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Por que o Papa Francisco vai à Albânia?

Publicamos aqui no blog um trecho e o link de nossa análise que saiu no jornal O São Paulo, buscando entender os motivos da decisão do Papa Francisco de visitar a Albânia.

A primeira viagem do Papa Francisco dentro da Europa será para a Albânia, um pequeno país no Sudeste europeu. Com cerca de 3,2 milhões de habitantes, a Albânia é menor do que muitas cidades brasileiras – São Paulo é quatro vezes maior –, o que faz pensar: por que Francisco vai à Albânia? Quando anunciou a viagem de um dia à capital Tirana (no Ângelus de 15 de junho), o Papa justificou: “Desejo confirmar na fé a igreja da Albânia e testemunhar o meu encorajamento a um país que sofreu por muito tempo como consequência das ideologias do passado.” A vaticanista de longa data Joan Lewis, norte-americana que trabalha para a emissora católica EWTN e para o site Vatican Insider, do jornal italiano La Stampa, costuma dizer que a essência do pontificado do Papa Francisco pode ser resumida em três letras “P”: Pessoas, Pobreza e Paz. Talvez essa simplificação ajude a entender os motivos da viagem à Albânia.

Pessoas – Quando falou das “ideologias do passado”, Francisco se referia ao fato de que a Albânia foi, nas últimas décadas, um país marcado por forte  opressão política e social. A região foi ocupada pela Itália fascista e pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, viveu um longo e rígido governo comunista, de 1967 até o início dos anos 1990. Com o fracasso do comunismo, dezenas de milhares de albaneses atravessaram o Mar Adriático e fugiram para a Itália em barcos de pesca ou balsas improvisadas. Até hoje são muitos os imigrantes albaneses na Itália, onde formaram família, arranjaram trabalho, e, mesmo com dificuldades, construíram suas vidas. O bispo de Roma, na Albânia, vai ao encontro de muitos que não tiveram a mesma chance.

Clique aqui para ler o restante do texto, que você encontra na página 10 da edição digital do jornal.

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Arquivado em Igreja, Vaticano

O Adeus a Bento XVI e a ‘Sede Vacante’

popelas-23Às 20 horas desta quinta-feira, no horário de Roma (16 horas em Brasília), Bento XVI encerrou seu pontificado. Um Papa que renunciou e entrou para a História. Começou hoje a chamada sede vacante, período em que a Igreja Católica fica sem um Papa, e um novo pontífice deve ser eleito nas próximas semanas pelos cardeais com menos de 80 anos.

Como disse um comentarista da TV italiana TelePace durante a transmissão da viagem de helicóptero do Papa rumo a Castel Gandolfo – onde ele ficará até que seja reformado e adaptado o mosteiro onde viverá definitivamente no Vaticano -, Bento XVI viveu os últimos dias de seu pontificado como se tudo fosse muito normal. “É um Papa que transformou o extraordinário em ordinário”, afirmou o comentarista, cujo nome infelizmente não consegui pegar.

Apesar de turbulento por causa dos problemas que vivem a Igreja e a Cúria Romana nos últimos anos, em termos práticos o fim do pontificado de Bento XVI correu tranquilamente. No Vaticano, era normal ver os peregrinos visitando a basílica e os museus logo nas semanas após a renúncia. A grande movimentação começou apenas nos eventos finais e pontuais, especialmente na última oração do Ângelus, rezada no domingo 24 de fevereiro, e ontem, na última audiência geral. Mais de 100 mil pessoas foram para a Praça de São Pedro para se despedir do Papa em cada uma dessas ocasiões. Muitos jovens.

Mesmo assim, o transporte público e a segurança funcionaram bem, pois tudo foi muito planejado. Nos escritórios, tudo normal na medida do possível, todos trabalhando nos horários regulares e esperando os eventos especiais que sucederiam o anúncio da renúncia. Enfim, um final muito preparado e organizado. Até na saída do palácio papal, as pessoas que se despediriam do Papa o aguardavam no pátio, como se ele fosse apenas fazer uma viagem corriqueira.

Site do Vaticano mudou a homepage após o fim do pontificado

Site do Vaticano mudou a homepage após o fim do pontificado

De fato, Bento XVI transformou o extraordinário em ordinário. Durante suas últimas orações e missas públicas, ele destacou a liturgia e a mensagem que queria passar, deixando a renúncia e seu momento pessoal em segundo plano. Apenas na última audiência geral, ontem, falou com profundidade e sinceridade sobre o que sentia ao deixar o papado. Declarou que em certos momentos temeu ter sido abandonado por Deus, mas que no fim sempre o reencontrou pelo caminho. “Amar a Igreja significa ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas, tendo sempre diante de si o bem da Igreja e não a si próprio”, afirmou.

Se nas últimas décadas os católicos estavam habituados a se despedir de um Papa com um velório, desta vez foram várias as oportunidades, com um Papa cansado, é verdade, mas muito vivo. A despedida foi lenta, nostálgica, mas alegre. Sim, o extraordinário virou ordinário. E as últimas palavras públicas de Bento XVI, aquelas que marcam o encerramento do pontificado, na verdade poderiam ter sido as mesmas de qualquer outro momento. Poderiam ter sido ditas em qualquer dia ordinário: “Obrigado! Boa noite! Obrigado por tudo.”

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