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A caminho da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado no Jornal “O São Paulo”, em setembro de 2015

Começou a contagem regressiva para a Jornada Mundial da Juventude de 2016. Literalmente. Quando O SÃO PAULO esteve em Cracóvia, no fim de julho, faltavam 362 dias, três horas, 43 minutos e 49 segundos para a abertura do evento, que reunirá na Polônia jovens católicos do mundo inteiro juntos ao Papa.

Um painel eletrônico tinha acabado de ser instalado na fachada da Basílica de Santa Maria, na praça principal da cidade Rynek Główny. Bandeiras coloridas com o símbolo polonês da JMJ foram espalhadas pela praça, criando o clima de que a JMJ já está para começar. Barracas de divulgação do evento foram instaladas e jovens voluntários caminham pelos principais santuários da Polônia, como o de Czestochowa. O Santuário é parada obrigatória para todo peregrino no país: ali está a imagem milagrosa da Nossa Senhora Negra, chamada “rainha da Polônia”.

A divulgação da JMJ se intensificou exatamente um ano antes do seu início. Na oração do Ângelus de 26 de julho, o Papa Francisco inaugurou pessoalmente as inscrições, num tablet. “Aí está! Acabo de me inscrever como peregrino neste dispositivo eletrônico”, disse, convidando os jovens do mundo inteiro a fazerem o mesmo. A estratégia teve efeito. Em apenas duas semanas, mais de 200 mil se cadastraram pelo site www.krakow2016.com/pt/.

Para receber os 2,5 milhões de peregrinos esperados para a JMJ, a organização e o governo local estão preparando dois grandes espaços abertos. O primeiro está no parque de Błonia, uma área de 48 hectares, no centro de Cracóvia. O outro, onde será a missa final, é uma área cinco vezes maior, na zona industrial que fica entre Cracóvia e Wieliczka. A região é famosa por sua enorme (extração ou mineração) de sal, reconhecido patrimônio da humanidade.

Uma JMJ europeia

O responsável pelo setor Comunicação do Comitê Organizador da JMJ, o padre salesiano polonês Adam Parszywka, falou com a reportagem sobre os preparativos para a Jornada. Segundo ele, espera-se uma JMJ com grande presença de jovens europeus, assim como a do Brasil recebeu muitos sul-americanos. “Prevemos que a maioria dos peregrinos seja de poloneses, porque estão em casa. O segundo país mais numeroso deve ser a Itália”, disse. Estima-se que até 900 mil jovens poloneses e 120 mil italianos sejam inscritos.

O Padre Adam ainda não soube estimar quantos brasileiros atravessarão o oceano para participar da JMJ, mas aguarda uma presença significativa. “Dois anos atrás, os brasileiros foram aqueles que acolheram a gente. Agora, estão aqui para ajudar os poloneses. Também se sentem donos dessa festa espiritual da Igreja”. Esses números por nação consideram os peregrinos inscritos, mas muitos viajam por conta própria. “Como são jovens, os participantes agem espontaneamente. Muitos não fazem inscrição, vão chegar na hora. Pegam o carro, se colocam em grupinhos, chamam os outros e chegam”, brincou.

Importância da inscrição

O ideal, especialmente para os grupos numerosos, é que se inscrevam junto à organização e informem o setor de logística do Comitê sobre os lugares que planejam visitar. Os santuários poloneses, como o de Czestochowa e o da Divina Misericórdia, são relativamente pequenos e é impossível entrar muita gente ao mesmo tempo. Padre Adam afirmou que a organização pretende privilegiar as visitas dos estrangeiros durante a JMJ. “Os poloneses podem vir quando quiserem. Quem vem da Austrália, do Brasil, muitas vezes virá só uma vez na vida. É preciso ter a oportunidade de rezar lá.”

Além disso, viajantes inscritos têm direito ao kit do peregrino (mochila, livros, objetos religiosos) e podem incluir alimentação e hospedagem no pacote. Muitos terão de ser alojados em cidades próximas a Cracóvia, que possui somente 800 mil habitantes, menos da metade do que se espera receber durante a Jornada. No entanto, Padre Adam garante que os inscritos não terão de viajar mais de uma hora para chegar aos eventos principais. “Para Cracóvia, tudo isso será uma aventura muito grande! A cidade não é tão grande como as cidades do Brasil”, declarou o Sacerdote.

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Cracóvia já entra em ritmo de JMJ

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ, em Roma

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ

Especial para O SÃO PAULO em Cracóvia, Polônia (página 9)

A cerca de dois anos da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a cidade de Cracóvia já começa a traçar uma “estratégia geral” para sediar um dos maiores eventos do mundo. Nas semanas em que O SÃO PAULO esteve na Polônia, no fim de agosto, os principais responsáveis pela JMJ, como o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, cardeal polonês Stanisław Ryłko, viajavam por todo o país para articular questões de logística, acolhimento e pastoral. Assim como na edição de Madri, em 2011, são esperados cerca de dois milhões de peregrinos, o que demanda uma enorme estrutura e ótima organização por parte dos poloneses. Afinal, embora Cracóvia já seja uma cidade histórica, medieval, e cheia de atrativos turísticos, é relativamente pequena: tem menos de 800 mil habitantes.

