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A caminho da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado no Jornal “O São Paulo”, em setembro de 2015

Começou a contagem regressiva para a Jornada Mundial da Juventude de 2016. Literalmente. Quando O SÃO PAULO esteve em Cracóvia, no fim de julho, faltavam 362 dias, três horas, 43 minutos e 49 segundos para a abertura do evento, que reunirá na Polônia jovens católicos do mundo inteiro juntos ao Papa.

Um painel eletrônico tinha acabado de ser instalado na fachada da Basílica de Santa Maria, na praça principal da cidade Rynek Główny. Bandeiras coloridas com o símbolo polonês da JMJ foram espalhadas pela praça, criando o clima de que a JMJ já está para começar. Barracas de divulgação do evento foram instaladas e jovens voluntários caminham pelos principais santuários da Polônia, como o de Czestochowa. O Santuário é parada obrigatória para todo peregrino no país: ali está a imagem milagrosa da Nossa Senhora Negra, chamada “rainha da Polônia”.

A divulgação da JMJ se intensificou exatamente um ano antes do seu início. Na oração do Ângelus de 26 de julho, o Papa Francisco inaugurou pessoalmente as inscrições, num tablet. “Aí está! Acabo de me inscrever como peregrino neste dispositivo eletrônico”, disse, convidando os jovens do mundo inteiro a fazerem o mesmo. A estratégia teve efeito. Em apenas duas semanas, mais de 200 mil se cadastraram pelo site www.krakow2016.com/pt/.

Para receber os 2,5 milhões de peregrinos esperados para a JMJ, a organização e o governo local estão preparando dois grandes espaços abertos. O primeiro está no parque de Błonia, uma área de 48 hectares, no centro de Cracóvia. O outro, onde será a missa final, é uma área cinco vezes maior, na zona industrial que fica entre Cracóvia e Wieliczka. A região é famosa por sua enorme (extração ou mineração) de sal, reconhecido patrimônio da humanidade.

Uma JMJ europeia

O responsável pelo setor Comunicação do Comitê Organizador da JMJ, o padre salesiano polonês Adam Parszywka, falou com a reportagem sobre os preparativos para a Jornada. Segundo ele, espera-se uma JMJ com grande presença de jovens europeus, assim como a do Brasil recebeu muitos sul-americanos. “Prevemos que a maioria dos peregrinos seja de poloneses, porque estão em casa. O segundo país mais numeroso deve ser a Itália”, disse. Estima-se que até 900 mil jovens poloneses e 120 mil italianos sejam inscritos.

O Padre Adam ainda não soube estimar quantos brasileiros atravessarão o oceano para participar da JMJ, mas aguarda uma presença significativa. “Dois anos atrás, os brasileiros foram aqueles que acolheram a gente. Agora, estão aqui para ajudar os poloneses. Também se sentem donos dessa festa espiritual da Igreja”. Esses números por nação consideram os peregrinos inscritos, mas muitos viajam por conta própria. “Como são jovens, os participantes agem espontaneamente. Muitos não fazem inscrição, vão chegar na hora. Pegam o carro, se colocam em grupinhos, chamam os outros e chegam”, brincou.

Importância da inscrição

O ideal, especialmente para os grupos numerosos, é que se inscrevam junto à organização e informem o setor de logística do Comitê sobre os lugares que planejam visitar. Os santuários poloneses, como o de Czestochowa e o da Divina Misericórdia, são relativamente pequenos e é impossível entrar muita gente ao mesmo tempo. Padre Adam afirmou que a organização pretende privilegiar as visitas dos estrangeiros durante a JMJ. “Os poloneses podem vir quando quiserem. Quem vem da Austrália, do Brasil, muitas vezes virá só uma vez na vida. É preciso ter a oportunidade de rezar lá.”

Além disso, viajantes inscritos têm direito ao kit do peregrino (mochila, livros, objetos religiosos) e podem incluir alimentação e hospedagem no pacote. Muitos terão de ser alojados em cidades próximas a Cracóvia, que possui somente 800 mil habitantes, menos da metade do que se espera receber durante a Jornada. No entanto, Padre Adam garante que os inscritos não terão de viajar mais de uma hora para chegar aos eventos principais. “Para Cracóvia, tudo isso será uma aventura muito grande! A cidade não é tão grande como as cidades do Brasil”, declarou o Sacerdote.

