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Na Semana Santa, Papa critica o orgulho dos que causam a guerra

Recuperamos aqui no blog alguns textos nossos publicados na imprensa nos últimos meses.

Texto publicado na página 9 de “O São Paulo”, em abril de 2015

Na manhã em que Jesus ressuscitou, logo cedo, segundo o relato bíblico, as mulheres entraram no sepulcro e viram o túmulo vazio. As discípulas foram as primeiras a “entrar no mistério” da ressurreição e foi esse trecho do Evangelho de Marcos que o Papa Francisco destacou em sua homilia da Vigília Pascal, em 4 de abril, quando se celebra a liturgia mais importante do Catolicismo.

“Nos faz bem refletir sobre a experiência das discípulas de Jesus, que desafia também a nós. Para isso estamos aqui: para entrar. Entrar no mistério que Deus realizou com sua vigília de amor”, afirmou o pontífice. “Não se pode viver a Páscoa sem entrar no mistério. Não é um fato intelectual, não é só conhecer, ler. É mais, é muito mais!”

Com a expressão “entrar no mistério”, o Papa Francisco se referiu à capacidade de contemplação, “de escutar o silêncio e ouvir o sussurro de um fio de silêncio sonoro no qual Deus fala”. Para isso, explicou, o cristão precisa estar disposto a “não ter medo da realidade, não se fechar em si mesmo, não fugir diante daquilo que não compreendemos, não fechar os olhos aos problemas, não negá-los, não eliminar as interrogações…” É preciso deixar de lado a preguiça e a indiferença e, enfim, ser humilde. “Para entrar no mistério é preciso esse abaixamento que é impotência, esvaziamento das próprias idolatrias, adoração.”

Humildade como resposta – A humildade foi também um importante ponto apresentado por Francisco durante a bênção Urbi et orbi (expressão latina que quer dizer “para a cidade – de Roma – e para o mundo”), que faz somente nos dias de Natal e na Páscoa, na Praça de São Pedro, no Vaticano. “Com sua morte e ressurreição, Jesus indica a todos o caminho da vida e da felicidade. Esse caminho é a humildade, que comporta a humilhação. Essa é a estrada que conduz à glória. Só quem se humilha pode andar em direção ‘às coisas do alto’, rumo a Deus. O orgulhoso, olha de cima para baixo. O humilde olha de baixo para cima”, disse.

Retomando o relato evangélico, ele explicou que os apóstolos Pedro e João, quando chegaram correndo ao sepulcro vazio, se aproximaram e se “inclinaram” para entrar. “Para entrar no mistério, é preciso inclinar-se. Só quem se abaixa compreende a glorificação de Jesus e pode seguir a sua estrada.”

Também na missa de Ceia do Senhor, da Quinta-feira Santa, o Papa insistiu no tema da humildade aplicando-o à figura de Cristo. O pontífice, que celebrou em uma prisão de Roma e lavou os pés de homens e mulheres, recordou que nos tempos de Jesus apenas escravos lavavam os pés dos senhores. “Era um trabalho de escravos e Jesus lava, como escravo, os nossos pés. Os pés dos discípulos. E, por isso, diz a Pedro, ‘aquilo que eu faço, agora você não entende; entenderá depois’. Jesus é tanto amor que se fez escravo para nos servir, para nos curar, para nos limpar.”

No mesmo dia, na Missa dos Santos Óleos, celebrada pela manhã e na qual os padres renovam suas promessas sacerdotais, a lição de humildade do Papa se manifestou na sua identificação com o “cansaço dos padres”. “Penso muito nisso e rezo frequentemente, especialmente quando também eu estou cansado”, afirmou aos padres. “E o nosso cansaço, caros sacerdotes, é como incenso que sobe silenciosamente ao céu. O nosso cansaço vai direto ao coração do Pai.”

Crítica social – Na Urbi et orbi, o Papa tocou no problema da falta de humildade dos poderosos e fez uma dura crítica àqueles que chamou de “orgulhosos” que promovem a guerra. Para isso, mencionou conflitos armados que atingem diversas regiões do mundo, entre eles Síria, Iraque, Terra Santa, Nigéria, Sudão e Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Ucrânia e o recente atentado terrorista em uma universidade no Quênia, que matou 147 pessoas.

