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Diplomacia a serviço da paz

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado na página 14 de “O São Paulo”, em março de 2015

Cardeal Parolin em palestra na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foto: Nikos Papaxristou

Cardeal Parolin em palestra na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foto: Nikos Papaxristou

Construir pontes, lutar contra a pobreza e edificar a paz. São essas as três principais linhas de ação da diplomacia da Santa Sé no pontificado do Papa Francisco, afirmou a O SÃO PAULO o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano. O “número dois” do Vaticano esteve em 11 de março na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, onde deu uma palestra sobre o papel da diplomacia pontifícia na promoção da paz.

No final da conferência, Dom Parolin respondeu à pergunta da reportagem sobre qual é a influência e o poder de decisão dos papas nas atividades diplomáticas da Santa Sé, já que o Papa Francisco foi o principal articulador da recente retomada de relações bilaterais entre Estados Unidos e Cuba após 53 anos de impasse – além de suas tentativas de promover a paz entre Israel e Palestina. “Nós dizemos que o Papa é o primeiro diplomata da Santa Sé”, afirmou o cardeal, em sua réplica. “Efetivamente, todo o aparato da diplomacia pontifícia está a serviço das indicações que vêm do Papa.”

Atualmente, a Santa Sé tem relações diplomáticas com 179 países, além da União Europeia e o Estado Palestino. De acordo com o secretário de Estado, chefe de relações internacionais do Vaticano, Francisco tem um “protagonismo muito acentuado” nas questões diplomáticas. Foi no seu primeiro discurso a novos embaixadores que o Papa falou pela primeira vez sobre o que considera suas prioridades. “Ele deu três linhas diretivas para a ação da diplomacia da Santa Sé: construir pontes, lutar contra a pobreza e edificar a paz. Nós estamos nos movendo sobre essas linhas”, lembrou o arcebispo.

O cardeal nas Nações Unidas

“Muitas das iniciativas que a Secretaria de Estado e a diplomacia pontifícia levam adiante nascem diretamente dele e do contato pessoal que ele tem com chefes de Estado, com representantes políticos”, acrescentou Parolin. De fato, no caso Cuba-Estados Unidos, Francisco vinha enviando cartas privadas aos presidentes Barack Obama e Raúl Castro e, em março do ano passado, conversou pessoalmente com Obama. Posteriormente, o Vaticano, com a presença do cardeal Parolin, sediou a última reunião entre as delegações dos dois países antes do acordo para retomar relações diretas.

Segundo o cardeal, cada papa, dependendo do seu caráter, “é mais ou menos ativo” na diplomacia. “No fundo sempre existem orientações. A ação da Santa Sé é essencialmente religiosa e exatamente por essa motivação procura favorecer a convivência pacífica entre os povos, criando todas as condições que permitam a cada pessoa viver dignamente, segundo a sua dignidade, e como criatura e filho de Deus.”

Mais que uma voz crítica – Durante sua palestra, o cardeal defendeu a ativa participação da Igreja nas questões de interesse internacional. “A ação diplomática da Santa Sé não se contenta a observar os acontecimentos ou avaliar sua grandeza, nem pode ser somente uma voz crítica. É chamada a agir para facilitar a coexistência e a convivência entre as várias nações”, afirmou. “A Santa Sé opera no cenário internacional não para garantir uma segurança genérica, mas para sustentar uma ideia de paz que seja fruto de relações justas, de respeito às normas internacionais, de tutela dos direitos humanos fundamentais, começando por aqueles dos últimos, dos mais vulneráveis.”

Diálogo ou intervenção militar – Quando um dos sacerdotes estudantes da Gregoriana perguntou a Dom Parolin sobre a dificuldade de promoção da paz junto a quem pensa de forma diversa à da Igreja, o cardeal manteve a postura discreta. “A realidade é assim. Existem tantas pessoas, tantas instituições, tantos Estados que não pensam como a Igreja. Ainda assim, houve um crescimento e um desenvolvimento da consciência sobre a paz”, observou. “Hoje se fala muito de paz e eu diria que isso também foi um resultado da presença e das relações da Igreja.”

