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Pergunta: Qual é a diferença entre bispo, arcebispo e cardeal?

O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo, e o Arcebispo de Campinas, Dom Airton

No último domingo estive na cerimônia de posse do novo Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos, e, conversando com outros colegas jornalistas, que trabalhavam na cobertura da cerimônia, surgiu a dúvida que dá título a este post. Dom Airton, que era bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, foi recentemente nomeado para assumir a Arquidiocese de Campinas, tornando-se, portanto, arcebispo.

Além do seu endereço, o que mais muda para ele? E os cardeais, são os “chefes” dos bispos e arcebispos?

Não é bem assim. Conforme explicamos neste post (“O que é um diácono?”), na Igreja Católica existem apenas três graus para o sacramento da Ordem: diaconato, presbiterato e episcopado. Todos os bispos e arcebispos (inclusive o Papa) são ordenados no terceiro grau. Nesse aspecto são todos iguais e, como costumam dizer, “irmãos no episcopado”.

Para a Igreja Católica, os bispos são os sucessores dos apóstolos como “pastores da Igreja”. Conforme o Catecismo da Igreja Católica, por meio da imposição das mãos durante a ordenação episcopal, o sacerdote assume os deveres de “santificar, ensinar e reger”. Diz o número 1558 que  os bispos, “pelo Espírito Santo que lhes foi dado, foram constituídos como verdadeiros e autênticos mestres da fé, pontífices e pastores”.

A diferença do arcebispo é que ele assume uma missão considerada talvez mais importante para a Igreja, ou pelo menos que exige uma responsabilidade ainda maior. A Wikipedia parece explicar bem quais são os diversos tipos de arcebispos, veja neste link. Os núncios apostólicos – embaixadores da Santa Sé em vários países – geralmente são arcebispos. Também na Cúria Romana há diversos arcebispos que trabalham em funções burocráticas, mas estratégicas.

Porém, a maioria dos arcebispos recebe esse título porque administra uma diocese reconhecida como das mais importantes, seja por causa do número de fiéis, pela extensão de seu território ou por questões históricas – o que, na verdade, é uma “arquidiocese“.

Além disso, as dioceses estão agrupadas em áreas territoriais chamadas “províncias eclesiásticas” e as arquidioceses são as sedes dessas províncias. Assim, os arcebispos (nestes casos “arcebispos metropolitanos”) têm alguns deveres de supervisão e jurisdição sobre as outras dioceses que compõem a mesma província – chamadas “dioceses sufragâneas”.

No caso da Arquidiocese de Campinas, citada no início deste post, sufragâneas são as Dioceses de Limeira, São Carlos, Bragança Paulista, Amparo e Piracicaba.

No entanto, os bispos de cada diocese não devem satisfações ao arcebispo no que diz respeito à ação pastoral. Cada um deles é soberano para organizar sua diocese e responde diretamente ao Papa.

Já o título de “cardeal” é outra coisa. Costuma designar um sacerdote que por algum motivo tem uma proximidade maior com o Papa, geralmente pela relevância da missão que desempenha. A maioria dos cardeais é de bispos e arcebispos, mas padres e diáconos também podem ser nomeados cardeais. No último consistório – cerimônia de criação dos cardeais pelo Papa – dois padres viraram cardeais.

Os cardeais são escolhidos pessoalmente pelo Papa. E, muitas vezes, algumas dioceses são tão importantes para a Igreja que os bispos que as assumem são quase que automaticamente criados cardeais – dois exemplos são a Arquidiocese de São Paulo e a Diocese de Hong Kong, para citar uma arquidiocese e uma diocese.

Consistório em que o Arcebispo Dom João de Aviz foi criado cardeal por Bento XVI

Ou seja, embora um cardeal geralmente esteja numa posição hierárquica mais elevada, isso não é obrigatório para chegar lá. Alguns são renomados professores universitários, por exemplo. Um cardeal não é mais bispo do que um bispo de uma pequena diocese ou um arcebispo de uma grande arquidiocese. Mas de modo geral ele está mais próximo do Papa, o que lhe confere uma autoridade e um título singulares.

Além disso, é essencial lembrar que apenas os cardeais votam nos conclaves, aquelas reuniões a portas fechadas que elegem o Papa. Todo cardeal com menos de 80 anos pode votar. E qualquer cardeal pode ser eleito Papa.

Essas diferenças todas aqui citadas podem ser notadas de várias formas, como nas roupas que usam e nos brasões de cada um deles. Os bispos e arcebispos usam roupas na cor violeta, enquanto os cardeais usam vermelho-púrpura (veja as fotos). Os brasões também têm símbolos a mais ou a menos, que sinalizam os títulos daquele bispo.

Existem outros detalhes nessa diferenciação, que podem ser encontrados por aí na internet. Mas as características que citamos aqui talvez sejam as mais básicas.

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Inaugurada a Praça

São Francisco de Sales

Há tempos sentia saudades de ter um blog, mas o facebook supriu temporariamente minha necessidade de escrever sobre coisas de que gosto fora do trabalho – onde escrevo sobre Economia. Este blog é sobre religião, mas não é um blog religioso.

Não é sobre devoções, mas um espaço para expor informações que não encontramos facilmente em outros lugares e que podem nos ajudar a entender melhor o que é a Igreja.

Já sabemos que a Igreja é uma instituição grande, antiga e complexa, formada por pessoas de diversas culturas e movimentos dos mais variados. Ainda que lentamente, está sempre mudando. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja não está engessada.

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