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‘Estou bem e vivo como um monge’, diz Bento XVI a jornalista alemão

Francisco dá boas-vindas a Bento XVI na residência Mater Ecclesiae, no Vaticano

Francisco deu boas-vindas a Bento XVI na residência Mater Ecclesiae, no Vaticano

O Papa emérito Bento XVI encontrou o jornalista alemão Manfred Lütz por alguns minutos na última semana e afirmou estar bem em sua nova residência, o mosteiro Mater Ecclesiae, localizado dentro do território do Vaticano. Após sua renúncia, anunciada em 11 de fevereiro de 2013, ele declarou que buscaria se esconder do mundo, pois seu vigor “quer do corpo quer do espírito” havia diminuído com a idade avançada. Bento XVI disse que se tornaria apenas mais um “peregrino” no mundo e estaria unido à Igreja em oração, apoiando sempre o novo Papa.

“Eu vivo como um monge e estou bem. Rezo e leio”, teria dito o Papa emérito, conforme o vídeo da agência Rome Reports (veja abaixo). Lütz noticiou seu encontro com Bento XVI no jornal alemão Bild Zeitung. Segundo o jornalista, o Papa está bem mais magro e com postura bastante curvada, mas mantém muito bom humor e total lucidez. O jornal informa, ainda, que Bento XVI manifestou estar totalmente de acordo com o magistério do Papa Francisco, do ponto de vista teológico.

Há cerca de um mês, o cardeal Joachim Meisner, Arcebispo de Colônia (Alemanha), também se reuniu com Bento XVI, ainda na residência de verão, em Castel Gandolfo, e se disse muito surpreso com a perda de peso do Papa emérito. “Ele parecia ter a metade do tamanho. No começo não concordei com sua renúncia, mas quando eu o vi minhas objeções se desmontaram. Mentalmente, no entanto, ele está muito bem, continua o mesmo.”

Alguns jornalistas que cobrem assuntos do Vaticano comentam que a saúde de Bento XVI se deteriorou rapidamente nos últimos dois meses e meio, depois que ele deixou o papado – o que pode ser notado no primeiro encontro entre Bento XVI e Francisco após a eleição do novo Papa. Algumas pessoas da Igreja ponderam que é alarmista especular sobre a saúde do Papa emérito, pois ele está em ótimas condições para uma pessoa de 86 anos.

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Bento XVI faz 85 anos e reconhece que está ‘no último trecho da viagem’

O tempo passa...

Hoje é o aniversário de 85 anos do Papa Bento XVI, cujo nome de batismo é Joseph Ratzinger. Conforme havíamos dito dois meses atrás neste post (que fala sobre a saúde de Bento XVI), ele já é o 6º Papa mais velho de que se tem notícia na História da Igreja.

Neste 85º aniversário, passou o dia de forma tranquila e sem muito festejo, como é bem o seu estilo.

Durante missa que celebrou na capela do Palácio Apostólico, no Vaticano, ele sinalizou estar sereno com o fato de já ser um ancião. “Eu me encontro diante do último trecho da viagem da minha vida e eu não sei o que me espera”, disse, manifestando grande confiança em Deus.

“Eu sei, no entanto, que a luz de Deus existe, que Ele ressuscitou, que Sua luz é mais forte do que qualquer escuridão, que a bondade de Deus é mais forte que qualquer mal deste mundo. E isso me ajuda a prosseguir com confiança. Isso nos ajuda a avançar, e nesta hora agradeço a todos aqueles que sempre me fizeram perceber o ‘sim’ de Deus através da sua fé”, acrescentou, na homilia.

Um pouco mais sobre o dia do nascimento do Papa Bento XVI pode ser lido aqui, com base em depoimento de seu irmão, Monsenhor Georg Ratzinger, com quem Joseph Ratzinger passou boa parte deste dia de seu aniversário.

Também nesta semana, na quinta-feira, Bento XVI celebra sete anos de pontificado, desta vez sim com uma série de comemorações oficiais, como já é padrão no Vaticano.

Bento XVI com o irmão, Georg Ratzinger. Sua outra irmã, Maria, morreu em 1991

O porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, fez um apanhado geral das realizações do pontificado de Bento XVI, em um breve editorial publicado pela Rádio Vaticano.

“Quando o Cardeal Ratzinger foi eleito Papa, já em idade avançada, muitos se perguntavam se, depois de anos marcados pela debilidade de seu grande predecessor, seu papado seria forte e durável como era esperado”, afirma.

