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Três pontos importantes sobre a viagem do Papa Francisco ao Brasil

O pontificado do Papa Francisco pode ser dividido entre antes e depois da viagem ao Brasil. A viagem para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), entre 22 e 28 de julho, já é considerada o fato mais importante de seu pontificado até agora. Poderíamos analisar muitos aspectos dessa viagem: cada mensagem e cada discurso carregam um profundo conhecimento sobre o que é a Igreja e sobre os problemas da atualidade.

Porém, queremos destacar neste post apenas três pontos que consideramos essenciais nessa discussão. São três aspectos dessa viagem que, a nosso ver, não podem ser ignorados por ninguém que queira entender algo sobre a importância da visita do Papa ao Brasil. Dividimos em tópicos para facilitar sua leitura.

1) Um marco para o pontificado – Em sua primeira “viagem apostólica”, o primeiro Papa latino-americano viajou para o maior país da América Latina. Coincidência ou Providência Divina, a viagem já havia sido marcada pelo seu predecessor, o agora Papa Emérito Bento XVI. Enquanto esteve no Brasil Francisco teve a oportunidade de falar para diversos grupos sociais: os jovens, as autoridades políticas, os padres e bispos, os pobres, as famílias, os idosos, os artistas, os dependentes químicos…

Mais do que isso, Francisco tratou de praticamente todos os temas que a Igreja pretende apresentar à sociedade, inclusive os polêmicos. Diversas vezes pediu uma “Igreja que caminha” com as pessoas; uma Igreja que é mãe e que “abrace” os seus filhos, especialmente os que sofrem mais, numa “cultura do encontro”; pediu que a Igreja vá às periferias do mundo e aos jovens, que deixem “Cristo e sua Palavra entrarem” em suas vidas, sendo verdadeiros discípulos em missão. Disse que jovens e idosos estão condenados ao mesmo destino: a exclusão. “Não se deixem descartar”, alertou.

Não deixou de responder a perguntas de jornalistas sobre os escândalos na Cúria Romana e no banco do Vaticano (IOR), disse que a ordenação de mulheres para o sacerdócio é um “assunto encerrado” e reiterou que seu posicionamento nas questões do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo da Igreja. “Sou filho da Igreja”, lembrou. Ganhou as manchetes dos jornais, porém, quando disse que “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, pra julgá-la?”. Como disse o vaticanista John Allen Jr, Francisco é provavelmente “O Papa da Misericórdia“, pois essa é a mensagem principal que deseja transmitir.

Talvez um dos discursos mais contundentes, porém, tenha sido aquele que fez aos bispos representantes da América Latina e do Caribe, quando praticamente traçou uma espécie de “plano de governo”. Disse que na América Latina “estamos muito atrasados” e apontou todos os problemas da Igreja na região – mas ao mesmo tempo falando para o mundo inteiro. Criticou os padres e bispos “de sacristia” e pediu que a Igreja vá para as ruas. “Serve uma Igreja que, na sua noite, não tenha medo de sair.”

643952_660864050607629_996257171_nFoi no Brasil que Francisco disse ao mundo com todas as palavras a que veio. Desde sua eleição, embora ele já estivesse muito ativo e muito presente na mídia internacional, havia ainda muitas dúvidas sobre seu posicionamento, sobre seu entendimento a respeito dos problemas da Igreja, sobre o que planejava fazer em seu pontificado. As revelações vinham a conta-gotas em suas homilias diárias na Casa Santa Marta, onde mora, nas audiências públicas, nas orações do Angelus… Mas quando veio ao Brasil, Francisco falou claramente e não deixou mais dúvidas a respeito do que pensa sobre os mais diversos assuntos.

2) Uma mudança de tom e de estilo, mas não de conteúdo – Também foi no Brasil que Francisco esclareceu: veio para reformar muitas coisas, principalmente as estruturas e os comportamentos que estão errados. Mas também veio para manter e fortalecer outras coisas, como os ensinamentos da Igreja e (como bom jesuíta) seu espírito missionário. Embora ele seja nitidamente diferente de seu antecessor em vários aspectos, as mensagens dos dois estão em completa sintonia.

