Arquivo do mês: junho 2013

Portas abertas para João Paulo II

Imagem de João Paulo II exposta no dia da beatificação

Imagem de João Paulo II exposta no dia da beatificação, na Praça de São Pedro

A comissão de teólogos que analisa os processos de canonização da Congregação para as Causas dos Santos aprovou o segundo milagre atribuído à intercessão do Papa João Paulo II, informou hoje o site Vatican Insider E a Radio Vaticano confirmou.

De acordo com o site, o segundo milagre teria ocorrido depois da beatificação, realizada em 1º de maio de 2011 pelo Papa Bento XVI, e já havia sido aprovado por uma comissão de médicos da Congregação (relatou há algum tempo o vaticanista Andrea Tornielli).

Agora, as portas estão abertas para que os cardeais e bispos da Congregação se reúnam e decidam os próximos passos. Basicamente, é só apresentar os documentos para o Papa Francisco e sugerir uma data para a cerimônia. Em Roma, há alguns meses há rumores de que a canonização pode ocorrer em 20 de outubro, data de sua eleição ao papado.

Vatican Insider afirma que tudo vem sendo realizado com grande segredo no processo do Papa polonês, que morreu em abril de 2005. Não foram informados, portanto, detalhes sobre o novo milagre. O site se refere apenas à cura de uma mulher. O primeiro milagre foi a cura de uma freira francesa que tinha  Mal de Parkinson (mesma doença que debilitou muito João Paulo II em sua velhice). Segundo a Irmã, a doença teria desaparecido dois meses depois da morte do Papa, após uma sequência de orações para ele.

Se concretizada, a canonização ocorreria em tempo recorde: apenas oito anos depois da morte do “santo”. Desde sua morte, multidões de todo o mundo já gritavam “Santo Subito”, que em italiano quer dizer algo como “Imediatamente Santo”. João Paulo II era extremamente popular e foi Papa por 27 anos. Cerca de 1,5 milhão de pessoas compareceram à Praça de São Pedro, no Vaticano, para participar da missa de canonização.

Por enquanto, João Paulo II é considerado beato. A beatificação é um reconhecimento da Igreja de que a pessoa possui certas virtudes e pode ser oficialmente alvo de devoção e culto dos fiéis em âmbito local, ou seja, em uma determinada região do mundo. Quando a pessoa é considerada “apenas” beata (abençoada), a Igreja ainda não afirma total certeza de que essa pessoa está no céu e que pode intervir na Terra junto a Deus.

A canonização, por sua vez, é um reconhecimento quase que duplo de tais virtudes e, mais do que isso, uma declaração formal da Igreja de que certamente a pessoa canonizada é um santo. Ao canonizar alguém, a Igreja anuncia publicamente acreditar que essa pessoa está no céu, “perto de Deus”. Por isso somente o Papa pode autorizar uma canonização. Portanto, somente a canonização permite a devoção e o culto de toda a Igreja Católica diante do  santo, em todo o mundo.

A partir da canonização é permitido, por exemplo, ter imagens do novo santo em todas as igrejas do mundo que assim quiserem. Podem ser criadas capelas e paróquias dedicadas ao novo santo, conforme o desejo do povo e do bispo local, o que não é possível fazer para um beato.

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‘Fala-se de pobreza, mas estamos pouco com os pobres’, diz bispo argentino

Dom Oscar Ojea Quintana

Dom Oscar Ojea Quintana

Depois que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, relativizou a pobreza no país afirmando que a verdadeira pobreza está no Haiti, o bispo de San Isidro e presidente da Caritas Argentina, Dom Oscar Ojea Quintana, declarou firmemente aos jornalistas: “A situação no Haiti é terrível, dolorosa e extrema; nós a conhecemos bem porque estivemos lá, mas temos que admitir que existe muita pobreza na Argentina.”