O grande diferencial da JMJ de Cracóvia deve ser a presença de um expressivo número de jovens do Leste Europeu. “Por causa da distância, a Jornada do Rio de Janeiro (em 2013) foi praticamente inacessível para eles, mas também a anterior, de Madri (2011)”, recordou Aleksandra Szymczak, gerente do departamento de Comunicação da JMJ. Na ausência do novo secretário-geral, o padre polonês Grzegorz Suchodolski, foi ela quem conversou com a reportagem em nome do comitê organizador. “Agora, sendo a JMJ na Polônia, é uma oportunidade única.”

Aleksandra explicou que um programa chamado “Bilhete para o Irmão” vem sendo promovido para arrecadar fundos e bancar a viagem dos peregrinos de Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Uzbequistão. São nações que pertenceram à antiga União Soviética e ainda apresentam nível de desenvolvimento mais baixo do que a Europa Ocidental. “O programa permitirá comprar os ‘kits de peregrino’ para eles (mochilas, livros de oração, camisetas, chapéus e objetos religiosos).” Procuram-se patrocinadores que queiram ajudar e, além disso, voluntários da JMJ têm realizado campanhas de arrecadação nos grandes santuários da Polônia, como o da Divina Misericórdia e o de João Paulo II, ambos em Cracóvia, e o Santuário de Nossa Senhora de Częstochowa.

Novo site em 8 idiomas – Pela primeira vez o site oficial da Jornada (www.krakow2016.com) será traduzido para o idioma ucraniano, além das outras sete línguas oficiais (inglês, espanhol, português, francês, italiano, alemão e polonês). “Estamos em momento de preparação do novo site e daqui a dois meses esperamos concluí-lo já com todas as línguas oficiais, inclusive português, que atualmente não funciona”, afirmou Aleksandra. A novidade se deve, primeiro, à proximidade geográfica da Polônia com a Ucrânia. Um grande grupo de ucranianos se prepara para ir à JMJ. E, também, aos confrontos recentes na Ucrânia, ligados à força política e militar da Rússia. A Igreja tem procurado dar grande apoio espiritual aos fiéis daquela região.

Uma cidade em obras – Cracóvia está rodeada de canteiros de obras, como para ampliação do aeroporto e expansão de estradas. Embora sejam úteis para a JMJ de 2016, Alesksandra ponderou que essas obras públicas não têm relação direta com o evento. “Nos últimos 15 anos, estamos em obras constantemente na Polônia. São mudanças que melhoram a vida diária dos poloneses, principalmente desde que entramos na União Européia (em 2004)”, disse. De qualquer maneira, “a Jornada será beneficiada, e pode ser que as obras sejam intensificadas por causa da Jornada”, mas são sempre os governos que as colocam em prática.

No que depende da organização da própria JMJ, está pendente a escolha do local onde serão realizados os atos centrais (as missas de abertura , encerramento e a cerimônia de acolhida do Papa). Aleksandra confirma que o campo de Błonia, na área menos urbana de Cracóvia, será usado. “É quase certo que os três atos centrais serão celebrados nesse campo, onde aconteceram todos os encontros com João Paulo II em Cracóvia. No entanto, para a missa de envio ainda estamos pensando, junto ao Vaticano e aos serviços de segurança da Polônia, se Błonia é mesmo o lugar mais adequado.” Considerando que os peregrinos costumam passar toda a noite em vigília de oração antes da última missa, a decisão requer atenção redobrada para evitar erros de planejamento observados no passado.

Enquanto esperam, os fiéis poloneses rezam pelo bom andamento da JMJ. “Já temos vários programas de preparação espiritual na Polônia”, comentou Aleksandra. Nos dias 26 de cada mês, grupos de jovens se reúnem para rezar pela organização. Outra iniciativa é envolver pessoas com problemas de saúde, pedindo-as que rezem pelo maior encontro de jovens do mundo. “Queremos mostrar que elas são necessárias para a JMJ, que não só precisam de ajuda, mas que nós precisamos delas.”

Segundo Aleksandra, a expectativa é de que peregrinos de todo o Brasil possam participar da JMJ de Cracóvia, especialmente depois que o Rio de Janeiro sediou o encontro. “Esperamos os brasileiros e já temos vários voluntários que querem vir do Brasil. Por causa da experiência e da alegria dos brasileiros, estamos esperando!”

Leia aqui a edição completa do jornal O São Paulo

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