“Nestes sete anos tivemos 23 viagens internacionais a 23 países e 26 diferentes viagens à Itália, presenciamos quatro sínodos de bispos e três Jornadas Mundiais da Juventude, lemos três encíclicas e recebemos inumeráveis outras manifestações ou atos magisteriais, participamos de um Ano Paulino e um Ano Sacerdotal, vimos o Papa enfrentar com coragem, humildade e determinação (…) situações difíceis, como a crise de abusos sexuais.”, lembrou o Pe. Lombardi.

“Lemos – algo novo e original – seu trabalho sobre Jesus de Nazaré e seu livro-entrevista Luz do mundo. Acima de tudo, aprendemos (…) que a prioridade de seu serviço à Igreja e à humanidade é guiar as vidas a Deus (…). Estamos imensamente gratos por tudo isso”, diz o editorial.

Embora já tenha sinalizado no passado que não hesitaria em renunciar se percebesse que não seria mais capaz de exercer suas funções, o Papa não tem demonstrado nada nesse sentido. Embora idoso e um pouco fraco, segue firme.

Apenas costuma pedir orações para que possa desempenhar bem a sua missão.

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Como anda a saúde do 6º Papa mais velho de que se tem notícia

Ele já superou a idade de João Paulo II

Bento XVI já é o sexto Papa mais velho de que se tem notícia na História da Igreja, conforme relatou hoje a agência de notícias Rome Reports. O pontífice completou 84 anos, 10 meses, 2 semanas e 1 dia, e, portanto, superou o tempo de vida do Papa João Paulo II, que morreu em 2005. Em 16 de abril completará 85 anos. O Papa mais idoso de que se tem notícia até hoje é Leão XIII, que morreu com 93 anos. Mas os registros só vão até o ano 1400. Antes disso, não é possível saber precisamente as idades dos Papas.

Li em algum lugar no passado, que já não vou mais lembrar onde foi (portanto posso estar um pouco enganad0) que Bento XVI costuma passar as manhãs rezando e se atualizando sobre as notícias da Igreja e do mundo. Almoça e, à tarde, participa de reuniões, audiências ou escreve e revisa seus textos e discursos. Trata-se de uma rotina intensa para um idoso.

Isso tem despertado uma série de questionamentos sobre a saúde do Papa nos últimos meses. Afinal, ele já não é nenhum moço. Essas dúvidas surgiram especialmente desde o fim do ano passado, quando Bento XVI resolveu assumir publicamente certa fragilidade física (e natural): passou a usar uma plataforma com rodinhas para se movimentar dentro da Basílica de São Pedro. Segundo o Vaticano, o objetivo é evitar um cansaço desnecessário. De acordo com a Rome Reports, outra mudança adotada foram as reuniões com grupos de bispos, em vez de encontros individuais, para gastar menos tempo e poupar energias.

Em sua última viagem à África, no Benin, em novembro de 2011, o Papa teria demonstrado um vigor incomum para sua idade. Mas, mesmo assim, pessoas mais próximas notaram seu esgotamento após enfrentar temperaturas de 32º e elevada umidade. Pude perceber o mesmo pessoalmente durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Madri, na Espanha, quando notei um nítido desgaste no vigor físico de Bento XVI em meio a temperaturas próximas de 40º e fortes chuvas e ventos durante a vigília do sábado.

Lembro que, quando o Papa esteve no Brasil, em 2007, me assustei com a rapidez com que ele desceu do avião. Já na Espanha, em 2011, caminhava devagar e passava a maior parte do tempo sentado. Na Via Sacra da JMJ, fez apenas as orações iniciais e final.

A jornalista Barbie Latza Nadeau relata quais são os principais problemas de saúde que Joseph Ratzinger já teve: um acidente vascular cerebral (AVC) em 1991, antes de se tornar Papa, o que afetou sua visão; em 1992 teve um “apagão” na visão, caiu no banheiro e precisou de pontos na cabeça; em 2009, já como Papa, caiu e quebrou o pulso, precisando de cirurgia. Sem contar o dia em que uma moça o empurrou na Missa de Natal do mesmo ano, embora não o tenha machucado.

Diante de rumores de que o Papa estaria muito cansado, o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, disse em dezembro que Bento XVI não tem nenhuma condição médica que cause preocupação neste momento. Não há motivos para pânico. A decisão de usar a plataforma com rodinhas teria sido apenas uma precaução, para que o Papa pudesse chegar mais tranquilamente ao altar da Basílica após percorrer cerca de 100 metros.

Outro motivo que leva a especulações sobre a saúde do Papa é o fato de que Bento XVI teria dito ao jornalista e escritor alemão Peter Seewald, há mais de dois anos, que não hesitaria em renunciar ao cargo se não se sentisse em condições “físicas, psicológicas e espirituais” para conduzir seu rebanho adequadamente. Seria o primeiro Papa a renunciar em 700 anos. Isso ficou na memória de muita gente. Mas vale lembrar que essas especulações são muito comuns: dizia-se o mesmo quando João Paulo II já estava bastante idoso.

