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Pergunta: Um não católico pode ser padrinho de Batismo na Igreja Católica?

Retomando nossa seção de perguntas, a questão que está no título deste post é muito frequente entre os pais que querem batizar seus filho na Igreja Católica, mas que gostariam muito de convidar amigos ou parentes que não são católicos para serem padrinhos.

Então, na tentativa de responder a essa pergunta, vamos explicar rapidamente qual é o significado do Batismo para os católicos e depois se um não católico pode ser padrinho. Consultei um padre e alguns documentos para poder responder com cuidado.

Para começo de conversa, precisamos entender que para a Igreja Católica o Batismo é um sacramento, um momento sagrado celebrado por meio de um ritual que pretende aproximar as pessoas de Deus. Para a Igreja, os sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo e confiados a ela, com a missão de repeti-los e perpetuá-los ao longo da História. Os outros sacramentos são Confirmação (ou Crisma), EucaristiaReconciliação (ou Penitência), Unção dos enfermosOrdem e Matrimônio. Em outro momentos podemos falar dos demais.

O Batismo é considerado o sacramento da iniciação cristã, por meio do qual a pessoa passa a fazer parte da Igreja e inicia o caminho rumo à vida eterna. Os católicos acreditam que, pelo Batismo, purifica-se a alma do batizado, retirando-lhe o pecado original (mácula com a qual todas as pessoas nascem, herdada do primeiro pecado do ser humano contra Deus, explicado na história de Adão e Eva). Costuma-se batizar as crianças logo cedo para que possam receber essa “graça” de imediato. É como se os pais presenteassem o filho, apresentando-o por meio do sacramento e colocando-o no caminho da salvação, ou seja, aproximando-o de Deus.

O Batismo, portanto, não costuma ser um sacramento de “escolha” – a não ser para os que se convertem depois de adultos – pois é uma herança que os pais passam para seus filhos. Por convenção, o sacramento da escolha é a Confirmação, realizada a partir da adolescência (embora em alguns lugares seja realizado também na infância). E o Batismo é conferido apenas uma vez. É tido como o nascimento para uma nova vida, então não há porque repeti-lo – embora ele seja sempre “renovado”.

Pois bem. Neste contexto, para a Igreja Católica os padrinhos existem para ajudar os pais a conduzirem o batizado no caminho que consideram o melhor, na vida em comunidade, na Igreja, na participação dos outros sacramentos. Antigamente, era muito comum, inclusive, os padrinhos se tornarem responsáveis pelas crianças se os pais morressem, tamanha a responsabilidade dessa atribuição.

Sendo o Batismo algo considerado sagrado e levando-se em conta o que já explicamos, na verdade não faz muito sentido que o padrinho não seja católico. A Igreja insiste que a escolha dos padrinhos e o Batismo como um todo não podem ser atos meramente sociais.

O Direito Canônico – leis que regem o funcionamento da Igreja Católica – recomenda que os padrinhos sejam até crismados, mas ao mesmo tempo permite que o bispo local adapte determinadas leis disciplinares à sua realidade. Assim, o “Diretório de Pastoral” de cada diocese costuma determinar isso com mais clareza, mas certamente uma pessoa sem Batismo válido não poderá ser padrinho. Geralmente basta ter um Batismo válido para poder ser padrinho.

Para ser válido, o Batismo do padrinho não precisa ter acontecido necessariamente em uma Igreja Católica. Algumas outras igrejas realizam o Batismo com a mesma fórmula dos católicos – “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, jogando água -, o que pode ser aceito pela Igreja Católica como igualmente válido. Então muitos não católicos podem ser padrinhos (embora isso continue não fazendo muito sentido).

Outra coisa importante: o Direito Canônico permite que uma pessoa não católica seja testemunha do Batismo juntamente a um padrinho católico. Essa pessoa não será registrada como padrinho e não terá nenhum papel essencial no sacramento. Não será um padrinho. Mas com isso pode-se resolver algumas eventuais saias-justas como o afeto entre amigos ou irmãos que gostariam de participar mais de perto da vida da criança, mesmo sem ser cristãos, por exemplo.

Aqui neste blog você encontra também outros critérios para ser padrinho de Batismo, inclusive no que diz respeito aos casais divorciados ou “juntados”, que não vou repetir aqui pra não alongar mais.

Envie você também sua dúvida sobre a Igreja nos espaços para comentários e veja aqui a outra pergunta que já foi respondida.

Editado em 12 de março de 2012, às 19h49.

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Arquivado em Cristianismo, Igreja, Perguntas

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