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A maior missa papal da história

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado na página 16 do jornal “O São Paulo”, em janeiro de 2015

Uma multidão de seis a sete milhões de pessoas participou da missa celebrada pelo Papa Francisco no último domingo (18) em Manila, nas Filipinas. O pontífice realizou uma visita de cinco dias ao país asiático, depois de passar também pelo Sri Lanka. O número de pessoas na missa, divulgado pelas autoridades locais, é o maior já registrado na história dos papas – supera, inclusive, a missa celebrada por João Paulo II no mesmo parque, chamado Rizal, em 1995, durante a Jornada Mundial da Juventude. Nas Filipinas, 86% da população de 100 milhões de pessoas se diz católica.

Em sua homilia, Papa Francisco voltou denunciou os problemas sociais. Para ele, a distorção da criação divina pelo ser humano construiu “estruturas sociais que tornaram permanente a pobreza, a ignorância e a corrupção”. No dia da celebração do Menino Jesus – terceiro domingo de janeiro –, ele comentou a importância de “proteger as nossas famílias, aquela maior família, que é a Igreja, família de Deus, e o mundo, nossa família humana”. Segundo o Papa, “hoje a família precisa ser protegida de ataques traiçoeiros e de programas contrários a tudo o que consideramos verdadeiro e sagrado”. Cada criança precisa ser vista como “um dom a ser acolhido, amado e protegido”, disse, e os jovens precisam de esperança.

O frequente apelo do papa por justiça social torna a figura de Francisco muito popular nas Filipinas, o que ajuda a explicar o porquê de tanta gente nos eventos. Um quarto da população do país vive em situação de extrema pobreza, com menos de US$ 1,25 por dia (pouco mais de R$ 3,00). “Aqui nas Filipinas, inúmeras famílias ainda sofrem por causa dos efeitos dos desastres naturais. A situação econômica fez com que famílias fossem separadas pela migração e pela busca de emprego, e os problemas financeiros atingem muitos lares”, lamentou o papa em encontro com o presidente filipino, Benigno S. Aquino III, assim que chegou.

Lágrimas – De fato, a dor do povo filipino foi o principal motivo para que Francisco tomasse pessoalmente a decisão de visitá-los. Quando o tufão Haiyan matou 6,3 mil pessoas e deixou mais de mil desaparecidas, em novembro de 2013, o papa teve a certeza de que precisava ir às Filipinas. “Naquele dia, eu senti que deveria estar aqui”, declarou, na missa celebrada no dia 16 de janeiro em Tacoblan, local mais atingido pelo desastre. “Estou aqui para estar com vocês. Um pouco atrasado, reconheço, mas estou aqui.”

A forte chuva e o vento de 100 km/h levaram o papa e os concelebrantes a usar capas de chuva de plástico, as mesmas distribuídas para o povo. Em clima de profunda emoção, ele admitiu não ter grandes respostas para um momento de tanta dor: “Não sei o que dizer a vocês. Muitos de vocês perderam parte de suas famílias. Tudo o que posso fazer é manter o silêncio. Caminho com todos vocês, com meu coração silencioso.”

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Cracóvia já entra em ritmo de JMJ

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ, em Roma

Poloneses recebem dos brasileiros os Símbolos da JMJ

Especial para O SÃO PAULO em Cracóvia, Polônia (página 9)

A cerca de dois anos da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a cidade de Cracóvia já começa a traçar uma “estratégia geral” para sediar um dos maiores eventos do mundo. Nas semanas em que O SÃO PAULO esteve na Polônia, no fim de agosto, os principais responsáveis pela JMJ, como o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, cardeal polonês Stanisław Ryłko, viajavam por todo o país para articular questões de logística, acolhimento e pastoral. Assim como na edição de Madri, em 2011, são esperados cerca de dois milhões de peregrinos, o que demanda uma enorme estrutura e ótima organização por parte dos poloneses. Afinal, embora Cracóvia já seja uma cidade histórica, medieval, e cheia de atrativos turísticos, é relativamente pequena: tem menos de 800 mil habitantes.

O grande diferencial da JMJ de Cracóvia deve ser a presença de um expressivo número de jovens do Leste Europeu. “Por causa da distância, a Jornada do Rio de Janeiro (em 2013) foi praticamente inacessível para eles, mas também a anterior, de Madri (2011)”, recordou Aleksandra Szymczak, gerente do departamento de Comunicação da JMJ. Na ausência do novo secretário-geral, o padre polonês Grzegorz Suchodolski, foi ela quem conversou com a reportagem em nome do comitê organizador. “Agora, sendo a JMJ na Polônia, é uma oportunidade única.”