Segundo informações da Agência Fides, a declaração de Dom Quintana foi feita na apresentação de uma campanha da Caritas chamada “Principal Objetivo: Pobreza Zero”. O bispo argentino criticou indiretamente o governo dizendo que não se pode esquecer que o país é um dos mais desiguais da América Latina. “A inflação atinge fortemente as categorias mais pobres da população, porque o salário é cada vez mais baixo e não é suficiente”, informa a Fides, acrescentando que, segundo o último estudo do Observatório Social da Universidade Católica Argentina, quase 5 milhões de crianças são pobres e 800 mil são indigentes, “ou seja, não possuem meios para atender suas exigências básicas”.

Há menos de uma semana, Cristina Kirchner minimizou a pobreza na Argentina, que chega a 20% da população. “Quando alguém ouve falar de pobreza, eu o convidaria a conhecer o Haiti. Nem é preciso chegar ao país para ver a pobreza. Vê-se do avião”, declarou a presidente, recordando sua visita ao país.

Encontro entre o então cardeal Bergoglio e o casal Kirchner, em Buenos Aires

Encontro entre o então cardeal Bergoglio e o casal Kirchner, em Buenos Aires

Vale lembrar que um dos temas mais mencionados pelo Papa Francisco desde sua eleição é justamente o da pobreza.

“Ah como eu queria uma Igreja pobre”, exclamou em sua primeira audiência com jornalistas, quando explicou porque escolheu o nome de Francisco, em referência a São Francisco de Assis.

Embora o Papa Francisco tenha recebido amigavelmente a presidente argentina  quando foi eleito, em março, a relação dos dois era bem difícil desde os tempos do governo de Nestor Kirchner, falecido marido de Cristina. 

A Igreja critica uma série de políticas do governo Kirchner, especialmente no combate à pobreza, em economia, defesa da vida e casamento entre pessoas do mesmo sexo.  O ex-presidente chamava o cardeal Jorge Mario Bergoglio (hoje Papa Francisco) de “verdadeiro representante da oposição“. Agora, o discurso de ambos os lados é de diálogo e unidade entre os argentinos.

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‘Estou bem e vivo como um monge’, diz Bento XVI a jornalista alemão

Francisco dá boas-vindas a Bento XVI na residência Mater Ecclesiae, no Vaticano

Francisco deu boas-vindas a Bento XVI na residência Mater Ecclesiae, no Vaticano

O Papa emérito Bento XVI encontrou o jornalista alemão Manfred Lütz por alguns minutos na última semana e afirmou estar bem em sua nova residência, o mosteiro Mater Ecclesiae, localizado dentro do território do Vaticano. Após sua renúncia, anunciada em 11 de fevereiro de 2013, ele declarou que buscaria se esconder do mundo, pois seu vigor “quer do corpo quer do espírito” havia diminuído com a idade avançada. Bento XVI disse que se tornaria apenas mais um “peregrino” no mundo e estaria unido à Igreja em oração, apoiando sempre o novo Papa.

“Eu vivo como um monge e estou bem. Rezo e leio”, teria dito o Papa emérito, conforme o vídeo da agência Rome Reports (veja abaixo). Lütz noticiou seu encontro com Bento XVI no jornal alemão Bild Zeitung. Segundo o jornalista, o Papa está bem mais magro e com postura bastante curvada, mas mantém muito bom humor e total lucidez. O jornal informa, ainda, que Bento XVI manifestou estar totalmente de acordo com o magistério do Papa Francisco, do ponto de vista teológico.

Há cerca de um mês, o cardeal Joachim Meisner, Arcebispo de Colônia (Alemanha), também se reuniu com Bento XVI, ainda na residência de verão, em Castel Gandolfo, e se disse muito surpreso com a perda de peso do Papa emérito. “Ele parecia ter a metade do tamanho. No começo não concordei com sua renúncia, mas quando eu o vi minhas objeções se desmontaram. Mentalmente, no entanto, ele está muito bem, continua o mesmo.”

Alguns jornalistas que cobrem assuntos do Vaticano comentam que a saúde de Bento XVI se deteriorou rapidamente nos últimos dois meses e meio, depois que ele deixou o papado – o que pode ser notado no primeiro encontro entre Bento XVI e Francisco após a eleição do novo Papa. Algumas pessoas da Igreja ponderam que é alarmista especular sobre a saúde do Papa emérito, pois ele está em ótimas condições para uma pessoa de 86 anos.