É verdade que Francisco é mais carismático, mais próximo do povo, mais sorridente, mais simples, talvez até mais objetivo que Bento XVI. Porém, suas mensagens se baseiam na mesma compreensão de mundo, aquela da Igreja. Por exemplo, na questão sobre os homossexuais, quando declarou que eles devem ser acolhidos pela Igreja e inseridos na sociedade, está praticamente repetindo o que diz o Catecismo da Igreja Católica. Não é uma coisa nova. Mas há sim um coisa nova quando diz “Quem sou eu para julgá-los?”. Aí temos uma mudança de tom e de estilo. Temos um Papa que não se vê na posição de julgar os outros e que, em Roma, já havia dito: “também sou pecador” e “sou igual a todos vocês”.

Nesse mesmo sentido, Francisco deixou claro desde o início que pretende ser mais “colegial”, ou seja, quer dividir suas responsabilidades com os outros bispos, que trata como seus colegas – esse é um dos motivos pelos quais destaca o Papa como “bispo de Roma”. Diz-se que o Papa é o primeiro entre iguais e ao assumir isso ele está mais acessível aos outros bispos. Uma mudança no estilo de governo.

O conteúdo de seus ensinamentos, porém, está em continuidade com os antecessores. Uma forte evidência disso é o fato de que Francisco praticamente só assinou a última encíclica de Bento XVI, Lumen Fidei (Luz da Fé), dando alguns retoques. Ele quis mostrar nesse gesto que os dois estão em total sintonia. Igualmente, Bento XVI também já afirmou que teologicamente está de acordo com tudo o que diz e faz o Papa Francisco.

3) A mídia e o Papa – É curioso notar a nova relação que se estabeleceu entre o Papa e a mídia internacional. Nossos colegas jornalistas (falando de modo geral) costumam ter uma abordagem predominantemente negativa a respeito da Igreja, tratando-a como uma instituição atrasada e conservadora, retrógrada, parada na Idade Média ou algo do tipo. Porém, Francisco desde o início foi capaz de, se não mudar, pelo menos amenizar isso e a cobertura da imprensa (de novo, falando de modo geral) foi muito positiva para a Igreja.

Francisco foi quase sempre descrito como um homem inteligente, carismático, simpático, carinhoso, próximo ao povo e, acima de tudo, humilde. Francisco não é bobo, e sabe a importância de tornar públicos os gestos que fortaleçam essa imagem (lembre-se de quando ele, após sua eleição ao papado, voltou para pagar a conta no hotel onde havia ficado quando cardeal, “para dar o exemplo”). Mas ao mesmo tempo, não está fingindo e não faz isso só para agradar. Esse é o verdadeiro Francisco. Aliás, esse é o verdadeiro Jorge Mario Bergoglio, basta conversar com qualquer um que o conhecesse pessoalmente em Buenos Aires.

“Esses leões não são assim tão ferozes”, disse o Papa na viagem de ida ao Brasil, respondendo a uma jornalista que havia dito algo como “o senhor foi colocado na jaula dos leões”, referindo-se ao grupo de jornalistas que viaja junto com o Papa no avião. Naquela viagem, Francisco pediu que os jornalistas o ajudassem a levar uma mensagem de esperança ao mundo e, na volta, elogiou o trabalho deles. Os jornalistas, por sua vez, pareciam encantados com um Papa que não só deu entrevistas, como o fez por mais de uma hora e respondeu a todas as perguntas, sem fugir do tema. Além disso, o Vaticano já está bem mais treinado no relacionamento com a mídia, principalmente por meio do porta-voz, Pe. Federico Lombardi.

A viagem de Francisco ao Brasil mostrou, mais uma vez, como é cada vez mais importante que os Papas saiam do Vaticano e viajem pelo mundo. Muitas das coisas que o Papa falou no Brasil ele já havia falado em Roma – como quando disse que sem sair às ruas a Igreja vira uma ONG, por exemplo. Mas o fato de ele estar fisicamente no Brasil fez com que quase toda a mídia brasileira parasse para ouvi-lo e, consequentemente, todo o povo, até os não católicos.

A imagem do Papa Francisco ficou escancarada na imprensa por uma semana. Assim, muitas de suas mensagens que não haviam chegado ainda àquele público, por fim chegaram. É de se esperar que daqui para a frente, mesmo de volta ao Vaticano, Francisco continue chegando às casas das famílias brasileiras pelos meios de comunicação. Afinal, parece mesmo que “esses leões não são assim tão ferozes”.

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Visita do Papa Francisco ao Brasil

20130729_600O portal G1 fez um bom infográfico com a agenda da visita do Papa Francisco ao Brasil, a primeira viagem apostólica de seu pontificado. A Rádio Vaticano vai transmitir todos os eventos abertos na internet, e você pode acompanhar por meio desse link.