Aleksandra explicou que um programa chamado “Bilhete para o Irmão” vem sendo promovido para arrecadar fundos e bancar a viagem dos peregrinos de Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Uzbequistão. São nações que pertenceram à antiga União Soviética e ainda apresentam nível de desenvolvimento mais baixo do que a Europa Ocidental. “O programa permitirá comprar os ‘kits de peregrino’ para eles (mochilas, livros de oração, camisetas, chapéus e objetos religiosos).” Procuram-se patrocinadores que queiram ajudar e, além disso, voluntários da JMJ têm realizado campanhas de arrecadação nos grandes santuários da Polônia, como o da Divina Misericórdia e o de João Paulo II, ambos em Cracóvia, e o Santuário de Nossa Senhora de Częstochowa.

Novo site em 8 idiomas – Pela primeira vez o site oficial da Jornada (www.krakow2016.com) será traduzido para o idioma ucraniano, além das outras sete línguas oficiais (inglês, espanhol, português, francês, italiano, alemão e polonês). “Estamos em momento de preparação do novo site e daqui a dois meses esperamos concluí-lo já com todas as línguas oficiais, inclusive português, que atualmente não funciona”, afirmou Aleksandra. A novidade se deve, primeiro, à proximidade geográfica da Polônia com a Ucrânia. Um grande grupo de ucranianos se prepara para ir à JMJ. E, também, aos confrontos recentes na Ucrânia, ligados à força política e militar da Rússia. A Igreja tem procurado dar grande apoio espiritual aos fiéis daquela região.

Uma cidade em obras – Cracóvia está rodeada de canteiros de obras, como para ampliação do aeroporto e expansão de estradas. Embora sejam úteis para a JMJ de 2016, Alesksandra ponderou que essas obras públicas não têm relação direta com o evento. “Nos últimos 15 anos, estamos em obras constantemente na Polônia. São mudanças que melhoram a vida diária dos poloneses, principalmente desde que entramos na União Européia (em 2004)”, disse. De qualquer maneira, “a Jornada será beneficiada, e pode ser que as obras sejam intensificadas por causa da Jornada”, mas são sempre os governos que as colocam em prática.

No que depende da organização da própria JMJ, está pendente a escolha do local onde serão realizados os atos centrais (as missas de abertura , encerramento e a cerimônia de acolhida do Papa). Aleksandra confirma que o campo de Błonia, na área menos urbana de Cracóvia, será usado. “É quase certo que os três atos centrais serão celebrados nesse campo, onde aconteceram todos os encontros com João Paulo II em Cracóvia. No entanto, para a missa de envio ainda estamos pensando, junto ao Vaticano e aos serviços de segurança da Polônia, se Błonia é mesmo o lugar mais adequado.” Considerando que os peregrinos costumam passar toda a noite em vigília de oração antes da última missa, a decisão requer atenção redobrada para evitar erros de planejamento observados no passado.

Enquanto esperam, os fiéis poloneses rezam pelo bom andamento da JMJ. “Já temos vários programas de preparação espiritual na Polônia”, comentou Aleksandra. Nos dias 26 de cada mês, grupos de jovens se reúnem para rezar pela organização. Outra iniciativa é envolver pessoas com problemas de saúde, pedindo-as que rezem pelo maior encontro de jovens do mundo. “Queremos mostrar que elas são necessárias para a JMJ, que não só precisam de ajuda, mas que nós precisamos delas.”

Segundo Aleksandra, a expectativa é de que peregrinos de todo o Brasil possam participar da JMJ de Cracóvia, especialmente depois que o Rio de Janeiro sediou o encontro. “Esperamos os brasileiros e já temos vários voluntários que querem vir do Brasil. Por causa da experiência e da alegria dos brasileiros, estamos esperando!”

Leia aqui a edição completa do jornal O São Paulo

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Três pontos importantes sobre a viagem do Papa Francisco ao Brasil

O pontificado do Papa Francisco pode ser dividido entre antes e depois da viagem ao Brasil. A viagem para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), entre 22 e 28 de julho, já é considerada o fato mais importante de seu pontificado até agora. Poderíamos analisar muitos aspectos dessa viagem: cada mensagem e cada discurso carregam um profundo conhecimento sobre o que é a Igreja e sobre os problemas da atualidade.

