Arquivo do mês: setembro 2014

Grupo de cardeais se une para defender doutrina atual sobre divórcio

Cardeal Walter Kasper

Publicamos aqui uma nota nossa que saiu na página 9 do jornal O São Paulo.

O confronto de ideias entre os participantes do Sínodo, desejado e estimulado pelo Papa Francisco, vem crescendo conforme se aproxima a assembleia extraordinária. Um grupo de cinco cardeais se uniu para escrever o livro “Permanecendo na Verdade Cristo: Casamento e Comunhão na Igreja Católica”. Embora o lançamento seja previsto para o mês de outubro, em inglês, a editora Ignatius Press já divulgou um resumo digital.

Cardeal Raymond Burke

O livro é explicitamente uma resposta e uma crítica às ideias do cardeal alemão Walter Kasper sobre a participação de pessoas divorciadas e em segunda união no sacramento da Eucaristia – um dos tópicos mais polêmicos a serem discutidos no Sínodo. Kasper, que é um teólogo reconhecido, autor de um famoso livro sobre a misericórdia divina, afirmou diversas vezes que “o ensinamento de Jesus sobre a indissolubilidade do matrimônio é claro”, mas que é preciso “encontrar uma forma de permitir que as pessoas em segunda união possam participar integralmente da vida da Igreja”.

Ele entende que a Igreja possa, em casos específicos, “tolerar” a segunda união e permitir que os fiéis recebessem a Eucaristia, isto é, que pudessem comungar nas missas. Atualmente, a Igreja convida os fiéis em segunda união a participarem da vida pastoral, mas pede que eles não se aproximem da Eucaristia e realizem apenas a chamada “comunhão espiritual”.

O livro-resposta, organizado pelo padre norte-americano Robert Dodaro, teve contribuições dos cardeais Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Raymond Leo Burke, prefeito da Signatura Apostólica; Walter Brandmüller, presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Sociais; Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha e um dos teólogos mais próximos ao Papa João Paulo II em questões de moral e família; e Velasio De Paolis, presidente emérito da Prefeitura para Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Cardeal Gerhard Müller

Os autores partem da questão difundida pelo cardeal Kasper, de que a Igreja deve criar harmonia entre “fidelidade e misericórdia em sua prática pastoral com pessoas divorciadas que outra vez se casaram civilmente”. Segundo eles, com base na tradição bíblica e dos padres da Igreja, não é possível aderir à “tolerância”.

Portanto, argumentam a favor da manutenção da atual doutrina, fortalecida especialmente pelo papa João Paulo II, que prevê uma relação direta entre o Matrimônio e a Eucaristia. A editora informa que, além disso, “o livro desafia a premissa de que a doutrina católica tradicional e a prática pastoral contemporânea estão em contradição”. E essa é justamente a base dos argumentos dos que pensam como o cardeal Kasper.

Leia aqui a íntegra da edição do jornal O São Paulo

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Cracóvia já entra em ritmo de JMJ

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ, em Roma

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ

Especial para O SÃO PAULO em Cracóvia, Polônia (página 9)

A cerca de dois anos da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a cidade de Cracóvia já começa a traçar uma “estratégia geral” para sediar um dos maiores eventos do mundo. Nas semanas em que O SÃO PAULO esteve na Polônia, no fim de agosto, os principais responsáveis pela JMJ, como o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, cardeal polonês Stanisław Ryłko, viajavam por todo o país para articular questões de logística, acolhimento e pastoral. Assim como na edição de Madri, em 2011, são esperados cerca de dois milhões de peregrinos, o que demanda uma enorme estrutura e ótima organização por parte dos poloneses. Afinal, embora Cracóvia já seja uma cidade histórica, medieval, e cheia de atrativos turísticos, é relativamente pequena: tem menos de 800 mil habitantes.

O grande diferencial da JMJ de Cracóvia deve ser a presença de um expressivo número de jovens do Leste Europeu. “Por causa da distância, a Jornada do Rio de Janeiro (em 2013) foi praticamente inacessível para eles, mas também a anterior, de Madri (2011)”, recordou Aleksandra Szymczak, gerente do departamento de Comunicação da JMJ. Na ausência do novo secretário-geral, o padre polonês Grzegorz Suchodolski, foi ela quem conversou com a reportagem em nome do comitê organizador. “Agora, sendo a JMJ na Polônia, é uma oportunidade única.”

