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Bispos pedem que Constituição não defina o Zâmbia como “nação cristã”

Dois bispos do Zâmbia: Dom George Lungu, bispo de Chiapata, e Dom Ignatius Chama, arcebispo de Kasama

Bispos católicos do Zâmbia pediram ao comitê técnico responsável por escrever a nova Constituição do país que não o considere uma “nação cristã”. Segundo informaram os bispos à agência de notícias católica Fides,  esse termo deve ser omitido. “Um país não pode praticar os valores e preceitos do Cristianismo com uma mera declaração”, afirmam os bispos.

“O princípio de separação entre Estado e Religião não deve ser perdido”, acrescentam. “Se o Zâmbio é um país multirreligioso, um fato que foi reconhecido no preâmbulo do primeiro rascunho do Comitê Técnico, dizer que o Zâmbia é uma nação cristã seria uma contradição a esse fato.”

Além disso, os bispos pediram que a Constituição do país rejeite a pena de morte e o aborto. A Conferência Episcopal do Zâmbia acredita, ainda, que o novo texto deve apresentar regulações sobre a cidadania e a exploração dos recursos naturais do país.

De acordo com o site Religión en Libertad, a atual Constituição do país é uma recompilação legislativa de 1996 e inclui uma emenda que declara o Zâmbia uma “nação cristã”, embora garanta a liberdade religiosa. Cerca de 85% da população é cristã – o que inclui católicos e protestantes -, 5% são muçulmanos, 5% pertencem a outras comunidades e 5% se dizem ateus.

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A queda do número de católicos no Brasil e a tal ‘nova evangelização’

O noticiário destacou hoje a queda do número de brasileiros que se declaram católicos, de acordo com dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dez anos, a proporção de católicos no Brasil caiu de 73,6% da população para 64,6%. Enquanto isso, cresce o número de evangélicos, que cada vez mais se espalham por diferentes e novas igrejas.

Não há como negar que a queda é expressiva. E a primeira questão que se levanta é, por que isso acontece? Alguns atribuem  o fato à lentidão da Igreja Católica em aceitar as mudanças do mundo, especialmente no que diz respeito às questões sexuais, reprodutivas e familiares.

Outros dizem que não é isso o que afasta as pessoas da Igreja e de Deus, mas sim uma questão social e cultural, pois a religião como um todo está perdendo espaço na vida das pessoas para outras atividades com as quais passaram a ocupar mais tempo e a dar mais importância, como o trabalho, o estudo, o lazer, etc. Sendo assim, não só o catolicismo seria afetado, mas também outras religiões. Em outras palavras, no mundo atual, muitas vezes as pessoas sentem menos necessidade da religião.

A resposta oficial da Igreja no Brasil aos dados do IBGE foi dada hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Declarou que, embora o número de pessoas que se dizem católicas tenha caído, cresce o número de padres e paróquias, o que, em sua visão, mostra que a Igreja está “viva” no país – que é o mais católico do mundo e cuja população é predominantemente católica.

Vale recordar os dados globais, que foram divulgados no Anuário Pontifício de 2012 – sobre o qual fizemos uma breve análise neste blog. Naquela ocasião, percebemos que, globalmente, o número de católicos cresce proporcionalmente ao aumento da população global. Ou seja, numericamente, estão elas por elas.

Porém, a Igreja está no mínimo atenta a essas mudanças. Quando esteve no Brasil, em 2007, o Papa Bento XVI afirmou na sessão inaugural da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe (Celam): “Observa-se uma certa debilitação da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica devido ao secularismo, hedonismo, indiferentismo e proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de novas expressões pseudo-religiosas.”

Bento XVI com bispos em Aparecida (SP)

Não é à toa a iniciativa de Bento XVI de promover um processo de “nova evangelização“, defendido já por João Paulo II. Segundo Bento XVI, é preciso mudar a forma de transmitir a mensagem deixada por Jesus Cristo, levando-a a novos lugares e retomando-a firmemente em regiões onde ela está se perdendo. Nos países desenvolvidos, avalia o Papa, “o bem-estar econômico e o consumismo, embora misturado com tremendas situações de pobreza e de miséria, inspiram e permitem viver ‘como se Deus não existisse'”.