Porém, queremos destacar neste post apenas três pontos que consideramos essenciais nessa discussão. São três aspectos dessa viagem que, a nosso ver, não podem ser ignorados por ninguém que queira entender algo sobre a importância da visita do Papa ao Brasil. Dividimos em tópicos para facilitar sua leitura.

1) Um marco para o pontificado – Em sua primeira “viagem apostólica”, o primeiro Papa latino-americano viajou para o maior país da América Latina. Coincidência ou Providência Divina, a viagem já havia sido marcada pelo seu predecessor, o agora Papa Emérito Bento XVI. Enquanto esteve no Brasil Francisco teve a oportunidade de falar para diversos grupos sociais: os jovens, as autoridades políticas, os padres e bispos, os pobres, as famílias, os idosos, os artistas, os dependentes químicos…

Mais do que isso, Francisco tratou de praticamente todos os temas que a Igreja pretende apresentar à sociedade, inclusive os polêmicos. Diversas vezes pediu uma “Igreja que caminha” com as pessoas; uma Igreja que é mãe e que “abrace” os seus filhos, especialmente os que sofrem mais, numa “cultura do encontro”; pediu que a Igreja vá às periferias do mundo e aos jovens, que deixem “Cristo e sua Palavra entrarem” em suas vidas, sendo verdadeiros discípulos em missão. Disse que jovens e idosos estão condenados ao mesmo destino: a exclusão. “Não se deixem descartar”, alertou.

Não deixou de responder a perguntas de jornalistas sobre os escândalos na Cúria Romana e no banco do Vaticano (IOR), disse que a ordenação de mulheres para o sacerdócio é um “assunto encerrado” e reiterou que seu posicionamento nas questões do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo da Igreja. “Sou filho da Igreja”, lembrou. Ganhou as manchetes dos jornais, porém, quando disse que “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, pra julgá-la?”. Como disse o vaticanista John Allen Jr, Francisco é provavelmente “O Papa da Misericórdia“, pois essa é a mensagem principal que deseja transmitir.

Talvez um dos discursos mais contundentes, porém, tenha sido aquele que fez aos bispos representantes da América Latina e do Caribe, quando praticamente traçou uma espécie de “plano de governo”. Disse que na América Latina “estamos muito atrasados” e apontou todos os problemas da Igreja na região – mas ao mesmo tempo falando para o mundo inteiro. Criticou os padres e bispos “de sacristia” e pediu que a Igreja vá para as ruas. “Serve uma Igreja que, na sua noite, não tenha medo de sair.”

643952_660864050607629_996257171_nFoi no Brasil que Francisco disse ao mundo com todas as palavras a que veio. Desde sua eleição, embora ele já estivesse muito ativo e muito presente na mídia internacional, havia ainda muitas dúvidas sobre seu posicionamento, sobre seu entendimento a respeito dos problemas da Igreja, sobre o que planejava fazer em seu pontificado. As revelações vinham a conta-gotas em suas homilias diárias na Casa Santa Marta, onde mora, nas audiências públicas, nas orações do Angelus… Mas quando veio ao Brasil, Francisco falou claramente e não deixou mais dúvidas a respeito do que pensa sobre os mais diversos assuntos.

2) Uma mudança de tom e de estilo, mas não de conteúdo – Também foi no Brasil que Francisco esclareceu: veio para reformar muitas coisas, principalmente as estruturas e os comportamentos que estão errados. Mas também veio para manter e fortalecer outras coisas, como os ensinamentos da Igreja e (como bom jesuíta) seu espírito missionário. Embora ele seja nitidamente diferente de seu antecessor em vários aspectos, as mensagens dos dois estão em completa sintonia.

É verdade que Francisco é mais carismático, mais próximo do povo, mais sorridente, mais simples, talvez até mais objetivo que Bento XVI. Porém, suas mensagens se baseiam na mesma compreensão de mundo, aquela da Igreja. Por exemplo, na questão sobre os homossexuais, quando declarou que eles devem ser acolhidos pela Igreja e inseridos na sociedade, está praticamente repetindo o que diz o Catecismo da Igreja Católica. Não é uma coisa nova. Mas há sim um coisa nova quando diz “Quem sou eu para julgá-los?”. Aí temos uma mudança de tom e de estilo. Temos um Papa que não se vê na posição de julgar os outros e que, em Roma, já havia dito: “também sou pecador” e “sou igual a todos vocês”.

