Veja por que é tão delicada e perigosa a viagem de Bento XVI ao Líbano

Bento XVI na Jordânia

Está prevista para 14 a 16 de setembro uma viagem apostólica do Papa Bento XVI ao Líbano.

A Santa Sé já confirmou mais de uma vez que a visita vai acontecer, mas são cada vez maiores os rumores de que a viagem pode ser cancelada a qualquer momento. É uma das visitas mais delicadas do pontificado de Bento XVI e vamos tentar explicar de forma simplificada o porquê.

O motivo dessa incerteza é a intensa violência naquela região do mundo, especialmente na Síria, onde rebeldes enfrentam o governo do presidente Bashar al-Assad. O ditador, que sucedeu seu pai e está no poder desde o ano 2000, é a cabeça da mais sangrenta repressão política da atualidade.

O Líbano e a Jordânia têm sido os principais destinos dos refugiados sírios. E, mais do que o problema da Síria, o que vem preocupando a comunidade internacional é a “exportação” dos conflitos para o Líbano.

A tensão na região da fronteira entre os dois países aumenta dia a dia e uma série de confrontos e mortes tem ocorrido já em território libanês. Além disso, as diferenças entre as etnias islâmicas xiita e sunita não respeitam fronteiras. E mais: os partidos políticos estão envolvidos nessa história toda, divididos entre interesses, regiões, influências do exterior, etc. O negócio é complexo.

O objetivo “oficial” da viagem de Bento XVI ao Líbano é apresentar as conclusões de um encontro dos bispos do Oriente Médio, ocorrido em 2010. Mas a esperança é de que o Papa possa levar novamente uma mensagem de paz à região, um apelo à convivência entre diferentes religiões, um pedido à procura do bem comum. E também um alento aos cristãos, minoria perseguida em algumas localidades. De acordo com o site Vatican Insider, fontes da Santa Sé afirmaram que “é importante que os cristãos desempenhem um papel ativo: são um fator de estabilidade e devem continuar a desenvolvê-lo, em um momento de grandes mudanças e de incógnitas para o futuro de toda a região”.

Porém, esta seria a primeira visita do Papa à região após a chamada “Primavera Árabe“, uma onda de protestos que começou em 2010 no Oriente Médio e no Norte da África. Só isso já aumenta o peso dessa visita em relação às anteriores – Bento XVI já esteve na Turquia, na Terra Santa, na Jordânia e no Chipre. Qualquer palavra ou passo fora do programado pode resultar num grande mal-entendido.

Maioria dos cristãos no Líbano pratica o rito oriental Maronita

Outro detalhe importante: o vaticanista americano John Allen Jr alerta para o fato de que a viagem de Bento XVI ao Líbano será um grande desafio à diplomacia papal. Isso porque, embora o Papa tenha pedido diversas vezes o fim da violência na região, o Vaticano até hoje não adotou um posicionamento sobre a ideia da intervenção militar internacional na Síria. Muitos grupos defendem que exércitos de outros países entrem na Síria para derrubar Assad e acabar com o conflito. Mas o Vaticano não tem uma posição clara e ainda considera essa proposta “preocupante”.

Neste contexto, até diferentes grupos de cristãos no Líbano têm posições divergentes sobre a intervenção militar na Síria.

Alguns políticos cristãos são aliados de Assad e outros querem vê-lo bem longe dali, por exemplo. “Quem estiver esperando uma linha clara de Bento XVI sobre a situação da Síria deve ficar decepcionado”, avalia o jornalista John Allen Jr, explicando que o Papa deve se concentrar na questão humanitária e na boa relação entre as religiões.

O problema geopolítico se soma ao problema da segurança do Papa. Mesmo assim, na semana passada o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, afirmou que o papamóvel já está em Beirute. “A preparação para a viagem do Papa ao Líbano prossegue sem incertezas por parte do Vaticano”, declarou.

De qualquer forma, analistas do Vaticano dizem que, se a situação no Líbano piorar, nada impede de que a delicada e perigosa viagem seja repensada.

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