Papa com embaixadores junto à Santa Sé

Dom Parolin acrescentou que, frequentemente, a Santa Sé coloca em prática ações de “soft power” (algo como “poder suave”, em inglês), expressão que em política internacional se refere à capacidade de atração e persuasão, em vez da coerção e do uso da força. “Temos a ideia de paz como um bem precioso e insubstituível. Também individualmente nos países (por meio dos núncios apostólicos, os diplomatas do Papa), a diplomacia bilateral trabalha sobre esse ponto. Às vezes sem muito clamor, um pouco fora dos refletores, é possível progredir.”

Para o secretário de Estado, é urgente que a comunidade internacional estabeleça mais claramente quais são as diretrizes para “intervenções humanitárias” de caráter militar para restabelecer a paz em países que enfrentam grupos terroristas, guerras civis ou milícias. São necessárias, ainda, claras políticas de reconciliação pós-guerra. “É preciso mais do que nunca mudar o paradigma. Operar para prevenir a guerra em qualquer forma”, avalia.

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Igreja se une aos 4 milhões que protestam contra o terrorismo

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado na página 24 do jornal “O São Paulo”, em janeiro de 2015

Quase 4 milhões de manifestantes saíram às ruas no domingo (11) em diversas cidades da França para protestar contra os ataques terroristas que mataram 17 pessoas em três dias e chocaram o mundo.

A sequência de fatos surpreendentes começou em 7 de janeiro, quando atiradores invadiram a sede da publicação satírica Charlie Hebdo, em Paris, e mataram 12 pessoas, entre jornalistas, policias e funcionários. O jornal é conhecido por fazer fortes provocações a políticos e às religiões, especialmente o Islamismo, o Cristianismo e o Judaísmo. Nos dias seguintes, uma policial e outros quatro homens foram assassinados, dessa vez em um supermercado kosher (isto é, alimentos da tradição judaica). A organização terrorista Al Qaeda, formada por extremistas islâmicos, assumiu a responsabilidade pelos crimes. Líderes católicos de todo o mundo manifestaram profundo pesar pelos acontecimentos e criticaram qualquer forma de violência em nome da religião.

No mesmo dia 7, o Papa Francisco condenou duramente o “horrível atentado” em Paris, que “semeou a morte e espalhou consternação em toda a sociedade francesa, abalando profundamente todas as pessoas que amam a paz, muito além dos confins da França”. Ele também lançou, em sua conta na rede social Twitter seguida por 18 milhões de pessoas, a hashtag #PrayersForParis (orações por Paris, em inglês) e rezou pelas vítimas na missa celebrada na Casa Santa Marta, onde vive. “O atentado em Paris nos faz pensar a tanta crueldade, crueldade humana; seja o terrorismo isolado, seja terrorismo de Estado. Mas a crueldade da qual o homem é capaz!”, disse. “Rezemos pelas vítimas dessa crueldade. Tantas! E peçamos também pelos cruéis, para que o Senhor mude os seus corações.”

O cardeal francês Dom André Vingt-Trois

Todos em choque – O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, divulgou nota na qual manifestou enorme tristeza e luto pelas mortes em sua cidade. “Uma caricatura, ainda que de mau gosto, uma crítica, ainda que se gravemente injusta, não podem ser colocadas no mesmo plano de um homicídio. A liberdade de imprensa é, a qualquer custo, o sinal de uma sociedade madura”, comentou.

“Na França, estamos todos em choque. A maioria dos nossos cidadãos viveu essa situação como um apelo a redescobrir uma série de valores fundamentais de nossa república, como a liberdade de religião ou a liberdade de opinião”, acrescentou. “As reuniões espontâneas destes últimos dias se distinguem por um grande recolhimento, sem manifestação de ódio nem de violência.”

Dom Vingt-Trois ponderou que é importante não associar o fanatismo religioso a nenhuma religião. “Que ninguém se deixe levar pelo pânico ou pelo ódio; que nenhum se deixe levar pela simplificação de identificar qualquer fanático com a religião inteira. E rezemos também pelos terroristas, para que descubram a verdade do juízo de Deus.”