O documento preparatório para o Sínodo dos Bispos, quando se discutirá a “nova evangelização”, em outubro de 2012, reconhece a necessidade de que a Igreja “recomece sempre por se evangelizar a si mesma”. Diz ainda: “Nova evangelização significa dar resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos homens e dos povos de hoje, aos novos cenários que mostram a cultura por meio da qual exprimimos a nossa identidade e procuramos o sentido da nossa existência“.

Os números divulgados hoje pelo Censo não são, portanto, nenhuma surpresa para a Igreja Católica. Mas chamam a atenção porque colocam a olhos vistos o que já era sabido: que, se o objetivo é disseminar uma determinada mensagem, os métodos usados atualmente não estão sendo suficientes.

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Em nova constituição, Nepal pode transformar evangelização em crime

Primeiro-ministro do Nepal, Baburam Bhattarai

Em questões de liberdade religiosa, o Brasil é um país verdadeiramente avançado. Vejam só dois exemplos de atentados contra essa liberdade que ocorreram nos últimos dias em que estive fora do blog, um no Nepal e outro na Indonésia.

No Nepal, uma nova constituição pode simplesmente transformar a evangelização em crime, informa a Rádio Vaticano. Com a dissolução do gabinete de governo do primeiro-ministro Baburam Bhattarai e a formação de um novo governo de coalisão,  uma nova constituição precisa ser elaborada.

A assembleia constituinte foi convocada há quatro anos e até hoje não fez uma constituição. Resultado: o país está no limite entre a ordem e a desordem completa. Agora, há uma forte pressão para que os políticos cheguem a um acordo e concluam a transição política nos próximos 20 dias. O Nepal deixou de ser um monarquia hinduísta em 2006 – após um levante para separar o Estado  da religião – e quer caminhar no sentido de uma democracia. Mas, por enquanto, o Nepal vem sendo governado com uma constituição provisória.

O Pe. Silas Bogati, ex-diretor da Caritas Nepal, afirmou à Rádio Vaticano que está esperançoso com a possibilidade de um acordo que estabilize o país na questão política, mas alertou que, “mesmo que venha uma nova constituição, a liberdade religiosa não está lá”. Segundo ele, “haverá uma cláusula que impede e criminaliza a evangelização”. Ou seja, os cristãos que vivem no Nepal não poderiam praticar a essência da sua fé.

Igreja cristã na Indonésia, onde a maioria é muçulmana

Na Indonésia, autoridades muçulmanas extremistas fecharam três igrejas cristãs – duas católicas e uma protestante – na província de Aceh, alegando que os edifícios não tinham permissão legal para funcionar, embora um deles já funcionasse há 40 anos, conforme o site Catholic Culture. Fazendo uma busca rápida no Google, percebi que isso acontece toda hora por lá, onde a maioria da população é muçulmana. Em Aceh, vigora a charia, o código de leis do islamismo, sem separação entre as leis do Estado e a religião.

São dois casos bem recentes e pouco violentos, mas poderíamos mencionar tantos outros igualmente ou mais graves. Na Nigéria, por exemplo, a liberdade religiosa virou praticamente uma lenda. Igrejas são explodidas e pessoas mortas quase toda semana.

Os perseguidos em muitos países são também os fiéis de tantas outras religiões ou, às vezes, até mesmo quando praticam a mesma religião que os perseguidores, mas fazendo parte de etnias ou grupos sociais diferentes. E a comunidade internacional faz pouco ou quase nada para mudar essa situação.

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Pergunta: Por que a Igreja Católica não vende todos os seus bens e doa o dinheiro para os pobres?

Tenho adiado tentar responder à pergunta que dá título a este post, pois se trata de uma questão muito delicada, que não pode ser respondida de forma apaixonada e tampouco de forma cega. Essa questão já me foi feita várias vezes e ao menos duas pessoas pediram para o blog falar sobre isso.

Não queremos aqui defender a Igreja de qualquer acusação (aliás este não é o objetivo deste blog), mas outra vez tentar mostrar que o mundo é bem mais complexo do que pensamos. Tentar fazer o leitor pensar um pouco mais para entender por que as coisas são como são.

Para começo de conversa, temos de lembrar que quando falamos de “Igreja Católica” estamos falando de uma instituição que está no mundo inteiro – a palavra “católica” significa “universal” – o que já ajuda a explicar o fato de se ter muitos bens. Existem 1,2 bilhão de católicos no mundo, mais de 5 mil bispos, mais de 400 mil padres, mais de 720 mil religiosas. Toda essa gente precisa ter onde morar, comer, rezar, estudar… Para isso são necessários templos, colégios, residências, e como não dizer dinheiro, renda.

