Arquivo do mês: novembro 2012

O atual problema da PUC-SP não é exatamente uma surpresa

Tínhamos em mente uma série de coisas para escrever aqui no blog, mas não podemos deixar de falar do problema atual da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) .

Alunos e funcionários da PUC-SP estão de greve há mais de duas semanas, em protesto contra a nomeação da professora doutora Anna Cintra para a reitoria pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Scherer, que é também o grão-chanceler da PUC e, por isso, tem o direito de escolha com base em uma lista tríplice apresentada por assembleia universitária.

O problema está instaurado, mas não é uma surpresa. Veremos neste post o porquê e qual é o desafio para a Igreja daqui pra frente.

Antes de mais nada, não se sabe ainda se a nova reitora vai assumir. Embora a posse estivesse prevista para sexta-feira, dia 30, hoje o Conselho Universitário da PUC-SP suspendeu a validade da lista tríplice de indicados. A crise lembra muito o problema vivido pela Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP), sobre a qual falamos mais de uma vez neste blog e que perdeu oficialmente os títulos de “Pontifícia” e “Católica” conferidos pela Igreja.

Dom Odilo Scherer, cardeal e grão-chanceler da PUC-SP

O grande impasse na PUC-SP iniciou quando Dom Odilo resolveu nomear a terceira colocada da lista tríplice, coisa que tradicionalmente não acontece. Geralmente, o grão-chanceler costuma apenas confirmar a decisão da assembleia, escolhendo o candidato mais votado – neste caso, o atual reitor, Dirceu de Mello, de 81 anos. Fato é que a decisão do cardeal é legal e está dentro das normas e estatutos da PUC e do Direito Canônico (conjunto de leis que regem o funcionamento da Igreja).

OS DOIS LADOS – O que centenas de alunos, professores e funcionários questionam neste momento é a legitimidade da decisão. Dizem que a Igreja está “interferindo” na autonomia e na democracia da universidade. Em nota que circulou pelos corredores da PUC, os grevistas dizem que “a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP tem adotado medidas antidemocráticas que remontam ao regime autocrático, antes tão combatido”.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, em protesto, com alunos, o diretor de teatro Zé Celso afirmou que o “Vaticano tem de entrar pelo cano” e que o Papa “é um ditador”. Também conforme a Folha, o candidato mais votado, Dirceu Mello, disse que “todos na universidade ficaram decepcionados com esse desfecho”. Acrescentou: “Se eu fosse estudante, estaria procedendo da mesma forma. Os universitários de hoje sabem perfeitamente aquilo que é certo e o que é errado.”

Já os defensores da decisão do cardeal, como o jurista Ives Gandra Martins, dizem que ele tem uma “prerrogativa estatutária, que foi exercida, legal e legitimamente”. Também é interessante este post do filósofo Gabriel Ferreira, que reflete sobre o papel das universidades pontifícias e defende o direito da Igreja de participar da gestão das PUCs. Outro que merece ser lido é o canonista Edson Luiz Sampel, cujo artigo saiu também na Folha. Entre os argumentos, ele menciona que outras instituições universitárias ligadas a religiões, como os presbiterianos, metodistas e judeus, têm direção claramente confessional.

Anna Cintra é da área de Letras

E AGORA? – Nosso foco aqui é o papel da Igreja no Brasil e no mundo. Vale lembrar que por muito tempo a instituição Igreja foi relapsa na condução de algumas universidades pontifícias. E agora, de uma hora para outra, está claro que ficou meio difícil retomar essa participação, embora seja um direito garantido por leis e estatutos.

Simplificando muito uma situação bem complexa: tanto a PUC-SP quanto a PUCP (aquela do Peru) foram expoentes da chamada “Teologia da Libertação”, corrente que se destacou por ser uma interpretação do Cristianismo à luz do Marxismo e, por esse motivo, contrária ao pensamento oficial da Igreja, centralizado em Roma. Num contexto de combate às violentas ditaduras de direita, durante a Guerra Fria, os grupos de esquerda ganharam força nos âmbitos universitário e religioso.

O problema para a Igreja é que, mesmo depois do fim da Guerra Fria, das ditaduras na América Latina e após uma série de mudanças políticas por aqui, aparentemente não houve um esforço real de retomar sua influência ideológica nessas duas universidades. É verdade que houve uma série de reformas e intervenções administrativas (na PUC-SP uma delas para resolver um rombo nos cofres), mas que não mudaram muito a linha acadêmica e o viés político, talvez justamente para não gerar tanto conflito.