O pontífice pediu com firmeza que a comunidade internacional não permaneça inerte à “imensa tragédia humanitária dentro destes países e ao drama dos numerosos refugiados”. “Pedimos paz e liberdade para as vítimas dos traficantes de droga, tantas vezes aliados com os poderes que deveriam defender a paz e a harmonia na família humana. E paz pedimos para este mondo submisso aos traficantes de arma, que ganham com o sangue de homens e de mulheres.”

Indiferença – Na mesma linha foi também a homilia do pregador do Papa, o sacerdote franciscano Raniero Cantalamessa, que faz a homilia na cerimônia da Paixão de Cristo, na Sexta-feira Santa. Ele lamentou a indiferença das instituições internacionais para as situações de crueldade e sofrimento humano.

“Quantos prisioneiros se encontram nas mesmas condições de Jesus no pretório de Pilatos”, recordou o pregador, lembrando-se principalmente da perseguição de cristãos. Esses “não são certamente as únicas vítimas da violência homicida no mundo, mas não se pode ignorar que em muitos países eles são vítimas designadas e freqüentes”, declarou

O Pe. Cantalamessa citou, ainda, o filósofo Blaise Pascal, quando escreveu: “Cristo está em agonia até o fim do mundo: não dorme durante este tempo. Jesus é em agoni em cada homem ou mulher submetido aos mesmos tormentos que os seus. Ele não disse ‘Fizeram isso a mim!” somente àqueles que creram nele. Disse-o a cada homem e a cada mulher famintos, nus, maltratados, encarcerados.”

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Papa Francisco reforça conhecida expressão ‘Não tenham medo’

Liturgia da Luz

Não tenham medo. Uma frase do Evangelho que se tornou célebre na boca de João Paulo II foi repetida com ênfase pelo Papa Francisco na vigília pascal do Sábado Santo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Francisco se referia ao momento em que, conforme São Mateus, um grupo de mulheres percebe que o corpo de Jesus já não está mais no sepulcro. Quando se encontram com Jesus ressuscitado no caminho, elas se assustam, mas Cristo diz: “Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos”. Para o pontífice, essa forte afirmação “é uma voz que encoraja o coração”.

O destaque para esse trecho não ocorre por acaso. Embora o Papa Francisco não tenha feito nenhuma referência explícita a João Paulo II, nos últimos meses vem sinalizando ua sintonia com os papas que serão canonizados em 27 de abril – João Paulo II e João XXIII. Para citar dois exemplos, no Domingo de Ramos, Francisco usou vestes que pertenceram ao papa Karol Wojtyła. E, já no último Natal, visitou o hospital infantil Bambino Gesù (Menino Jesus), como fizera o papa Angelo Roncalli.

Leia a íntegra de nossa reportagem na página 12 do jornal O São Paulo.

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Domingo de Ramos no Vaticano: Quem sou eu diante de Cristo?

Movido por um intenso clima de oração na Praça de São Pedro, o Papa Francisco deixou de lado a homilia preparada para a Missa do Domingo de Ramos e improvisou uma mensagem a seu próprio estilo. “Diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus, será bom nos fazermos só uma pergunta: Quem sou eu? Quem sou eu diante do meu Senhor?” Falando para cerca de 100 mil pessoas, segundo a Rádio Vaticano, Francisco refletiu sobre o Evangelho com mais perguntas do que respostas. O Papa convidou os fiéis a iniciarem a Semana Santa com uma profunda meditação pessoal.

“Com qual destas pessoas me pareço mais?” Seria Judas, que beijou Jesus, fingindo amá-lo, mas o traiu? Ou Pilatos, que lavou as mãos e não assumiu responsabilidade? Ou a multidão que humilhou Jesus? “Sou eu como aquelas mulheres corajosas, como a mãe de Jesus, que estavam ali e sofriam em silêncio?” A proposta tem a ver com o “jeito Francisco” de rezar. Trata-se de um tipo de meditação muito usado nos retiros espirituais dos sacerdotes jesuítas, congregação da qual o Papa faz parte.

Leia a íntegra de nossa reportagem na página 11 do jornal O São Paulo

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