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O aumento no número de católicos e o que isso quer dizer na prática

Entre os anos de 2009 e 2010 aumentou em 1,3% o número de pessoas católicas no mundo, de acordo com o Anuário Pontifício de 2012, estudo que detalha as estatísticas da Igreja Católica no mundo, divulgado hoje.

Podemos tirar algumas conclusões fáceis dos números divulgados. A primeira é a de que o número de fiéis católicos não diminuiu globalmente, como muitos querem crer. Mas esse aumento tampouco significa que o Catolicismo está se expandindo: a proporção dos católicos na população mundial permaneceu em 17,5%, pois ela também cresceu.

A proporção de católicos praticamente se manteve em todas as regiões do mundo: teve queda modesta na América do Sul (de 28,54% para 28,34%)  e na Europa (de 24,05% para 23,83%); e ganhos marginais na África (de 15,15% para 15,55%) e no sudeste asiático (10,47% para 10,87%). É importante notar aí que o número de católicos não reflete necessariamente a influência da Igreja Católica no mundo. Isso pode variar de região para região, de cultura para cultura. Além disso, muitas pessoas se dizem católicas e na verdade sequer vão à igreja nem rezam o “Pai Nosso”.

Por esse motivo vale destacar um outro número que dá uma visão melhor da coisa, que é o de sacerdotes. Desde o início da pesquisa, em 2000, houve um aumento quase que constante nesse número, apesar da suposta “crise das vocações”. Em 2010, eram 412,24 mil padres no mundo ante 410,59 mil em 2009. Essa elevação se deu principalmente entre os padres diocesanos, isto é, aqueles que são ligados diretamente às dioceses, e não a congregações religiosas (beneditinos, agostinianos, franciscanos, jesuítas, etc).

Está claro que há menos vocações do que uns 20 ou 30 anos atrás, embora não tenhamos o dado comparativo, mas a redução das vocações tem ocorrido principalmente no clero religioso, e não tanto no clero diocesano. A explicação aí pode ser a de que geralmente os padres diocesanos têm um pouco mais de independência e liberdade em relação aos padres religiosos, pois não fazem votos de pobreza, castidade e obediência – um estilo de vida talvez menos atrativo no mundo atual. Os padres diocesanos assumem  o compromisso do celibato, mas não fazem votos. Por outro lado, podem ter uma vida mais solitária do que a dos religiosos, que vivem em comunidade, e têm de organizar o próprio orçamento (por isso muitos são até mais pobres).

De qualquer forma, o mais curioso é ver a oscilação das vocações sacerdotais nos continentes. Na Ásia, houve aumento de 1,7 mil padres; na África, de 765 padres; na Oceania, de 52 padres; nas Américas, de 42 padres; já na Europa, em um ano houve queda de 905 no número de padres. Embora haja muito mais padres na Europa do que em outros lugares do mundo, fica evidente a tendência inversa àquela vista séculos atrás, quando os europeus saiam para catequizar o mundo. É cada vez mais provável que os outros continentes enviem mais e mais “missionários” para a Europa, onde o clero é envelhecido e há poucas novas vocações.

Vale notar, ainda, que houve um leve aumento no número de homens religiosos não ordenados (frades, monges ou irmãos leigos), de 54,23 mil para 54,67  mil, contrariando a tendência de queda vista em anos anteriores. As elevações mais significativas ocorreram na Ásia, de 4,1%, e na África, de 3,1%.

Já entre as religiosas, a “crise” de vocações é forte e vem se confirmando há alguns anos. De 2009 para 2010, passou-se de 729,4 mil mulheres para 721,9 mil. Essa queda foi maior na Europa (2,9%). E, de fato, conheço congregações que têm uma ou nenhuma aspirante à vida religiosa na Itália, berço da maioria delas. Também houve retração na Oceania (2,6%), além das Américas (1,6%). Porém, na África e na Ásia houve aumento de 2%. Outra vez, são os novos missionários.

A Igreja vê com preocupação a situação das vocações religiosas, mas ao mesmo tempo não sabe direito até que ponto isso é um problema, pois entende que, da mesma forma em que o mundo muda, muda a dinâmica das vocações. Além disso, a vocação é considerada um chamado de Deus ao qual a pessoa responde “sim”, de modo que interferir nisso não depende só da Igreja. Depende no que diz respeito a permitir que o vocacionado perceba esse chamado. Para isso, tem de ser mais eficiente no trabalho vocacional.

Entretanto, para compensar um pouco, há algumas décadas cresce a atuação dos leigos, sua presença em posições de liderança pastoral e nas missões. Isso ocorre inclusive em áreas antes exclusiva aos religiosos, como a saúde e a educação, por exemplo, o que fica claro diante do surgimento de cada vez mais novos grupos de pessoas que não atuam na Igreja por meio do sacerdócio ou da vida religiosa, mas como voluntários ou mesmo profissionalmente.

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Canto gregoriano no Mosteiro de São Bento

Estive hoje no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde a missa é celebrada todos os domingos às 10 horas com canto gregoriano em latim. Além de uma atração turística, esse mosteiro é um dos poucos lugares acessíveis onde se pode encontrar com facilidade o canto gregoriano.

Esse estilo musical perdeu um pouco de presença nas igrejas desde o Concílio Vaticano II (1962-65), quando a Igreja determinou que as missas deveriam ser celebradas na língua de cada país, e não mais em latim. Mas ainda é considerado bastante tradicional e, sem sombra de dúvidas, um dos mais bonitos de se ouvir.

Trata-se de um estilo em que todos os cantores entoam juntos uma só voz. Não há uma combinação de diferentes tons de vozes como num coral comum. Pode ser acompanhado pelo órgão ou ser cantado sem o auxílio de instrumentos, “à capela”. Aqui dá pra ouvir as músicas que os monges cantaram hoje.

A origem deste tipo de canto está nos antigos salmos judaicos. Diz-se que os primeiros cristãos, que nasceram judeus e só depois passaram a seguir Jesus Cristo, já estavam acostumados a cantar os salmos nas sinagogas daquele jeito. Depois da conversão ao Cristianismo continuaram cantando da mesma forma, mas mudando algumas letras e os temas das canções. Segundo o site Gregoriano.org.br, isso aconteceu entre os séculos I e VI, e o auge do estilo ocorreu na Idade Média.

O nome do canto gregoriano se refere ao Papa Gregório Magno (Gregório I), que governou a partir do ano 590 e liderou a organização dos cantos em dois livros – até então estavam todos dispersos. Também criou uma escola de canto gregoriano, a Schola Cantorum.  Ele era monge e admirava muito a figura de São Bento. E há cerca de 150 anos os monges beneditinos vêm recuperando em todo o mundo a tradição dos cantos gregorianos.

Aqui tem mais informações sobre o Mosteiro de São Bento e os arredores. Vale conhecer. Ah, mas chegue cedo se quiser sentar. Hoje às 9h30 já não havia bancos livres.

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