Ou seja, em muitas faculdades dessas duas PUCs (talvez de outras mais) quase sempre se destaca a linha que vai contra o ensinamento da Igreja. É normal ver nos corredores e salas de aula da PUC-SP alunos e professores defendendo o aborto, a legalização da maconha e o casamento entre pessoas do mesmo sexo – para citar apenas alguns temas mais controversos. Porém, supostamente, segundo os documentos da Igreja (como a Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae – Sobre as universidades católicas), é missão das PUCs fazer florescer uma “cultura cristã”, de modo que, a rigor, ao menos a linha geral da universidade deveria seguir o que a Igreja ensina.

Dirceu Mello, atual reitor da PUC-SP

O que torna ainda mais semelhante os casos da PUC-SP e da PUCP é que ambos os arcebispos resolveram tomar uma atitude de uma hora para outra. Sem querer julgar se foram decisões certas ou erradas, podemos dizer que em ambos os casos foram bruscas. Tanto Dom Odilo Scherer quanto o cardeal de Lima, Dom  Juan Luis Cipriani Thorne, chocaram a comunidade universitária de suas PUCs porque fugiram do padrão adotado já há algum tempo, no qual aceitavam aquilo que vinha pré-definido. Antes, era só assinar embaixo.

Percebe-se que nas universidades onde a instituição Igreja sempre se manteve presente (como naquelas geridas pelos padres jesuítas, por exemplo, como a PUC-RJ) este tipo de conflito não ocorre. As intervenções não são só comuns e aceitas normalmente, como muitas vezes o reitor é um padre. E as universidades pontifícias muito frequentemente recebem estudantes de outras religiões – e, no caso de Roma, alguns são até convidados oficialmente pelo Vaticano, com bolsas de estudos, para promoverem o diálogo entre diversas correntes de pensamento. Isso flui razoavelmente bem.

Não se sabe ao certo o que vai acontecer agora com a PUC-SP, mas Dom Odilo Scherer não é do tipo que volta atrás em suas decisões. Pode ser que com muito diálogo, mudanças na lista tríplice e eventual renúncia da reitora nomeada, a situação mude um pouco e esse incêndio seja apagado.

Porém, se a Igreja quiser manter certo controle sobre suas universidades precisará em algum momento realizar verdadeiras reformas. Caso contrário, terá de aceitar a realidade atual, na qual o pensamento contrário ao da Igreja é firme e forte dentro de algumas PUCs, e aprender a lidar com toda sorte de reação às suas pequenas intervenções pontuais.

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O voto católico em Obama

Resolvemos propositalmente esperar até o fim de semana para escrever neste blog sobre a reeleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, que ocorreu na última terça-feira (6). Queríamos ver qual seria a reação da mídia católica e dos jornalistas de religião e, como imaginávamos, muito se falou sobre as supostas “incertezas” nas relações diplomáticas entre a Santa Sé e os Estados Unidos. Mas essa não parece ser a grande questão neste momento.

Se o presidente é o mesmo, os partidos são os mesmos, o Papa é o mesmo, a relação continua sendo a mesma: delicada, especialmente no que diz respeito às questões da chamada “defesa da vida”. Já tratamos neste blog da insatisfação dos bispos católicos dos Estados Unidos com a reforma da saúde do governo Obama, que obriga empresas  a fornecerem plano de saúde para seus funcionários (com acesso a anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte e aborto em alguns casos) e sobre a mudança de posição pessoal de Obama a respeito do casamento de pessoas do mesmo sexo. Ele se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos a aprovar o “casamento gay”. Em ambos os casos, as decisões foram fortemente contrárias ao posicionamento oficial da Igreja, o que ajuda a explicar por que a relação está abalada.

A grande questão que precisa ser analisada e estudada por especialistas agora é o fato de que metade dos eleitores que se dizem católicos votou em Obama, ou seja, contra a recomendação dos bispos católicos de seu país. Está na cara que temos aí um conflito. Os bispos americanos vinham insistindo há meses principalmente na questão do direito à vida e à família, criticando qualquer iniciativa do governo Obama em favor do aborto e da contracepção. E, mesmo assim, deu Obama.

Candidato derrotado, Mitt Romney

Mais do que isso, em referendo realizado no mesmo dia da eleição presidencial, eleitores de Washington, Maine e Maryland aprovaram medidas que legalizam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em Maine, apenas três anos atrás os cidadãos haviam rejeitado a mesma emenda. Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, o “casamento gay” foi aprovado em todos os Estados em que foi colocado à prova. E, em Minnesota, uma proposta de proibição para essa união foi rejeitada pela população.