‘Sem liberdade de expressão, o mundo está em perigo’ – No Vaticano, uma declaração conjunta foi assinada pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, cardeal Jean-Louis Tauran, e quatro líderes muçulmanos franceses. A reunião entre eles já estava prevista antes mesmo dos ataques terroristas e ocorreu um dia após o primeiro atentado. “Nestas circunstâncias, é bom recordar que sem liberdade de expressão, o mundo está em perigo”, diz a declaração. Repetindo palavras do Papa Francisco, o texto ressoa que é “imperativo opor-se com qualquer meio à difusão do ódio e qualquer forma de violência, física e moral, que destrói a vida humana”. Além disso, o documento afirma que os líderes religiosos são chamados a promover cada vez mais “uma cultura de paz e de esperança”. Além do cardeal Tauran, assinam o texto o bispo de Evry, Dom Michel Dubost, e o Pe. Christophe Roucou, que trabalham nas relações com o Islã; e os imãs franceses Azzedine Gaci, Tareq Oubrou, Mohammed Moussaoui, e Djelloul Seddiki.

O terrorismo não está só na Europa – A Nigéria precisa do mesmo apoio que a França recebeu neste momento de dor. A declaração foi do arcebispo de Jos, Dom Ignatius Ayau Kaigama, em entrevista à rádio britânica BBC, após o ataque terrorista organizado pelo grupo extremista Boko Haram que matou 2 mil pessoas em apenas um fim de semana, na cidade de Baga, localizada na fronteira com o Chade. Alguns dos ataques utilizaram inclusive mulheres suicidas e crianças-bomba.

O arcebispo nigeriano Dom Ignatius Ayau Kaigama

De acordo com a Anistia Internacional, esse foi o massacre mais mortal do Boko Haram até o momento. O exército da Nigéria continua contra-atacando os terroristas para retomar o controle de Baga. “Vejo uma reposta muito positiva do governo francês combatendo este problema da violência religiosa depois da morte de seus cidadãos. Nós precisamos que esse espírito se espalhe, não só quando isso acontece na Europa”, criticou. “Mas também quando acontece na Nigéria, no Níger, em Camarões e muitos países pobres. Que mobilizemos nossos recursos internacionais para confrontar as pessoas que trazem tamanha tristeza para tantas famílias.”

À agência Fides, Dom Kaigama contou que a nova estratégia do Boko Haram é usar crianças inocentes nos ataques, que se explodem em meio a multidões, em mercados e outros ambientes públicos. “É uma aberração inimaginável”, deplorou. “Além disso, conhecemos bem o triste fenômeno dos meninos-soldados em diversas zonas da África.” Para o arcebispo, é preciso fazer mais para combater o terrorismo. “Espero também aqui uma grande manifestação de unidade nacional que supere as divisões políticas, étnicas e religiosas, para dizer ‘não’ à violência e encontrar uma solução para nossos problemas.” Segundo ele, tanto cristãos quanto muçulmanos são vítimas da violência do Boko Haram. Muitas vezes, as pesssoas fogem de suas cidades e, juntas, buscam abrigo em outro lugar.

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‘Corajoso cristão, incansável apóstolo’

Texto publicado na página 11 do jornal “O São Paulo”

Revela-se a imagem do recém-beatificado Papa Paulo VI na Praça de São Pedro, no Vaticano. Após a fórmula da beatificação dita pelo Papa Francisco, o novo “bem-aventurado” surge à multidão em uma foto grande, que pende da sacada central da basílica. Paulo VI aparece em pé, sorrindo e de braços abertos, gesto que na iconografia cristã representa a intercessão. Gesto, também, que muitos fazem ao serem acolhidos pelas massas, o que pode levar a crer que Paulo VI era um grande arrebatador de multidões. Não era. O chamado “papa do diálogo” era um homem sério e tímido. Discreto, sofreu por muito tempo em silêncio com problemas de saúde. Mas, em um mundo cada vez mais adverso à religião, entre 1963 e 1978, ouvia e estimulava diferentes vozes dentro e fora da Igreja. Falava pouco, mas escrevia muito. Abriu as portas para o diálogo com outros cristãos e outras religiões. Criticou o modo cruel como o mundo vinha se desenvolvendo. Organizou a discussão sobre o valor da vida humana. Seu pontificado ocorreu entre o de João XXIII, o “papa bom”, e o de João Paulo I, o “papa sorriso”, dois comunicadores muito populares. Mas foi por meio de seus ouvidos, seus textos e suas fortes decisões que Paulo VI conseguiu transformar a Igreja.