Outra coisa: há milhares de “Mitras (Arqui)Diocesanas”, paróquias, congregações religiosas, universidades, associações de leigos, hospitais, museus, obras sociais, escolas, fundações, embaixadas, e o próprio Vaticano – que é um país soberano – entre tantas outras organizações que constituem a Igreja.

Em outras palavras, todos esses bens estão divididos entre diversos grupos. Cada instituição católica na prática tem certa independência financeira. Aliás, muitas delas passam necessidades. O Vaticano há alguns anos gasta mais do que arrecada. Nos Estados Unidos, algumas dioceses estão falidas após pagarem indenizações altíssimas resultantes do problema da pedofilia. Tendo isso em mente, o mais importante, então, é analisarmos a forma como esses bens são utilizados. E, justiça seja feita, a maioria das instituições que se dizem católicas tem entre suas finalidades fazer o bem.

Mas alguém pode perguntar: “E toda a riqueza do Vaticano? Aquilo é desnecessário.” Talvez até seja, mas não dá para esquecer a História. Em mais de 2000 anos, muita coisa aconteceu para formar a Igreja que vemos hoje. A História da Igreja, que todo seminarista precisa estudar bem, mostra isso.

Um exemplo: aquele que é considerado o primeiro Papa e chefe da Igreja, São Pedro, foi um simples pescador, apóstolo de Jesus. Hoje, os Papas são, além de chefes da Igreja, chefes de Estado, monarcas, pontífices, bispos de Roma, que um dia foram cardeais, eleitos por um conclave, tudo ao mesmo tempo.

Não há como renunciar a isso e voltar a ser um pescador. E a mudança prática não aconteceu de uma hora para outra. Os bens da Igreja são resultado do seu processo de institucionalização, hierarquização, que aconteceu ao longo dos séculos,e que não podemos ignorar. O Vaticano de hoje é resultado de um tratado com a Itália, por exemplo, e por aí vai…

Isto é, mesmo que ter bens fosse errado, não daria para se desfazer do passado num piscar de olhos. Pode soar estranho, mas, de modo geral, a maioria dos bens da Igreja foi obtida de forma legítima em seu tempo histórico: as doações, as heranças de pessoas que entraram para a vida religiosa, a arrecadação de impostos, e até mesmo as Cruzadas, os saques, as conquistas de territórios, o jogo político junto aos reis e aos poderosos.

Alguns desses instrumentos são muito desumanos e hoje os vemos como altamente condenáveis e contraditórios com a mensagem de Cristo. Não é à toa que Lutero se rebelou contra a Igreja de seu tempo. Mas, em seus respectivos momentos, os meios usados eram legítimos – embora nem sempre moralmente lícitos. Não se tinha, por exemplo, a noção de direitos humanos que temos atualmente. A escravidão era algo comum e para muitas pessoas os índios não tinham alma.

Mas também não é por isso que se deve simplesmente vender tudo. Se fosse assim, teríamos de derrubar e vender, por exemplo, museus que um dia foram senzalas de escravos negros. Ou lugares que foram campos de concentração de judeus na Alemanha. Ou as pirâmides do Egito, talvez construídas sob muitas chicotadas. Tudo o que resulta de um passado sombrio deveria ser desfeito, destruído ou simplesmente vendido?

E mais: vender para quem? Por quanto? De que forma distribuir o dinheiro? Algumas coisas têm valor inestimável. E, ainda assim, por certo não seria suficiente para acabar com a fome no mundo. Muitas obras de arte que estão no Vaticano, por exemplo, são mantidas pela Igreja e estão acessíveis a todos que quiserem visitá-las. São bens que pertencem à humanidade, como os recursos naturais. O mesmo para as construções. Muitas delas ainda são funcionais, são igrejas, escritórios, hotéis, residências…

É claro que isso não isenta a Igreja de seus erros, da forma como acumulou seus bens. Por esse motivo se diz que “a Igreja é santa, mas seus membros são pecadores” ou que “a Igreja é de Deus, mas também é dos Homens”. Por esse motivo, muitas vezes a Igreja pediu desculpas pelos erros do passado. Isso não justifica os erros. Mas significa que ela não pretende repeti-los.