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Papa Francisco estimula esforços no combate à pedofilia na Igreja

Francisco: Tolerância Zero com a pedofilia

Francisco: Tolerância Zero com a pedofilia

O problema dos abusos sexuais de menores por pessoas ligadas à Igreja Católica existiu e ainda existe. Depois de tantos escândalos em diversos lugares do mundo, felizmente agora há um real esforço de lidar com essa situação da melhor maneira possível. Nos últimos anos, uma série de iniciativas surgiu para minimizar o difícil e doloroso problema dos abusos sexuais na Igreja.

Entre muitos jornalistas que cobrem notícias do Vaticano, é recorrente ouvir que essa era uma das maiores lutas do Papa Bento XVI no fim de seu pontificado. Ele teria enfrentado muita resistência entre pessoas e instituições eclesiásticas para promover uma mudança formal.

Fato é que, nesta semana, o Papa Francisco encorajou o trabalho do Centro para a Proteção dos Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana, uma agência criada após a realização de um simpósio internacional de estudo e sensibilização sobre o problema de abusos de menores por pessoas ligadas à Igreja, em 2012.

Aquele simpósio, histórico por ser a primeira vez em que uma universidade pontifícia se abriu para discutir um tema tão complexo, que é motivo de vergonha para a Igreja e por isso tão delicado – inclusive com a presença de vítimas de abusos, que deram depoimentos – resultou no livro “Rumo à cura e à renovação”, organizado por padres jesuítas e pela Congregação para a Doutrina da Fé. Participaram delegados de 110 conferências episcopais e superiores de 33 ordens religiosas.

No início de 2013, um ano após o simpósio, o padre jesuíta Hans Zollner, responsável pelo evento, entrega os resultados ao Papa Bento XVI

O livro, traduzido em várias línguas, inclusive em português, inclui a Carta Circular para ajudar as Conferências Episcopais na preparação de linhas diretrizes no tratamento dos casos de abuso sexual contra menores por parte de clérigos, um documento de grande importância divulgado em maio de 2011.

Essa carta coloca sobre o bispo diocesano o peso da responsabilidade na denúncia dos casos de abusos sexuai. É dever e obrigação do bispo avisar as autoridades civis e dar suporte às vítimas de abuso sexual. Em alguns países, bispos foram presos por terem sido “cúmplices” de casos de abuso sexual de menores, ou seja, porque não informaram à polícia que um grave crime havia sido cometido.

Também daquele simpósio surgiu uma plataforma de formação à distância (e-learning) para pessoas que queiram se especializar no trabalho de acompanhamento a casos de abusos sexuais dentro da Igreja Católica. O site é aberto: http://elearning-childprotection.com (em inglês). Na ocasião do simpósio, o Papa Bento XVI enviou mensagem pedindo “uma profunda renovação da Igreja”.

Segundo o Papa Francisco, o trabalho do Centro é importante. “Continuem assim”, afirmou ao fim de uma missa celebrada na Casa Santa Marta, onde mora – conforme relata o site Vatican Insider. De acordo com o vaticanista Marco Tosati, do jornal italiano La Stampa, que entrevistou o Pe. Davide Cito, consultor da Congregação para o Clero para a situação dos abusos na Igreja, todos os anos chegam a Roma 400 denúncias de abusos. Inicialmente, vinham principalmente do mundo anglófono, mas agora também da América do Sul, do México, da Europa em geral, como Itália, Espanha e Polônia. Ainda são poucas as denúncias sobre África e Ásia.

“As pessoas são incentivadas a expor a denúncia à autoridade civil”, explicou o padre ao jornalista Tosati, mas muitas vezes as vítimas não querem se expor a tal constrangimento. Enquanto nos casos de abuso “civil” a maioria das vítimas tem idade inferior aos 10 anos (30% do sexo masculino), nos casos que envolvem pessoas da Igreja a idade mais frequente das denúncias se refere a vítimas com de 15 a 17 anos, sendo 90% meninos.

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