A grande preocupação das autoridades e dos organizadores neste momento se refere à segurança do Papa e dos peregrinos, especialmente num momento em que o país passa por uma onda de protestos, alguns deles violentos. O governo e o próprio Papa estão confiando, entretanto, no caráter pacífico dos eventos.

A viagem de Francisco ao Brasil está despertando a atenção da imprensa internacional e o Papa virou capa de diversas publicações internacionais, entre elas a famosa revista americana “Time”. A reportagem de capa, de Howard Chua-Eoan, diz que Francisco está “redefinindo o papado com humildade e candura”, questionando: “Será que ele consegue restaurar as fortunas da Igreja na América Latina?”

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‘Meu nome já está na lista de cardeais’

Filipe Domingues, Especial para o Estado, Vaticano – O Estado de S.Paulo
16 de março de 2013

lorenzo2323O primeiro cardeal nomeado pelo papa Francisco é o ex-núncio apostólico no Brasil e arcebispo italiano d. Lorenzo Baldisseri, conforme revelou ontem o portal estadao.com.br. A nomeação ocorreu ao fim do conclave, retomando uma antiga tradição católica.

O papa Paulo VI havia quebrado o costume de elevar imediatamente ao cardinalato o bispo que atuava como secretário do conclave e que tem como dever, por exemplo, queimar as cédulas após cada votação.

Imagens da primeira missa do papa Francisco mostram d. Lorenzo usando o chapéu vermelho de cardeal (solidéu) junto aos eleitores, o que, formalmente, fez com que a nomeação deixasse de ser sigilosa.

Ontem, cardeais presentes em Roma confirmaram ao Estado a indicação de Baldisseri, mas o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, declarou à imprensa que “ninguém foi tornado cardeal durante o conclave”.

Isso porque a nomeação deve ser oficializada em um consistório, cerimônia pública do papa na qual Baldisseri receberá o anel de cardeal, o barrete (outro tipo de chapéu vermelho) e o título de uma igreja em Roma. Ele mesmo esclareceu: “Meu nome já está na lista”.

Ele foi o embaixador da Santa Sé no Brasil entre 2002 e 2012. Confira, a seguir, a entrevista exclusiva de Baldisseri.

Foi uma surpresa ver na TV o senhor usando solidéu vermelho. Agora o senhor já é cardeal?

Ainda não, mas meu nome já está na lista do próximo consistório. Porque é necessária a realização de um consistório para oficializar o anúncio. Por enquanto, fico como estou, no mesmo cargo de secretário da Congregação para os Bispos e continuo usando a minha veste normal de arcebispo (preta e rosa fúcsia). Mas já estou na lista. Participei com todos os cardeais dos eventos do conclave, por causa do meu cargo de secretário do colégio cardinalício.

O que representa essa decisão do papa Francisco de nomeá-lo cardeal logo após a eleição?

É um gesto histórico, mas ao mesmo tempo muito novo para nós. O último a fazê-lo havia sido o papa João XXIII, há mais de 50 anos. Na época da eleição do papa Ratzinger, ele prometeu a nomeação ao secretário (do conclave), mas o gesto concreto de pôr o solidéu vermelho na cabeça dele não ocorreu. Agora, foi renovada a tradição.

Como foi esse momento?

O papa Francisco, após eleito, foi a uma sala para vestir o hábito branco. Tirou seu solidéu vermelho e o colocou em um prato. Um cerimoniário que o acompanhava saiu com o papa da sala com esse pratinho que tinha o solidéu vermelho em cima. Todos os cardeais fizeram fila para se ajoelhar e prestar obediência ao novo papa, como está previsto, e, ao final, eu também. Quando eu estava de joelhos, ele tomou o solidéu que estava no pratinho e colocou na minha cabeça. Alguns cardeais aplaudiram, outros não reagiram. Esse é o fato.

Como o senhor se sentiu?

Muito confuso e comovido. Ele me abraçou. Eu o agradeci por sua confiança.

O senhor conhecia bem o cardeal Jorge Mario Bergoglio?

Não muito, mas em 2007 ele foi ao Brasil para a conferência da América Latina, quando eu era núncio no País. Ele me conhecia por isso. Portanto, soube de todo o processo para realização do acordo entre Brasil e a Santa Sé e acompanhou meu livro sobre o assunto.