“Mas e todo aquele ouro nas igrejas e nos Papas?”, pode insistir alguém. Aqui devemos notar que “nem tudo o que reluz é ouro”. Existem outros metais sem grande valor aí (latão, cromo). Mas, OK, tem muito ouro também. Porém, esse ouro é usado como forma de ostentação ou como forma de elevação espiritual? Explica-se: se o ouro for apenas um sinal de riqueza material, devemos sim estranhar. Isso não é compatível com a fé cristã.

Mas muitas vezes o ouro e outras preciosidades são a forma que o Homem encontra para preparar algo considerado sagrado. São uma forma de preparar o ambiente para receber aquilo que é tido como divino. Exemplo: para quem acredita que na missa o vinho vira o sangue de Cristo, isto é, Deus verdadeiramente presente, nada mais natural do que preparar o cálice com o que se tem de melhor, isto é, o ouro. Afinal, vai se receber ali o próprio Deus.  E a arte é uma forma de se tentar chegar a Deus.

Lembremo-nos, ainda, que um dos presentes dos reis magos para Jesus foi justamente o ouro. É claro que isso não pode ficar só no ouro. É preciso lembrar também do incenso e da mirra.

É verdade que muitos membros da Igreja se esquecem dos mais pobres. Por esse motivo, por reiteradas vezes e em muito documentos, a Igreja reafirma seu compromisso com os mais pobres. Bento XVI abordou isso no Brasil, em 2007, dizendo que “Deus se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”.

A Igreja entende que sua principal missão é “evangelizar” e seus bens e propriedades devem servir a esse objetivo. Do mesmo modo, para cada um de nós, nossos bens nos ajudam a conseguir aquilo que buscamos em nossas vidas. Não podemos ser ingênuos e achar que tudo se resolve num passe de mágica.

Envie você também sua dúvida sobre a Igreja nos espaços para comentários e veja aqui as outras perguntas já respondidas.

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Qual é o dia do seu onomástico?

Mario Monti e Bento XVI

Hoje, 19 de março, é dia de São José. Portanto, é o dia do onomástico do Papa Bento XVI, que se chama Joseph Ratzinger.

Na Itália, é tradição as pessoas  serem saudadas no dia do santo que tem o seu nome. Hoje, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, conversou por telefone com Bento XVI para dizer os parabéns pelo dia de sua “festa onomástica”. O Papa também deu os parabéns a Monti por seu aniversário de 69 anos.

Muitos bispos costumam mandar cartinhas de saudação ao Papa pelo dia do seu onomástico. E, no Vaticano, o porta-voz Federico Lombardi também se pronunciou sobre isso, dizendo que Bento XVI é guiado por seu santo patrono: “São José conduziu sua família ‘como aquele que serve’. Ele nos ensina que podemos amar sem possuir e nos revela o segredo de viver na presença do mistério. Nele não há separação entre fé e ação, porque sua fé teve efeito decisivo em suas ações”, afirmou.

O meu onomástico é no dia 3 de maio, dia de São Filipe Apóstolo. E você, tem um santo com o mesmo nome?

Neste site aqui é possível pesquisar os santos por nome. Este outro parece estar melhor para pesquisar, mas é em inglês, precisa saber a tradução…

Atualizado em 19/03/2012, às 21h36

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Inaugurada a Praça

São Francisco de Sales

Há tempos sentia saudades de ter um blog, mas o facebook supriu temporariamente minha necessidade de escrever sobre coisas de que gosto fora do trabalho – onde escrevo sobre Economia. Este blog é sobre religião, mas não é um blog religioso.

Não é sobre devoções, mas um espaço para expor informações que não encontramos facilmente em outros lugares e que podem nos ajudar a entender melhor o que é a Igreja.

Já sabemos que a Igreja é uma instituição grande, antiga e complexa, formada por pessoas de diversas culturas e movimentos dos mais variados. Ainda que lentamente, está sempre mudando. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja não está engessada.

Muitas pessoas me perguntam sobre religião, Cristianismo, Igreja… Quando sei responder, respondo, e se não sei, procuro quem saiba – e é isso o que faz um jornalista e é isso que quero fazer aqui. Por isso, sinta-se à vontade para perguntar.

Este é o blog Praça de Sales (PS). “Praça” porque é um lugar aberto para quem quiser passar, chegar, parar e conversar – comentários agressivos serão ignorados. “Sales” vem de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas e, portanto, deste blog. Tanto eu quanto meus colegas precisamos sempre de uma ajudinha.

Se eu errar, por favor me corrijam. No mais, bem-vindo ao PS!

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