De qualquer forma, Bento XVI não se deixou abalar pela idade. Já tem viagem marcada para México e Cuba (em março), para o Líbano (em setembro) e para o Rio de Janeiro (em julho de 2013). Além disso, em outubro deste ano deve presidir as intensas e longas celebrações do início do “Ano da Fé”, no Vaticano, ocasião que deve reunir bispos e padres do mundo inteiro.

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A insatisfação dos bispos com a reforma da saúde no governo Obama

Bispos católicos dos Estados Unidos bateram de frente com o governo do presidente Barack Obama nas últimas semanas por causa de uma regra administrativa relacionada à reforma do sistema de saúde aprovada em 2010. Essa regra passou a exigir que todas as empresas que fornecem plano de saúde para seus funcionários ofereçam, inclusive, o acesso a métodos contraceptivos, inclusive anticoncepcionais e pílulas do dia seguinte para mulheres.

Para entender o questionamento dos bispos, é preciso saber que nos Estados Unidos não existe  um sistema de saúde pública em si. Cada indivíduo tem de ter o seu plano e existem planos de saúde do governo. A reforma da saúde proposta por Obama possibilitou o acesso de milhões de pessoas desamparadas a um plano de saúde. Os bispos apoiaram a reforma de um modo geral, com a ressalva de que o dinheiro público não deveria ser destinado ao aborto ou aos métodos contraceptivos.

Vale lembrar também que a Igreja Católica é oficialmente contra qualquer tipo de método contraceptivo, pois entende que o sexo deve ser praticado dentro do casamento e  que o casamento visa ao bem dos cônjuges e de seus descendentes – e para que haja descendentes,  é preciso que o casal esteja aberto a tê-los. Entende que os filhos são um dom de Deus e não podem ser rejeitados. Esta é a posição oficial da Igreja desde que o Papa Paulo VI assim a determinou na encíclica Humanae Vitae – que reflete sobre a vida humana como um todo, e não só sobre esse tema. Digo que é a posição oficial porque alguns grupos da Igreja defendem uma flexibilização nessa ideia. Mas não é bem disso que estamos falando agora.

Nesse contexto, o bispos dos Estados Unidos ficaram furiosos quando a nova regra do “Obamacare”, apelido dado ao programa de saúde, passou a exigir que todos os planos de empresas fornecessem contraceptivos. Isso porque há milhares de empresas ligadas à Igreja no país, como escolas, hospitais, escritórios e até mesmo paróquias, além de milhões de empresários católicos ou protestantes que não querem financiar a contracepção e o aborto.

Liderado pelo arcebispo de Nova York, cardeal Dom Timothy Dolan, o episcopado questionou duramente o governo Obama a respeito da saúde pública. E pediu mudanças na regra, pois entende que ela é um desrespeito à liberdade religiosa, garantida na Constituição do país. A reação de Obama foi quase que imediata: o presidente desistiu da exigência de que  organizações religiosas fossem obrigadas a fornecer métodos de controle de natalidade. Em vez disso, os próprios planos de saúde deveriam se responsabilizar. O problema aí é que, em muitos casos, os planos de saúde são das próprias instituições religiosas, o que torna a questão ainda mais complicada. Não está claro como vai ficar isso.

O cardeal Dolan

Por esse e por outros motivos, os bispos não estão satisfeitos. Pedem uma “isenção de consciência” para os grupos religiosos que se opuserem à regra. Além disso, ainda são contrários ao fato de que o governo manteve a cobertura à esterilização, à contracepção e a métodos abortivos nos planos de saúde em geral. Também questionam o funcionamento adminstrativo da regra. Pedem uma “cuidadosa análise moral” e criticam a “intromissão” do governo em questões de governança religiosa.

Para complicar ainda mais o embate, algumas religiosas católicas dos Estados Unidos, especialmente de congregações que atuam na área da saúde, se manifestaram diversas vezes a favor da reforma, que consideram essencial para a população mais carente. Ao fazer isso, elas contrariam os bispos em parte, pois defendem o acesso de todos à saúde pública sem questionar pontualmente as políticas públicas de contracepção. Mas concordam com a “isenção de consciência” para instituições religiosas e acham que essa solução já basta.

Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa novela. Além da questão religiosa, o caso desgastou significativamente a imagem do presidente Barack Obama – candidato à reeleição neste ano – também junto a outros grupos religiosos que seguem a mesma linha de pensamento dos bispos católicos.

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