A decisão de ir à primeira missa de Francisco com o solidéu vermelho foi sua ou do papa?

Eu pedi ao santo padre para poder concelebrar a missa com os outros cardeais e ele me disse que sim. O solidéu que eu usei é exatamente o mesmo que ele me deu. Agora vou guardá-lo de lembrança.

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A queda do número de católicos no Brasil e a tal ‘nova evangelização’

O noticiário destacou hoje a queda do número de brasileiros que se declaram católicos, de acordo com dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dez anos, a proporção de católicos no Brasil caiu de 73,6% da população para 64,6%. Enquanto isso, cresce o número de evangélicos, que cada vez mais se espalham por diferentes e novas igrejas.

Não há como negar que a queda é expressiva. E a primeira questão que se levanta é, por que isso acontece? Alguns atribuem  o fato à lentidão da Igreja Católica em aceitar as mudanças do mundo, especialmente no que diz respeito às questões sexuais, reprodutivas e familiares.

Outros dizem que não é isso o que afasta as pessoas da Igreja e de Deus, mas sim uma questão social e cultural, pois a religião como um todo está perdendo espaço na vida das pessoas para outras atividades com as quais passaram a ocupar mais tempo e a dar mais importância, como o trabalho, o estudo, o lazer, etc. Sendo assim, não só o catolicismo seria afetado, mas também outras religiões. Em outras palavras, no mundo atual, muitas vezes as pessoas sentem menos necessidade da religião.

A resposta oficial da Igreja no Brasil aos dados do IBGE foi dada hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Declarou que, embora o número de pessoas que se dizem católicas tenha caído, cresce o número de padres e paróquias, o que, em sua visão, mostra que a Igreja está “viva” no país – que é o mais católico do mundo e cuja população é predominantemente católica.

Vale recordar os dados globais, que foram divulgados no Anuário Pontifício de 2012 – sobre o qual fizemos uma breve análise neste blog. Naquela ocasião, percebemos que, globalmente, o número de católicos cresce proporcionalmente ao aumento da população global. Ou seja, numericamente, estão elas por elas.

Porém, a Igreja está no mínimo atenta a essas mudanças. Quando esteve no Brasil, em 2007, o Papa Bento XVI afirmou na sessão inaugural da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe (Celam): “Observa-se uma certa debilitação da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica devido ao secularismo, hedonismo, indiferentismo e proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de novas expressões pseudo-religiosas.”

Bento XVI com bispos em Aparecida (SP)

Não é à toa a iniciativa de Bento XVI de promover um processo de “nova evangelização“, defendido já por João Paulo II. Segundo Bento XVI, é preciso mudar a forma de transmitir a mensagem deixada por Jesus Cristo, levando-a a novos lugares e retomando-a firmemente em regiões onde ela está se perdendo. Nos países desenvolvidos, avalia o Papa, “o bem-estar econômico e o consumismo, embora misturado com tremendas situações de pobreza e de miséria, inspiram e permitem viver ‘como se Deus não existisse'”.

O documento preparatório para o Sínodo dos Bispos, quando se discutirá a “nova evangelização”, em outubro de 2012, reconhece a necessidade de que a Igreja “recomece sempre por se evangelizar a si mesma”. Diz ainda: “Nova evangelização significa dar resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos homens e dos povos de hoje, aos novos cenários que mostram a cultura por meio da qual exprimimos a nossa identidade e procuramos o sentido da nossa existência“.

Os números divulgados hoje pelo Censo não são, portanto, nenhuma surpresa para a Igreja Católica. Mas chamam a atenção porque colocam a olhos vistos o que já era sabido: que, se o objetivo é disseminar uma determinada mensagem, os métodos usados atualmente não estão sendo suficientes.

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Campanha da Fraternidade para iniciados

Cartaz da CF 2012

Todos os anos, desde 1964, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança uma campanha voltada para aspectos sociais que precisam ser pensados pela Igreja e pela sociedade em geral. São as Campanhas da Fraternidade (CF). Neste ano, a CF trata do tema da saúde pública, ou melhor, “Fraternidade e Saúde Pública” – interessante, mas difícil, explico a seguir.