Em outras palavras, mesmo após uma intensa e agressiva campanha dos bispos, muita gente, inclusive católicos, votou em Obama. O que poderia ter causado isso? São várias possibilidades. Mas fato é que vem ocorrendo uma forte mudança nos padrões culturais e comportamentais de muitos países, não só nos Estados Unidos, que vai de encontro ao ensinamento da Igreja, cuja mensagem vem sendo rejeitada por grupos que antes a aceitavam sem questionar muito. São cada vez mais fortes e mais presentes os grupos feministas que defendem o aborto, os grupos de defesa dos direitos dos homossexuais e os ateus engajados, por exemplo. É a tal da “secularização” dando as caras novamente, e com força.

Cardeal Timothy Dolan, de Nova York

Outra forma de se encarar a questão é analisar a maneira como a Igreja vem transmitindo sua mensagem. Fazer a chamada “defesa da vida” com discursos agressivos pode não ser a forma mais eficiente. O sarcasmo, a ironia e as mensagens indiretas podem ser interpretados como arrogância e abuso de autoridade, lembrando a imagem da antiga Igreja que mais reprimia do que acolhia. “Chamar para a briga” num cenário de divisão pode não ser a forma mais inteligente de mobilizar a sociedade.

E é exatamente o que a Igreja tem feito – pedido uma firme mobilização em favor da liberdade religiosa, da defesa da vida e da família. Em editorial, o jornal L’Osservatore Romano afirmou que a Igreja não sai derrotada e que os católicos devem defender o ensinamento da Igreja diante de ideologias politicamente corretas que invadem todas as culturas do mundo e contrariam as bases de nossa sociedade.

O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), Cardeal Timothy Dolan, grande porta-voz da campanha dos bispos contra Obama, disse que eles rezam pelo presidente, mas pediu que Obama busque o bem comum, especialmente cuidando dos mais vulneráveis, “o que inclui os não nascidos, os pobres e os imigrantes”. Segundo Dolan, os bispos católicos vão continuar defendendo “a vida, o casamento e nossa mais querida liberdade, a liberdade religiosa”. Para ele, obrigar católicos a obedecer leis que favorecem a contracepção, por exemplo, é um atentado à liberdade religiosa.

Há que se observar, ainda, que Obama não ganhou a eleição sozinho. Ele disputou contra Mitt Romney, que tem lá suas qualidades e defeitos, e cujo Partido Republicano tem nos assuntos bélicos tradição e gosto mais do que comprovados. Sendo assim, o que pode ser “defesa da vida” para alguns eleitores católicos pode não ser a mesma “defesa da vida” para outros. É uma questão de avaliar qual é a prioridade. E as prioridades mudam.

De qualquer forma, o Papa Bento XVI saudou o presidente eleito, oferecendo suas orações para que Deus o ajude a conduzir suas sérias responsabilidades (o texto da mensagem não foi divulgado). No seu discurso de vitória, Obama disse que volta à Casa Branca mais inspirado e determinado. “O reconhecimento de que temos esperanças e sonhos comuns não acaba com todos os impasses, nem resolve nossos problemas ou substitui o cuidadoso trabalho de construir consensos e assumir compromissos difíceis e necessários para conduzir este país adiante”, declarou.

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O papel e o desafio do leigo na Igreja

Já dissemos que nosso objetivo aqui é apresentar informações e análises sobre a Igreja Católica no mundo e, embora este post não fuja desse foco, excepcionalmente trata também de experiências deste que vos fala. O tema aqui é o papel dos leigos na Igreja e, como jornalista, o autor deste blog é também um leigo: não é padre, não é monge, não é filiado a nenhuma organização religiosa.

Tive a sorte de estar em Roma tanto para a abertura do Sínodo dos Bispos sobre a “Nova Evangelização” quanto para a abertura do chamado Ano da Fé. E a tal “Nova Evangelização” é de fato o assunto do momento.

Resumindo, para a Igreja essa expressão quer dizer resgatar os católicos que se afastaram da fé e levar a mensagem do Evangelho para aqueles que ainda não a conhecem. Num contexto de carência de vocações religiosas, volta a ganhar destaque o fiel leigo.

E o que diz a Igreja sobre a participação dos leigos? Há muita coisa escrita, mas um documento bem claro sobre o tema é a exortação apostólica Apostolicam Actuositatem (“Sobre o apostolado dos leigos”), escrita pelo Papa Paulo VI, em 1965. Desde aquele momento – à luz do Concílio Vaticano II -, já se notava que a presença dos leigos nas atividades da Igreja precisava aumentar. “As condições atuais exigem deles absolutamente um apostolado cada vez mais intenso e mais universal”, diz Paulo VI. “A Igreja dificilmente poderia estar presente e ativa sem o trabalho dos leigos”, acrescenta.