O Papa Francisco, buscando reverter a ideia de que o legado de Paulo VI não havia ainda sido reconhecido pela Igreja, aceitou beatificá-lo no dia 19 de outubro, na missa de conclusão do Sínodo dos Bispos sobre o tema da família. “Sobre este grande papa, este corajoso cristão, este incansável apóstolo, diante de Deus hoje não podemos não dizer uma palavra tão simples, sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso caro e amado Papa Paulo VI! Obrigado por seu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja!”, declarou, em sua homilia.

Francisco atribuiu a ele um grande exemplo de humildade e recordou um texto do diário de Paulo VI, no qual diz: “Talvez o Senhor tenha me chamado a este serviço não tanto porque eu tenha qualquer atitude, ou para que eu governe e salve a Igreja de suas presentes dificuldades, mas para que eu sofra alguma coisa pela Igreja, e fique claro que Ele, e não outro, a guia e a salva.” Segundo o Papa, “enquanto se formava uma sociedade secularizada e hostil, Paulo VI soube conduzir o timão da barca de Pedro com sabedoria voltada para o futuro – e às vezes na solidão –, sem perder nunca a alegria e a confiança no Senhor”.

Repercussão – Quando foi eleito papa, o então cardeal Giovani Battista Montini, arcebispo de Milão, escolheu para si o nome do “apóstolo missionário”. Segundo afirmou o cardeal Roger Etchegaray à agência Catholic News Agency, Paulo VI era “um papa que parecia ser tímido, discreto, mas que ao mesmo tempo tinha esse zelo missionário”. “Se eu tivesse que resumir Paulo VI em dois adjetivos diria que ele foi místico e profético”, afirmou. “Ele foi considerado um papa frio, mas foi realmente um místico. Aprofundar sua espiritualidade faria tão bem a qualquer um.”

De acordo com o escritor David Gibson, em artigo para a Religion News Service, são quatro as principais características de Paulo VI: a primeira, “reformador”, por ter promovido a colegialidade entre os bispos, a internacionalização da administração da Igreja e, mais do que isso, ter liderado grande parte do Concílio Vaticano II. A segunda, “um papa evangelizador”, pela essencial encíclica Evangelii Nuntiandi, de forte teor pastoral. A terceira, “um papa peregrino”, por ter sido o primeiro pontífice da era moderna a ter viajado para fora da Itália: visitou a Ásia, a África e a América Latina. E, quarta, ele foi um “construtor de pontes”, buscando sempre promover a unidade da Igreja e o “diálogo com o mundo”.

O biógrafo Russel Shaw, professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, disse à agência Aleteia que Paulo VI governou a Igreja durante um período muito duro. Os anos após o Concílio Vaticano II, que foi de 1962 a 1965, foram marcados por uma forte divisão ideológica. Discutia-se a questão dos métodos contraceptivos (que resultou na encíclica Humanae Vitae) e, em âmbito administrativo, viu-se várias pessoas deixarem a vida religiosa. “O vírus da dissidência se espalhou rapidamente e, com apoio da mídia, logo se impregnou”, conta Shaw. O papa do diálogo foi injustamente acusado por isso, pois, segundo Shaw, a divisão já existia antes dele. “Será que sua santidade foi construída e testada durante sua última e difícil década?” Com a beatificação, afirma o escritor, “aqueles que admiraram Paulo VI agora dizem: Até que enfim ele está recebendo o que merece.”