O lema, que geralmente é uma passagem bíblica que lembra o tema, em 2012 é “Que a saúde se difunda sobre a terra” ( Eclo 38,8). As campanhas são lançadas no tempo litúrgico da Quaresma, que é o período de 40 dias que antecede a Páscoa – iniciado na Quarta-feira de Cinzas. Nesse período, a Igreja convida os fiéis a refletirem mais sobre sua vida, sua conduta, se aproximar mais de Deus… é um tempo de introspecção e reflexão, propício para as CFs.

Pois bem, muita gente de fora da Igreja não dá a mínima para essas campanhas, mas temos de reconhecer sua importância para a sociedade. Essas campanhas chegam a praticamente todas as paróquias e comunidades católicas do Brasil inteiro, das grandes metrópoles às pequenas capelas. Com elas, gente que nunca parou para pensar sobre o meio ambiente, a paz, a preservação da vida, o bem-estar dos idosos, a Amazônia, entre tantos outros temas, acaba vendo que os problemas existem e precisam ser resolvidos.

No site da CNBB, o secretário-geral Dom Leonardo Steiner disse que “a Campanha da Fraternidade é um tempo especial para a conversão do coração, através da prática da oração, do jejum e da esmola”.

Portanto, a CF é de fato uma ação social da Igreja no Brasil, reconhecida internacionalmente. Há quem diga que a Igreja não tem de fazer ação social, que isso é coisa do governo. Mas o fato é que a Igreja está em muitos locais onde os governos não estão e faz o que os governos não fazem. E muita gente depende disso para viver.

Porém, o tema da CF deste ano, sobre a saúde pública, além de repetido – a de 1981 também foi – é de difícil ação e compreensão. Quando se fala de saúde pública, estamos falando principalmente de uma ação de governo. Tanto é que o ministro da saúde, Alexandre Padilha, foi convidado para o lançamento da CF deste ano. Pergunto-me como um católico que vai apenas às missas de domingo poderá se sentir útil para a saúde pública…

Na verdade, quem já conhece a tradição das CFs e lê os prospectos que estão no site da CNBB pode compreender que, ao falar da saúde pública, a CNBB também defende um olhar especial para a pessoa doente. Aí sim. Qualquer pessoa pode se ver cuidando de um doente em algum momento da vida, ou pode decidir visitar um doente por simples desejo de fazer-lhe companhia. É um ato de caridade. Aí temos uma ação social que tem tudo a ver com a Quaresma e com o ser cristão.

Mas não sabemos se é essa mensagem que chegará às paróquias. É de se questionar se a CF de 2012 cairá no esvaziamento e na retórica do “precisamos melhorar” sem dizer como, pois ela parece ser para iniciados no tema da saúde, como médicos e enfermeiros, ou só para quem já tem uma atuação pastoral e sabe  o que são as CFs.

De qualquer forma,  a cobrança às autoridades é mais do que válida. Dom Leonardo deixou bem claro que o corte feito pelo governo na verba destinada à saúde recentemente é uma decepção. Fica a esperança de que de fato “a saúde se difunda sobre a terra”.

No ano que vem, a CF é sobre a juventude, um tema igualmente importante, porém bem mais palpável. Ainda mais no contexto da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Rio de Janeiro, evento para o qual o Papa virá ao Brasil.

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Inaugurada a Praça

São Francisco de Sales

Há tempos sentia saudades de ter um blog, mas o facebook supriu temporariamente minha necessidade de escrever sobre coisas de que gosto fora do trabalho – onde escrevo sobre Economia. Este blog é sobre religião, mas não é um blog religioso.

Não é sobre devoções, mas um espaço para expor informações que não encontramos facilmente em outros lugares e que podem nos ajudar a entender melhor o que é a Igreja.

Já sabemos que a Igreja é uma instituição grande, antiga e complexa, formada por pessoas de diversas culturas e movimentos dos mais variados. Ainda que lentamente, está sempre mudando. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja não está engessada.

Muitas pessoas me perguntam sobre religião, Cristianismo, Igreja… Quando sei responder, respondo, e se não sei, procuro quem saiba – e é isso o que faz um jornalista e é isso que quero fazer aqui. Por isso, sinta-se à vontade para perguntar.

Este é o blog Praça de Sales (PS). “Praça” porque é um lugar aberto para quem quiser passar, chegar, parar e conversar – comentários agressivos serão ignorados. “Sales” vem de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas e, portanto, deste blog. Tanto eu quanto meus colegas precisamos sempre de uma ajudinha.

Se eu errar, por favor me corrijam. No mais, bem-vindo ao PS!

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