Aleksandra explicou que um programa chamado “Bilhete para o Irmão” vem sendo promovido para arrecadar fundos e bancar a viagem dos peregrinos de Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Uzbequistão. São nações que pertenceram à antiga União Soviética e ainda apresentam nível de desenvolvimento mais baixo do que a Europa Ocidental. “O programa permitirá comprar os ‘kits de peregrino’ para eles (mochilas, livros de oração, camisetas, chapéus e objetos religiosos).” Procuram-se patrocinadores que queiram ajudar e, além disso, voluntários da JMJ têm realizado campanhas de arrecadação nos grandes santuários da Polônia, como o da Divina Misericórdia e o de João Paulo II, ambos em Cracóvia, e o Santuário de Nossa Senhora de Częstochowa.

Novo site em 8 idiomas – Pela primeira vez o site oficial da Jornada (www.krakow2016.com) será traduzido para o idioma ucraniano, além das outras sete línguas oficiais (inglês, espanhol, português, francês, italiano, alemão e polonês). “Estamos em momento de preparação do novo site e daqui a dois meses esperamos concluí-lo já com todas as línguas oficiais, inclusive português, que atualmente não funciona”, afirmou Aleksandra. A novidade se deve, primeiro, à proximidade geográfica da Polônia com a Ucrânia. Um grande grupo de ucranianos se prepara para ir à JMJ. E, também, aos confrontos recentes na Ucrânia, ligados à força política e militar da Rússia. A Igreja tem procurado dar grande apoio espiritual aos fiéis daquela região.

Uma cidade em obras – Cracóvia está rodeada de canteiros de obras, como para ampliação do aeroporto e expansão de estradas. Embora sejam úteis para a JMJ de 2016, Alesksandra ponderou que essas obras públicas não têm relação direta com o evento. “Nos últimos 15 anos, estamos em obras constantemente na Polônia. São mudanças que melhoram a vida diária dos poloneses, principalmente desde que entramos na União Européia (em 2004)”, disse. De qualquer maneira, “a Jornada será beneficiada, e pode ser que as obras sejam intensificadas por causa da Jornada”, mas são sempre os governos que as colocam em prática.

No que depende da organização da própria JMJ, está pendente a escolha do local onde serão realizados os atos centrais (as missas de abertura , encerramento e a cerimônia de acolhida do Papa). Aleksandra confirma que o campo de Błonia, na área menos urbana de Cracóvia, será usado. “É quase certo que os três atos centrais serão celebrados nesse campo, onde aconteceram todos os encontros com João Paulo II em Cracóvia. No entanto, para a missa de envio ainda estamos pensando, junto ao Vaticano e aos serviços de segurança da Polônia, se Błonia é mesmo o lugar mais adequado.” Considerando que os peregrinos costumam passar toda a noite em vigília de oração antes da última missa, a decisão requer atenção redobrada para evitar erros de planejamento observados no passado.

Enquanto esperam, os fiéis poloneses rezam pelo bom andamento da JMJ. “Já temos vários programas de preparação espiritual na Polônia”, comentou Aleksandra. Nos dias 26 de cada mês, grupos de jovens se reúnem para rezar pela organização. Outra iniciativa é envolver pessoas com problemas de saúde, pedindo-as que rezem pelo maior encontro de jovens do mundo. “Queremos mostrar que elas são necessárias para a JMJ, que não só precisam de ajuda, mas que nós precisamos delas.”

Segundo Aleksandra, a expectativa é de que peregrinos de todo o Brasil possam participar da JMJ de Cracóvia, especialmente depois que o Rio de Janeiro sediou o encontro. “Esperamos os brasileiros e já temos vários voluntários que querem vir do Brasil. Por causa da experiência e da alegria dos brasileiros, estamos esperando!”

Leia aqui a edição completa do jornal O São Paulo

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