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Cracóvia já entra em ritmo de JMJ

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ, em Roma

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ

Especial para O SÃO PAULO em Cracóvia, Polônia (página 9)

A cerca de dois anos da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a cidade de Cracóvia já começa a traçar uma “estratégia geral” para sediar um dos maiores eventos do mundo. Nas semanas em que O SÃO PAULO esteve na Polônia, no fim de agosto, os principais responsáveis pela JMJ, como o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, cardeal polonês Stanisław Ryłko, viajavam por todo o país para articular questões de logística, acolhimento e pastoral. Assim como na edição de Madri, em 2011, são esperados cerca de dois milhões de peregrinos, o que demanda uma enorme estrutura e ótima organização por parte dos poloneses. Afinal, embora Cracóvia já seja uma cidade histórica, medieval, e cheia de atrativos turísticos, é relativamente pequena: tem menos de 800 mil habitantes.

O grande diferencial da JMJ de Cracóvia deve ser a presença de um expressivo número de jovens do Leste Europeu. “Por causa da distância, a Jornada do Rio de Janeiro (em 2013) foi praticamente inacessível para eles, mas também a anterior, de Madri (2011)”, recordou Aleksandra Szymczak, gerente do departamento de Comunicação da JMJ. Na ausência do novo secretário-geral, o padre polonês Grzegorz Suchodolski, foi ela quem conversou com a reportagem em nome do comitê organizador. “Agora, sendo a JMJ na Polônia, é uma oportunidade única.”

Aleksandra explicou que um programa chamado “Bilhete para o Irmão” vem sendo promovido para arrecadar fundos e bancar a viagem dos peregrinos de Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Uzbequistão. São nações que pertenceram à antiga União Soviética e ainda apresentam nível de desenvolvimento mais baixo do que a Europa Ocidental. “O programa permitirá comprar os ‘kits de peregrino’ para eles (mochilas, livros de oração, camisetas, chapéus e objetos religiosos).” Procuram-se patrocinadores que queiram ajudar e, além disso, voluntários da JMJ têm realizado campanhas de arrecadação nos grandes santuários da Polônia, como o da Divina Misericórdia e o de João Paulo II, ambos em Cracóvia, e o Santuário de Nossa Senhora de Częstochowa.

Novo site em 8 idiomas – Pela primeira vez o site oficial da Jornada (www.krakow2016.com) será traduzido para o idioma ucraniano, além das outras sete línguas oficiais (inglês, espanhol, português, francês, italiano, alemão e polonês). “Estamos em momento de preparação do novo site e daqui a dois meses esperamos concluí-lo já com todas as línguas oficiais, inclusive português, que atualmente não funciona”, afirmou Aleksandra. A novidade se deve, primeiro, à proximidade geográfica da Polônia com a Ucrânia. Um grande grupo de ucranianos se prepara para ir à JMJ. E, também, aos confrontos recentes na Ucrânia, ligados à força política e militar da Rússia. A Igreja tem procurado dar grande apoio espiritual aos fiéis daquela região.

Uma cidade em obras – Cracóvia está rodeada de canteiros de obras, como para ampliação do aeroporto e expansão de estradas. Embora sejam úteis para a JMJ de 2016, Alesksandra ponderou que essas obras públicas não têm relação direta com o evento. “Nos últimos 15 anos, estamos em obras constantemente na Polônia. São mudanças que melhoram a vida diária dos poloneses, principalmente desde que entramos na União Européia (em 2004)”, disse. De qualquer maneira, “a Jornada será beneficiada, e pode ser que as obras sejam intensificadas por causa da Jornada”, mas são sempre os governos que as colocam em prática.

No que depende da organização da própria JMJ, está pendente a escolha do local onde serão realizados os atos centrais (as missas de abertura , encerramento e a cerimônia de acolhida do Papa). Aleksandra confirma que o campo de Błonia, na área menos urbana de Cracóvia, será usado. “É quase certo que os três atos centrais serão celebrados nesse campo, onde aconteceram todos os encontros com João Paulo II em Cracóvia. No entanto, para a missa de envio ainda estamos pensando, junto ao Vaticano e aos serviços de segurança da Polônia, se Błonia é mesmo o lugar mais adequado.” Considerando que os peregrinos costumam passar toda a noite em vigília de oração antes da última missa, a decisão requer atenção redobrada para evitar erros de planejamento observados no passado.