Nesse mesmo sentido, Francisco deixou claro desde o início que pretende ser mais “colegial”, ou seja, quer dividir suas responsabilidades com os outros bispos, que trata como seus colegas – esse é um dos motivos pelos quais destaca o Papa como “bispo de Roma”. Diz-se que o Papa é o primeiro entre iguais e ao assumir isso ele está mais acessível aos outros bispos. Uma mudança no estilo de governo.

O conteúdo de seus ensinamentos, porém, está em continuidade com os antecessores. Uma forte evidência disso é o fato de que Francisco praticamente só assinou a última encíclica de Bento XVI, Lumen Fidei (Luz da Fé), dando alguns retoques. Ele quis mostrar nesse gesto que os dois estão em total sintonia. Igualmente, Bento XVI também já afirmou que teologicamente está de acordo com tudo o que diz e faz o Papa Francisco.

3) A mídia e o Papa – É curioso notar a nova relação que se estabeleceu entre o Papa e a mídia internacional. Nossos colegas jornalistas (falando de modo geral) costumam ter uma abordagem predominantemente negativa a respeito da Igreja, tratando-a como uma instituição atrasada e conservadora, retrógrada, parada na Idade Média ou algo do tipo. Porém, Francisco desde o início foi capaz de, se não mudar, pelo menos amenizar isso e a cobertura da imprensa (de novo, falando de modo geral) foi muito positiva para a Igreja.

Francisco foi quase sempre descrito como um homem inteligente, carismático, simpático, carinhoso, próximo ao povo e, acima de tudo, humilde. Francisco não é bobo, e sabe a importância de tornar públicos os gestos que fortaleçam essa imagem (lembre-se de quando ele, após sua eleição ao papado, voltou para pagar a conta no hotel onde havia ficado quando cardeal, “para dar o exemplo”). Mas ao mesmo tempo, não está fingindo e não faz isso só para agradar. Esse é o verdadeiro Francisco. Aliás, esse é o verdadeiro Jorge Mario Bergoglio, basta conversar com qualquer um que o conhecesse pessoalmente em Buenos Aires.

“Esses leões não são assim tão ferozes”, disse o Papa na viagem de ida ao Brasil, respondendo a uma jornalista que havia dito algo como “o senhor foi colocado na jaula dos leões”, referindo-se ao grupo de jornalistas que viaja junto com o Papa no avião. Naquela viagem, Francisco pediu que os jornalistas o ajudassem a levar uma mensagem de esperança ao mundo e, na volta, elogiou o trabalho deles. Os jornalistas, por sua vez, pareciam encantados com um Papa que não só deu entrevistas, como o fez por mais de uma hora e respondeu a todas as perguntas, sem fugir do tema. Além disso, o Vaticano já está bem mais treinado no relacionamento com a mídia, principalmente por meio do porta-voz, Pe. Federico Lombardi.

A viagem de Francisco ao Brasil mostrou, mais uma vez, como é cada vez mais importante que os Papas saiam do Vaticano e viajem pelo mundo. Muitas das coisas que o Papa falou no Brasil ele já havia falado em Roma – como quando disse que sem sair às ruas a Igreja vira uma ONG, por exemplo. Mas o fato de ele estar fisicamente no Brasil fez com que quase toda a mídia brasileira parasse para ouvi-lo e, consequentemente, todo o povo, até os não católicos.

A imagem do Papa Francisco ficou escancarada na imprensa por uma semana. Assim, muitas de suas mensagens que não haviam chegado ainda àquele público, por fim chegaram. É de se esperar que daqui para a frente, mesmo de volta ao Vaticano, Francisco continue chegando às casas das famílias brasileiras pelos meios de comunicação. Afinal, parece mesmo que “esses leões não são assim tão ferozes”.

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Visita do Papa Francisco ao Brasil

20130729_600O portal G1 fez um bom infográfico com a agenda da visita do Papa Francisco ao Brasil, a primeira viagem apostólica de seu pontificado. A Rádio Vaticano vai transmitir todos os eventos abertos na internet, e você pode acompanhar por meio desse link.

A grande preocupação das autoridades e dos organizadores neste momento se refere à segurança do Papa e dos peregrinos, especialmente num momento em que o país passa por uma onda de protestos, alguns deles violentos. O governo e o próprio Papa estão confiando, entretanto, no caráter pacífico dos eventos.

A viagem de Francisco ao Brasil está despertando a atenção da imprensa internacional e o Papa virou capa de diversas publicações internacionais, entre elas a famosa revista americana “Time”. A reportagem de capa, de Howard Chua-Eoan, diz que Francisco está “redefinindo o papado com humildade e candura”, questionando: “Será que ele consegue restaurar as fortunas da Igreja na América Latina?”

