Arquivo do mês: dezembro 2012

Nossos números em 2012

O  WordPress.com preparou um relatório para o ano de 2012 deste blog. Quem quiser saber quais foram os posts mais visitados, clique aqui para ver o relatório completo. Feliz 2013!!

 

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A mais inusitada mensagem do Papa para o Natal saiu no ‘Financial Times’

Financial TimesÉ comum que o Papa venha a público no período de Natal para transmitir mensagens de fé e de paz no mundo, mas uma específica nos chamou a atenção neste fim de ano: o texto de Bento XVI publicado nas páginas de opinião do jornal econômico britânico Financial Times (FT). O artigo intitulado “Um tempo para os cristãos se engajarem com o mundo” pode ser lido em inglês no site do jornal, mas a tradução do Vaticano para o português está aqui.

Quem acompanha o nosso blog já sabe que o autor tem uma tendência a prestar atenção nos assuntos ligados à economia. Mas por que afinal esse texto nos chamou a atenção? Primeiro, porque é extremamente inusitado que um jornal de finanças publique um texto de um líder religioso, ainda mais falando de um tema tão religioso como o Natal.

Financial Times pediu o artigo a Bento XVI diante do recente lançamento do terceiro livro de sua série Jesus de Nazaré. Trata-se de um dos mais renomados jornais do mundo e talvez o mais lido na área de finanças, com cerca de 2 milhões de leitores. Ou seja, não é um veículo da Igreja que está disposto a ser um porta-voz do Papa. É um grande veículo de comunicação que procurou saber o que o Papa tem a dizer sobre o tema, provavelmente porque acredita que também é do interesse dos seus leitores, e publicou na página de opinião.

Bento XVI na missa da noite de Natal

Bento XVI na missa da noite de Natal

Segundo, porque a forma como foi escrito o texto de Bento XVI é interessante. Ele procura usar uma linguagem próxima aos leitores de economia e finanças. Isto é, desde a primeira frase já fala de dinheiro, que no fim das contas é o que chama a atenção desse público. O Papa inicia com a passagem da Bíblia na qual Jesus diz “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21). Um trecho forte para apresentar a pessoas que trabalham com dinheiro e cujas vidas giram em torno das aplicações, dos números, de rendimentos e riscos.

Segundo Bento XVI, a resposta de Jesus àqueles que o questionavam sobre o pagamento de impostos ao império romano “leva habilmente a questão a um nível superior”, contra a “deificação do poder temporal, e contra a incansável busca da riqueza”. Outro trecho bíblico citado por Bento XVI, é aquele em que Jesus responde a Pôncio Pilatos que seu reino “não é deste mundo”.

É curioso ver esse tipo de mensagem transmitida a um público tão poderoso (e este é o terceiro motivo pelo qual seu texto nos chama a atenção). O pontífice afirma que “o nascimento de Cristo desafia-nos a reconsiderar as nossas prioridades e valores, o nosso modo de viver”. Ele pede uma reflexão profunda e faz uma referência direta à atual crise econômica global: “o que podemos aprender da humildade, da pobreza, da simplicidade da imagem do presépio?”

Ele acrescenta que “os cristãos combatem a pobreza porque reconhecem a dignidade suprema de todos os seres humanos” e que “os cristãos lutam por uma partilha equilibrada dos recursos da terra”. Num primeiro momento, essas expressões podem parecer banais ou apenas mais um discurso do Papa. Mas pensar que isso foi publicado num grande jornal de finanças muda muito o contexto da mensagem.

money273A maior parte dos leitores do FT é de empresários e homens de negócios, investidores, políticos, autoridades. Em outras palavras, aqueles que controlam o poder político e econômico global. Não é muito simples dizer a eles que é necessário haver uma partilha equilibrada dos recursos. Não é fácil dizer ao mercado financeiro, onde o lucro muitas vezes é o principal e único objetivo, que é preciso haver uma “frutuosa colaboração” entre os seres humanos.

