícitos não tenham imposto as mãos sobre sua cabeça, gesto que efetivamente concretiza o sacramento da Ordem).

Outros dois bispos de Xangai:  Jin Luxian (esq) coadjutor com 96 anos; e Xing Wenzhi (dir), auxiliar que deveria sucedê-lo, mas sumiu

Veja só como é confuso o caso de Xangai: eles têm lá quatro bispos. O bispo coadjutor, Dom Aloysius Jin Luxian, tem 96 anos e lidera a Diocese. Ele comanda a diocese no lugar do titular, Dom  Joseph Fan Zhongliang, de 94 anos, mas que não tem mais condições de trabalhar. Enfermo, Dom Fan Zhongliang é reconhecido pelo Vaticano, mas não pelo governo chinês e, portanto, liderou por muito tempo “clandestinamente” as comunidades da igreja de Xangai.

E até agora não apareceu ninguém para suceder Dom Jin Luxian – algo muito raro e uma exceção, pois todos os bispos renunciam aos 75 anos, embora possam ser mantidos por mais um tempo pelo Papa.

Na verdade, o outro bispo auxiliar da Diocese, Dom Joseph Xing Wenzhi, que provavelmente assumiria em seu lugar, também ficou mal com o governo ao se recusar a comparecer a uma ordenação irregular, entre outros motivos. Ele não costuma ser visto. O quarto é o recém-ordenado Dom Ma Daqin, que também poderia assumir a Diocese oficialmente no lugar do idoso Dom Jin Luxian, mas já foi sumido.

A situação de Dom Ma Daqin agora é incerta, mas algo provavelmente será feito pelo governo. Será liberado e retomará suas funções com cautela ou será mantido preso, resultando numa nova ordenação para Xangai. A Diocese é uma das mais importantes da China, com mais de 150 mil católicos batizados, mais de 60 padres e mais de 70 freiras.

Atualizado em 23/08/2012 corrigindo a informação de que Dom Jin Luxian é bispo titular. Embora lidere a diocese, ele é coadjutor.

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Pergunta: Para que serve a Pastoral do Batismo? Como deve atuar?

Embora este blog não tenha como objetivo principal dar orientações pastorais, havíamos prometido fazer o possível para dar algum tipo de resposta às dúvidas enviadas para cá – ao menos parciais. E é isso vamos tentar fazer agora.

A difícil questão abaixo foi enviada pela leitora Ana Paula, que aparentemente é católica:

“Em minha paróquia, muitos pais procuram o batismo por modismo e tradição. Inclusive pais que são de outras doutrinas, como espírita, messiânica e outros. Neste caso, como a Pastoral do Batismo atuaria para não parecer que está negando o Batismo a essas famílias, mas também que consiga exercer o seu papel de defensora desse sacramento? Fico na dúvida entre quantidade e qualidade.”

Como este blog é jornalístico, e não religioso, não pode se arriscar a responder essa pergunta por conta própria. Antes de mais nada, recomendamos à leitora Ana Paula, que procure um sacerdote, de preferência o pároco de sua comunidade, para que possa orientá-la da melhor forma.

O que podemos dizer aqui é que, geralmente, os “Diretórios de Pastoral” de cada diocese costumam dar as orientações necessárias para a celebração dos sacramentos, entre eles o do Batismo. Encontramos na internet, neste link, o diretório da Arquidiocese de Florianópolis, por exemplo. Eles costumam ser bem parecidos.

Entre as orientações, destacamos três que vão ao encontro da pergunta:

27. Os pais e padrinhos sejam despertados, a partir dos encontros de preparação e da celebração do sacramento do Batismo, para um compromisso maior com a vivência cristã dos filhos e afilhados e um engajamento mais concreto na ação pastoral da comunidade, de modo especial nos Grupos Bíblicos em Família.

28. Este sacramento seja entendido como um processo permanente de interligação entre fé e vida, de modo que, a partir dele, brotem expressões de justiça e de igualdade na Igreja e na sociedade civil.

29. A preparação e a celebração do Batismo levem em conta a dimensão ecumênica da unidade entre as Igrejas cristãs, as normas disciplinares e as orientações pastorais da nossa Igreja (CDC, Cân. 869).”

Vale lembrar que, para a Igreja, são os padrinhos os principais responsáveis pela educação do cristão na fé. Já tratamos dessa questão aqui no blog (“Um não católico pode ser padrinho de Batismo na Igreja Católica?“). Os padrinhos precisam ter batismo válido para poderem assumir essa responsabilidade.

Envie você também sua dúvida sobre a Igreja nos espaços para comentários e veja aqui as outras perguntas já respondidas neste blog.

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