Na missa de encerramento do Sínodo dos Bispos, o Papa Bento XVI observou outro aspecto importante da participação dos leigos na Igreja: o missionário. Ele disse que “é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e fiéis leigos”.

Sínodo dos Bispos sobre a ‘Nova Evangelização’

Durante o Sínodo dos Bispos, um dos apelos mais fortes foi o de que os leigos “sejam protagonistas da nova Evangelização“.

Mas a questão que fica no ar é Como?. Não temos a resposta, mas podemos partilhar algumas experiências de como é difícil alcançar esse objetivo.

Há cerca de um mês estou em Roma para estudar. Além de capital da Itália, a bela e antiga “cidade eterna” abriga o Vaticano, inúmeras igrejas, universidades e institutos pontifícios, prédios oficiais da Santa Sé e de congregações religiosas… enfim, um ambiente muito, muito eclesiástico. É normal por aqui ver freiras e padres por toda parte. E é claro que também há muitos leigos por aqui.

Mas, quando o assunto é “protagonismo”, uma coisa é certa: os leigos são uma imensa minoria.

Em outras palavras, embora as melhores universidades pontifícias estejam em Roma, os supostos novos “protagonistas” estão muito longe daqui. Ainda há um grande espaço entre o que a Igreja pede dos leigos e o que a Igreja oferece aos leigos. Certamente a falta de leigos protagonistas não é falta de vontade dos próprios leigos, mas de incentivo por parte da própria Igreja.

A maioria das instituições católicas que concedem bolsas de estudos para estudantes que pretendem vir a Roma prioriza sacerdotes, seminaristas e religiosos. Pelo que vemos aqui, também as dioceses raramente apostam nos leigos. Geralmente, os bispos temem fazer um investimento alto em alguém que “não tem nenhum vínculo” com a Igreja.

De todos os estudantes leigos que conheci em Roma – algumas dezenas – apenas dois foram enviados oficialmente por seus bispos, com um grande incentivo financeiro e garantia de trabalho remunerado na volta (nestes casos, às vezes o leigo promete, em troca, dedicar-se integralmente a esse trabalho após o período de estudos, ao menos por alguns anos). São casos muito específicos, e geralmente esses leigos retornam para serem professores nos seminários locais.

Entre os poucos leigos que estão em Roma estudando em universidades pontifícias, a maioria foi por conta própria, com recursos próprios e sem nenhuma promessa de cargo. Algumas bolsas de estudos surgem no meio do caminho, isto é, depois que eles já começaram a estudar. Outra dificuldade em Roma é encontrar lugar para morar. Conta-se nos dedos de uma mão o número de residências organizadas para leigos (o chamado “Collegio”).

Missa de abertura do ano acadêmico da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma

Nem mesmo o Vaticano está suficientemente preparado para oferecer o apoio necessário aos leigos. Por exemplo, embora o decreto sobre os instrumentos de Comunicação Social Inter Mirifica diga que “é dever principalmente dos leigos animar com valores humanos e cristãos tais instrumentos, de modo que respondam plenamente à grande espera da humanidade e aos desígnios de Deus”, o Pontifício Conselho para Comunicações Sociais só oferece bolsas de estudos para sacerdotes.

É verdade que, aos poucos, os leigos começam a chegar a cargos de confiança, gerenciando áreas importantes da Igreja em alguns locais – como Finanças e Relações Públicas. Mas, se pensarmos na Igreja como um todo, geralmente os leigos trabalham principalmente como fiéis devotos e voluntários, cheios de boa vontade e vazios de formação e estímulo.

Por outro lado, conversando com estudantes alemães, soube que em algumas dioceses da Alemanha os leigos têm papel essencial. Muitas vezes formados em Teologia, Filosofia, Espiritualidade, Missiologia, etc, leigos são contratados pelas paróquias para servirem como “auxiliares” de pastoral. Portanto, além dos padres, que já se desdobram muito para atender os fiéis com a celebração dos sacramentos, as paróquias têm leigos que recebem um salário para se dedicarem integralmente à evangelização, à catequese, a palestras, retiros espirituais, etc. Também vemos isso em alguns colégios católicos.

Já é um passo enorme a Igreja perceber que o fiel leigo não aparece apenas para responder a missa. Mas passo ainda maior será dado quando os bispos, padres, diáconos e religiosos puderem realmente confiar nos leigos tanto quanto os leigos confiam neles.

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