Enquanto esperam, os fiéis poloneses rezam pelo bom andamento da JMJ. “Já temos vários programas de preparação espiritual na Polônia”, comentou Aleksandra. Nos dias 26 de cada mês, grupos de jovens se reúnem para rezar pela organização. Outra iniciativa é envolver pessoas com problemas de saúde, pedindo-as que rezem pelo maior encontro de jovens do mundo. “Queremos mostrar que elas são necessárias para a JMJ, que não só precisam de ajuda, mas que nós precisamos delas.”

Segundo Aleksandra, a expectativa é de que peregrinos de todo o Brasil possam participar da JMJ de Cracóvia, especialmente depois que o Rio de Janeiro sediou o encontro. “Esperamos os brasileiros e já temos vários voluntários que querem vir do Brasil. Por causa da experiência e da alegria dos brasileiros, estamos esperando!”

Leia aqui a edição completa do jornal O São Paulo

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‘Canonização de dois papas foi convite à unidade”, diz vaticanista John Allen Jr

john allenPublicamos agora aqui no blog um trecho e o link para nossa entrevista com o vaticanista John Allen Jr, que saiu no jornal O São Paulo no fim de abril, após a canonização dos papas João Paulo II e João XXIII. Segundo John Allen, do jornal Boston Globe, a decisão do papa Francisco juntar a canonização de João 23 e João Paulo 2o é um convite à unidade.

Por que o papa Francisco resolveu canonizar os dois papas juntos?

John Allen Jr. – Veja, uma coisa para nunca esquecer sobre o papa Francisco: sim, ele é um homem humilde, simples, é o papa dos pobres, mas sob tudo isso está a mente de um brilhante político jesuíta. Ele sabe que, no ambiente católico, por mais equivocado que isso seja, João 23 é visto como um herói da esquerda e João Paulo 2o é visto como um herói da direita. Então, se você canoniza um deles separadamente, corre o risco de parecer a ‘volta olímpica’ de um lado ou de outro na Igreja, em termos de debates. Mas se você coloca os dois juntos, é um claro convite à unidade. E acho que a unidade é muito importante para este Papa.

Você trabalhou como vaticanista no pontificado de João Pau- lo 2o, de 1998 a 2005. Como descreveria as mudanças pelas quais ele passou ao longo o pontificado?

John Allen Jr. – Uma das coisas que me surpreenderam foi o quão ativo ele permaneceu no seu período de declínio físico. Eu cobri viagens que ele fez em 2003 e 2004. No fim delas, eu estava exausto! Imagine esse homem! Infelizmente, nossas memórias de João Paulo 2o, neste momento, estão muito condicionadas pela forma como ele morreu. O que as pessoas lembram é aquele homem frágil, ancião, morrendo em público. Veja, as pessoas foram inspiradas por isso, se comoveram, mas isso tem um efeito distorcido porque nós esquecemos como ele começou. Se voltarmos a 1978, ele era tipo (o ator) John Wayne de batina! Era um “super-herói”, vigoroso, arrojado, atleta- -alpinista de Deus! Ele pegou omundo como uma tempestade.

Clique aqui para ler o restante da entrevista, que você encontra na página 12 da versão digital do jornal O São Paulo

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A China à espera de um milagre, segundo o cardeal Zen Ze-kiun

Cardeal Zen Ze-kiun em conferência organizada pelo Acton Institute

Cardeal Zen Ze-kiun em conferência organizada pelo Acton Institute

Tanto a abertura econômica da China quanto a opressão religiosa são necessárias para a sobrevivência do Partido Comunista chinês, afirmou hoje o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong. Em conferência realizada em Roma pelo Acton Institute para discutir a relação entre liberdade econômica e liberdade religiosa, Dom Zen fez fortes críticas ao modelo de desenvolvimento chinês e à intervenção do governo nas atividades da Igreja.

