A maior missa papal da história

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado na página 16 do jornal “O São Paulo”, em janeiro de 2015

Uma multidão de seis a sete milhões de pessoas participou da missa celebrada pelo Papa Francisco no último domingo (18) em Manila, nas Filipinas. O pontífice realizou uma visita de cinco dias ao país asiático, depois de passar também pelo Sri Lanka. O número de pessoas na missa, divulgado pelas autoridades locais, é o maior já registrado na história dos papas – supera, inclusive, a missa celebrada por João Paulo II no mesmo parque, chamado Rizal, em 1995, durante a Jornada Mundial da Juventude. Nas Filipinas, 86% da população de 100 milhões de pessoas se diz católica.

Em sua homilia, Papa Francisco voltou denunciou os problemas sociais. Para ele, a distorção da criação divina pelo ser humano construiu “estruturas sociais que tornaram permanente a pobreza, a ignorância e a corrupção”. No dia da celebração do Menino Jesus – terceiro domingo de janeiro –, ele comentou a importância de “proteger as nossas famílias, aquela maior família, que é a Igreja, família de Deus, e o mundo, nossa família humana”. Segundo o Papa, “hoje a família precisa ser protegida de ataques traiçoeiros e de programas contrários a tudo o que consideramos verdadeiro e sagrado”. Cada criança precisa ser vista como “um dom a ser acolhido, amado e protegido”, disse, e os jovens precisam de esperança.

O frequente apelo do papa por justiça social torna a figura de Francisco muito popular nas Filipinas, o que ajuda a explicar o porquê de tanta gente nos eventos. Um quarto da população do país vive em situação de extrema pobreza, com menos de US$ 1,25 por dia (pouco mais de R$ 3,00). “Aqui nas Filipinas, inúmeras famílias ainda sofrem por causa dos efeitos dos desastres naturais. A situação econômica fez com que famílias fossem separadas pela migração e pela busca de emprego, e os problemas financeiros atingem muitos lares”, lamentou o papa em encontro com o presidente filipino, Benigno S. Aquino III, assim que chegou.

Lágrimas – De fato, a dor do povo filipino foi o principal motivo para que Francisco tomasse pessoalmente a decisão de visitá-los. Quando o tufão Haiyan matou 6,3 mil pessoas e deixou mais de mil desaparecidas, em novembro de 2013, o papa teve a certeza de que precisava ir às Filipinas. “Naquele dia, eu senti que deveria estar aqui”, declarou, na missa celebrada no dia 16 de janeiro em Tacoblan, local mais atingido pelo desastre. “Estou aqui para estar com vocês. Um pouco atrasado, reconheço, mas estou aqui.”

A forte chuva e o vento de 100 km/h levaram o papa e os concelebrantes a usar capas de chuva de plástico, as mesmas distribuídas para o povo. Em clima de profunda emoção, ele admitiu não ter grandes respostas para um momento de tanta dor: “Não sei o que dizer a vocês. Muitos de vocês perderam parte de suas famílias. Tudo o que posso fazer é manter o silêncio. Caminho com todos vocês, com meu coração silencioso.”

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