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Como anda a saúde do 6º Papa mais velho de que se tem notícia

Ele já superou a idade de João Paulo II

Bento XVI já é o sexto Papa mais velho de que se tem notícia na História da Igreja, conforme relatou hoje a agência de notícias Rome Reports. O pontífice completou 84 anos, 10 meses, 2 semanas e 1 dia, e, portanto, superou o tempo de vida do Papa João Paulo II, que morreu em 2005. Em 16 de abril completará 85 anos. O Papa mais idoso de que se tem notícia até hoje é Leão XIII, que morreu com 93 anos. Mas os registros só vão até o ano 1400. Antes disso, não é possível saber precisamente as idades dos Papas.

Li em algum lugar no passado, que já não vou mais lembrar onde foi (portanto posso estar um pouco enganad0) que Bento XVI costuma passar as manhãs rezando e se atualizando sobre as notícias da Igreja e do mundo. Almoça e, à tarde, participa de reuniões, audiências ou escreve e revisa seus textos e discursos. Trata-se de uma rotina intensa para um idoso.

Isso tem despertado uma série de questionamentos sobre a saúde do Papa nos últimos meses. Afinal, ele já não é nenhum moço. Essas dúvidas surgiram especialmente desde o fim do ano passado, quando Bento XVI resolveu assumir publicamente certa fragilidade física (e natural): passou a usar uma plataforma com rodinhas para se movimentar dentro da Basílica de São Pedro. Segundo o Vaticano, o objetivo é evitar um cansaço desnecessário. De acordo com a Rome Reports, outra mudança adotada foram as reuniões com grupos de bispos, em vez de encontros individuais, para gastar menos tempo e poupar energias.

Em sua última viagem à África, no Benin, em novembro de 2011, o Papa teria demonstrado um vigor incomum para sua idade. Mas, mesmo assim, pessoas mais próximas notaram seu esgotamento após enfrentar temperaturas de 32º e elevada umidade. Pude perceber o mesmo pessoalmente durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Madri, na Espanha, quando notei um nítido desgaste no vigor físico de Bento XVI em meio a temperaturas próximas de 40º e fortes chuvas e ventos durante a vigília do sábado.

Lembro que, quando o Papa esteve no Brasil, em 2007, me assustei com a rapidez com que ele desceu do avião. Já na Espanha, em 2011, caminhava devagar e passava a maior parte do tempo sentado. Na Via Sacra da JMJ, fez apenas as orações iniciais e final.

A jornalista Barbie Latza Nadeau relata quais são os principais problemas de saúde que Joseph Ratzinger já teve: um acidente vascular cerebral (AVC) em 1991, antes de se tornar Papa, o que afetou sua visão; em 1992 teve um “apagão” na visão, caiu no banheiro e precisou de pontos na cabeça; em 2009, já como Papa, caiu e quebrou o pulso, precisando de cirurgia. Sem contar o dia em que uma moça o empurrou na Missa de Natal do mesmo ano, embora não o tenha machucado.

Diante de rumores de que o Papa estaria muito cansado, o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, disse em dezembro que Bento XVI não tem nenhuma condição médica que cause preocupação neste momento. Não há motivos para pânico. A decisão de usar a plataforma com rodinhas teria sido apenas uma precaução, para que o Papa pudesse chegar mais tranquilamente ao altar da Basílica após percorrer cerca de 100 metros.

Outro motivo que leva a especulações sobre a saúde do Papa é o fato de que Bento XVI teria dito ao jornalista e escritor alemão Peter Seewald, há mais de dois anos, que não hesitaria em renunciar ao cargo se não se sentisse em condições “físicas, psicológicas e espirituais” para conduzir seu rebanho adequadamente. Seria o primeiro Papa a renunciar em 700 anos. Isso ficou na memória de muita gente. Mas vale lembrar que essas especulações são muito comuns: dizia-se o mesmo quando João Paulo II já estava bastante idoso.

De qualquer forma, Bento XVI não se deixou abalar pela idade. Já tem viagem marcada para México e Cuba (em março), para o Líbano (em setembro) e para o Rio de Janeiro (em julho de 2013). Além disso, em outubro deste ano deve presidir as intensas e longas celebrações do início do “Ano da Fé”, no Vaticano, ocasião que deve reunir bispos e padres do mundo inteiro.

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