Centenário do genocídio armênio serve de alerta à humanidade, diz Papa

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado na página 9 de “O São Paulo”, em abril de 2015

Patriarca de Cilicia dos Armênios Católicos, Nerses Bedros XIX Tarmouni, e Papa Francisco

Sem usar meias palavras durante missa na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco recordou o centenário do massacre de armênios pelo Império Otomano durante e depois da Primeira Guerra Mundial. Chamando o assassinato de mais de 1 milhão de pessoas de “genocídio”, expressão rejeitada pelo governo da Turquia, o pontífice afirmou que “fazer memória do que aconteceu é um dever não só para o povo armênio e para a Igreja universal, mas para a inteira família humana, para que o alarme que vem dessa tragédia nos livre de recair em horrores parecidos, que ofendem a Deus e à dignidade humana”.

A rigor, a celebração recordou o “martírio” armênio e, durante a missa, o papa proclamou “doutor da Igreja” São Gregorio di Narek. A cerimônia foi concelebrada pelo patriarca de Cilicia dos Armênios Católicos, Nerses Bedros XIX Tarmouni, na presença de outros líderes religiosos da Igreja armênia: Karekin II, supremo patriarca e catholicos de todos os armênios, e Aram I, catholicos da Grande Casa de Cilicia. A Igreja armênia tem sua origem ligada às viagens dos apóstolos Judas Tadeu e Bartolomeu e surgiu oficialmente em 301, antes mesmo que o Império Romano se tornasse oficialmente cristão, mais de dez anos depois.

“Não existe uma família armênia ainda hoje que não tenha perdido naquele evento algum dos seus caros. Realmente aquele foi o ‘Metz Yeghern’, o ‘Grande Mal’, como chamaram aquela tragédia”, afirmou o Papa em mensagem ao povo armênio.

Impasse diplomático – Citando o Papa João Paulo II, Francisco declarou que “geralmente, esse trágico evento é definido como o primeiro genocídio do século XX”. A utilização da palavra “genocídio” pelo pontífice causou grande insatisfação no governo da Turquia, atualmente de origem otomana. A nação chamou de volta o embaixador junto à Santa Sé para “consultas”, um gesto que em relações internacionais é a manifestação de constrangimento.

O embaixador, Kenan Gursoy, afirmou à rede de TV norte-americana CNN que a Turquia ainda mantém relações diplomáticas com o Vaticano, mas a decisão do Papa de repetir a palavra “genocídio” foi unilateral. Para os turcos, o número de 1 a 1,5 milhão de mortos em 1915 e 1916 é exagerado e muitas delas se deveram aos conflitos em guerra, e não a um assassinato massivo com o objetivo de exterminar uma etnia. Oficialmente, o genocídio armênio foi reconhecido por cerca de 22 países, entre eles Itália, França, Alemanha, Rússia, Canadá e Argentina. Alguns países, como Estados Unidos e Israel, não utilizam a expressão.

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Arquivado em Cristianismo, Igreja no Mundo

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