Vale recordar que esta não é a primeira vez em que Bento XVI se refere a temas econômicos de maneira bastante firme. Na carta encíclica Caritas in veritate, publicada em junho de 2009 (um dos momentos mais complicados da crise econômica que começou em 2008), o bispo de Roma fala sobre diversos aspectos desenvolvimento humano. Naquele documento, ele observou, por exemplo:

“É preciso evitar que o motivo para o emprego dos recursos financeiros seja especulativo, cedendo à tentação de procurar apenas o lucro a curto prazo sem cuidar igualmente da sustentabilidade da empresa a longo prazo, do seu serviço concreto à economia real e duma adequada e oportuna promoção de iniciativas econômicas também nos países necessitados de desenvolvimento.”

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Aproveitamos para desejar a todos os frequentadores desta Praça de Sales um Feliz Natal e um excelente 2013!

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E o Papa chega ao Twitter…

papa03-teitterA versão em inglês da nova conta de Twitter do Papa Bento XVI, lançada no começo desta semana, já tem mais de 565 mil seguidores e espera-se que até o Natal sejam 1 milhão. Pela primeira vez na História, pessoas do mundo inteiro poderão enviar perguntas ao Papa (@Pontifex) por meio da hashtag #askpontifex, que serão selecionadas e respondidas esporadicamente. O primeiro twit pontifício será enviado em 12 de dezembro. Além das respostas do Papa, serão twittados trechos de mensagens ou discursos de Bento XVI.

Foto usada no perfil @Pontifex

Foto usada no perfil @Pontifex

O mais importante nessa novidade não é tanto a presença do Papa na internet, mas o que ela representa para a Igreja. O pontífice, que tem 85 anos e pouca afinidade com as mídias digitais, não vai ficar twittando o dia inteiro.

E, de acordo com o consultor de comunicações do Vaticano, o jornalista Greg Burke, o Papa não é o tipo de pessoa que fica checando toda hora se recebeu novas mensagens no BlackBerry e nem roda para lá e pra cá com um iPad embaixo do braço – aliás, ele ainda escreve tudo à mão.

Entretanto, já mais de uma vez Bento XVI destacou a importância do mundo digital no processo de evangelização. A mais recente, sem se referir especificamente ao Twitter, mas falando de sites, aplicativos e redes sociais, na mensagem para o 46º Dia Mundial das Comunicações, quando disse que “Breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos”.

Ou seja, se por um lado temos a certeza de que não será o Papa que estará na frente do computador twittando, por outro podemos pensar que essa decisão de estar online é um novo jeito de ver a presença da Igreja no mundo. Nós, que já estamos habituados a usar a internet o tempo inteiro, às vezes não percebemos como pode ser difícil para uma instituição de milhares de anos começar a fazer as coisas de forma diferente. Mais do que isso, pensar na rede como um novo lugar ou algo que já faz parte das vidas das pessoas em seu cotidiano, e não apenas como um meio.

Pe. Spadaro, especialista em novas mídias

Pe. Spadaro, especialista em novas mídias

Segundo o jesuíta italiano Pe. Antonio Spadaro, especialista em mídias digitais e diretor da revista La Civiltà Cattolica, a Igreja deve estar onde as pessoas estão e a chegada do Papa ao Twitter é parte de um processo natural.

“Não se trata de uma mera presença ou de um desejo de protagonismo. Já não há diferença entre a vida on line  e a vida off line, ou seja, aquela dentro e fora da web. Uma parte do cotidiano se desenvolve em rede. E a Igreja, por sua vocação, é chamada a estar onde o Homem se encontra”, explica, em reportagem publicada pelo jornal italiano Avvenire.

Em outras palavras, a chegada do Papa ao Twitter quer dizer que a Igreja pretende estar onde muita gente está. Não seria equivocado relacionar essa estratégia digital com os esforços da chamada “Nova Evangelização” – iniciada por João Paulo II e fortalecida por Bento XVI. Com ela, a Igreja busca resgatar os fiéis cristãos que se afastaram após o Batismo e também se fazer presente nos lugares aonde ainda não chegou.

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