Igreja em combate – “Gosto de esperar que o Papa Francisco possa realizar na China o mesmo milagre que João Paulo II fez na Checoslováquia”, declarou o bispo, referindo-se à contribuição de João Paulo II para a queda do regime comunista na União Soviética e a uma intensa participação do Papa na igreja clandestina daquele período. “Ele transformou a Igreja de algo temeroso ao regime em uma combatente corajosa.”

O cardeal de 82 anos, nascido em Xangai, relatou a difícil situação da igreja clandestina na China, que funciona sem permissão do governo. A igreja oficial é controlada pelo Partido Comunista. “O governo força nosso povo a agir contra a sua consciência”, criticou.

Relação conturbada – Oficialmente, estima-se que haja de 12 a 15 milhões de católicos na China, uma minoria no país de 1,4 bilhão de habitantes. O governo chinês obrigou os católicos a romperem suas relações com o Vaticano em 1951 e, seis anos depois, criou quase que uma igreja própria, tida como oficial, e chamada Associação Católica Patriótica Chinesa (ACCP, em inglês). Desde então, os cristãos da China enfrentam o dilema entre seguirem a Igreja Católica Apostólica Romana na clandestinidade ou ceder às exigências do governo e frequentar as atividades da ACCP.  Desde o fim de 2010, a China voltou a ordenar bispos sem a nomeação do Papa. Essa prática havia sido interrompida em 2006. A partir daquele ano, num acordo informal, os bispos ordenados eram aceitos tanto pelo Papa quanto pelo governo.

Segundo o cardeal, o Papa Bento XVI procurou dialogar com o governo chinês para garantir maior liberdade religiosa. “Ele não poderia ter feito mais pela Igreja da China. Enviou em 2007 uma carta e uma comissão especial. Mas a igreja já estava em uma situação lastimável”, comentou. “Não há uma conferência episcopal e a Associação Católica é um instrumento do Partido. Eles pagam os bispos para fazer parte do governo. Alguns são obrigados, outros são oportunistas. Mais do que sofrer pressão, os bispos da China são humilhados.”

Economia e política – O bispo emérito de Hong Kong disse, ainda, que a abertura econômica na China foi acompanhada pela forte corrupção no país. “A corrupção vem do poder. Poder absoluto causa corrupção absoluta”, comparou. “Sou um homem velho e não posso esperar muito para ver mais liberdade na China.”

Segundo Dom Zen, a abertura econômica na China não é um milagre, pois ocorreu com base na violação de direitos humanos, como a exploração do trabalho de baixo custo. “Quem se beneficiou desse milagre?”, questionou, lembrando a frase do líder reformista da China Deng Xiaping “Deixemos alguns ficarem ricos primeiro”. Para o cardeal, uma verdadeira reforma econômica chinesa deveria envolver também uma reforma política. “Poder e dinheiro são inseparáveis. E o poder está nas mãos do Partido.”

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Papa Francisco reforça conhecida expressão ‘Não tenham medo’

Liturgia da Luz

Não tenham medo. Uma frase do Evangelho que se tornou célebre na boca de João Paulo II foi repetida com ênfase pelo Papa Francisco na vigília pascal do Sábado Santo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Francisco se referia ao momento em que, conforme São Mateus, um grupo de mulheres percebe que o corpo de Jesus já não está mais no sepulcro. Quando se encontram com Jesus ressuscitado no caminho, elas se assustam, mas Cristo diz: “Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos”. Para o pontífice, essa forte afirmação “é uma voz que encoraja o coração”.

O destaque para esse trecho não ocorre por acaso. Embora o Papa Francisco não tenha feito nenhuma referência explícita a João Paulo II, nos últimos meses vem sinalizando ua sintonia com os papas que serão canonizados em 27 de abril – João Paulo II e João XXIII. Para citar dois exemplos, no Domingo de Ramos, Francisco usou vestes que pertenceram ao papa Karol Wojtyła. E, já no último Natal, visitou o hospital infantil Bambino Gesù (Menino Jesus), como fizera o papa Angelo Roncalli.

Leia a íntegra de nossa reportagem na página 12 do jornal O São Paulo.

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