Bento XVI vive como um monge e reza todos os dias por cristãos do Oriente

Vida de aposentado (com o Arcebispo Georg Gänswein)

Bento XVI ainda é notícia. Durante visita de patriarcas do Oriente, em 29 de novembro, o Papa Emérito revelou que reza todos os dias pelos cristãos que vivem naquela região. O patriarca caldeu e Arcebispo de Bagdá, Dom Raphael Louis Sako, relatou à agência AsiaNews alguns momentos do encontro, que ocorreu no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, onde Bento XVI decidiu morar após sua aposentadoria.

“Tivemos um encontro amigável. Perguntamos a ele sobre sua saúde e ele nos perguntou sobre o Oriente Médio e a situação dos cristãos orientais”, contou Dom Sako. Segundo ele, os patriarcas brincaram com o Papa Emérito quando o viram: “Santidade, nós viemos do nosso hotel sob chuva, como peregrinos, e por isso merecemos uma bênção especial e uma oração especial pelo Iraque.” Depois disso, Bento XVI teria respondido: “Rezo pelo Iraque, pela Síria e pelo resto do Oriente todos os dias.”

O arcebispo contou, ainda, que convidou o Papa Emérito a visitar o Iraque, mas ele teria recusado o convite, recordando: “Estou ficando velho e sou um monge que decidiu passar o resto de seu tempo em oração e descanso”, relata a AsiaNews. Alguns dias antes, o Papa Francisco teria prometido uma visita ao Iraque, segundo informou o arcebispo à agência asiática.

Um mundo com dois Papas

Para recordar – A última vez em que Bento XVI apareceu em público foi ao lado do Papa Francisco, em julho de 2013, para uma breve cerimônia de consagração da Cidade do Vaticano a São José e São Miguel Arcanjo, com a bênção de uma imagem. Conforme informaram os vaticanistas na época, ele foi convidado pessoalmente por Francisco e, após relutar um pouco, aceitou participar da inauguração da estátua, pois o projeto começou durante seu pontificado.

Mas sua manifestação pública mais recente foi quando, em 24 de setembro, o jornal italiano La Repubblica publicou uma carta-resposta de Bento XVI ao matemático e ensaísta Piergiorgio Odifreddi, que criticou a obra do pontífice emérito sobre a vida de Jesus. No texto, agradeceu a crítica e respondeu aos pontos com os quais discordava. Concentrou-se, portanto, no debate teológico com o autor.

O Papa Emérito, de 86 anos, continua recebendo discretas visitas. O Vaticano procura não falar sobre ele, mas acredita-se que esteja em boas condições de saúde. De qualquer forma, Joseph Ratzinger tem evitado interferir no pontificado de Francisco, como havia anunciado no momento da renúncia. Antes da eleição de Francisco, Bento XVI prometeu obediência ao novo Papa que estava por vir. E, logo no início do pontificado do Papa argentino, observou que “teologicamente” estava de acordo com tudo o que Francisco vinha fazendo. Sobre seu novo estilo de vida, em junho deste ano declarou ao jornalista alemão Manfred Lütz: “Estou bem e vivo como um monge.”

Bento XVI e o então Cardeal Bergoglio, no Brasil

Um mundo com dois Papas – Antes da eleição de Francisco, existia uma grande preocupação entre membros da Igreja e entre a imprensa que acompanha os assuntos do Vaticano a respeito de como seria um mundo com dois Papas. Seriam necessárias novas regras? Novos títulos para o Papa aposentado? Manteria o nome ou voltaria a ser só Joseph Ratzinger? Como ele iria se vestir? Receberia ordens do novo pontífice? Poderia continuar escrevendo livros, dando conferências? Ainda que Bento XVI tenha prometido não intervir, como se sentiria o novo Papa sabendo que seu antecessor ainda estava vivo e presente dentro do Vaticano?

Porém, a situação tem sido muito mais tranquila do que se imaginava. Bento XVI mantém enorme discrição, como anunciado antes. Não aparece sem ser convidado e respeita Francisco desde sempre: “O senhor é o Papa, o senhor é o Papa!”, alertou a Francisco no primeiro encontro dos dois após a eleição, em Castel Gandolfo, quando Bergoglio se recusou a ajoelhar-se em um lugar de honra. Por fim, ajoelhados lado a lado, os dois rezaram juntos.

Por sua vez, Francisco, que já visitou Bento XVI em diversas ocasiões, assumiu com naturalidade que seria pouco inteligente não consultar o Papa Emérito quando necessário. E certamente não avisa antes de telefonar. Afinal, ele é como um “avô sábio”, definiu.

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