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‘Papas não renunciaram por temerem tendência perigosa’, diz vaticanista

Filipe Domingues, especial para O Estado de S. Paulo

Andrea Tornielli, vaticanista italiano do jornal La Stampa e autor de vários livros sobre personagens do catolicismo

Andrea Tornielli, vaticanista italiano do jornal La Stampa e autor de vários livros sobre personagens do catolicismo

Bento XVI não é o primeiro papa das últimas décadas a considerar a possibilidade de renunciar, mas nenhum deles deixou o papado porque temia abrir um “perigoso precedente”, avalia o vaticanista Andrea Tornielli, que trabalha para o jornal italiano La Stampa.

Em entrevista exclusiva ao Estado, Tornielli afirma que os maiores desafios do sucessor de Bento XVI serão “falar com o mundo” e “reformar a Cúria Romana”. Leia a seguir os principais trechos da conversa, realizada no saguão da sala de imprensa do Vaticano.

Após a surpresa diante do anúncio da renúncia de Bento XVI, a grande pergunta que as pessoas passaram a fazer é: Quais motivos levaram o papa a tomar essa decisão? Ele disse mais de uma vez que foi uma conclusão pessoal. Mas, em sua opinião, a decisão foi mais política ou por motivos de saúde?

Acredito que é necessário se ater àquilo que o papa diz a respeito da sua condição física. Porém, certamente, como papa, ele precisa não somente do vigor físico, mas também do ânimo. Creio que os fatos que ocorreram nos últimos anos no Vaticano tenham um peso. Porém, acredito que é necessário olhar a coisa com um ponto de vista global. Portanto, existe essa questão do cansaço físico e existe também, creio eu, um reconhecimento de que a situação é tal que ele não se sente mais em condições de poder responder.

Bento XVI foi o primeiro Papa a renunciar em quase 600 anos

Bento XVI foi o primeiro Papa a renunciar em quase 600 anos

As mensagens do papa nos últimos dias foram muito fortes, pedindo unidade na Igreja e o fim da “hipocrisia religiosa”. Elas se referem ao contexto e aos problemas atuais da Igreja?

Eu acredito que sim. Na mensagem que transmitiu na homilia da Quaresma, ele disse que existem também os riscos, essas divisões dentro da Igreja. Portanto, isso é um tema importante para o futuro da Igreja.

Essas mensagens são destinadas a algum grupo específico, como a Cúria Romana?

Creio que não. Creio que seja para toda a Igreja. É claro que existem aqueles que fomentam as divisões, isto é, aquelas pessoas que fazem as divisões aumentarem, mas há também quem, em vez disso, procure reunir. No entanto, não há necessariamente um objetivo preciso nas mensagens. Na minha opinião, o papa fala também à Cúria Romana, que nos últimos anos não deu uma bela demonstração de unidade.

A última renúncia papal ocorreu há quase 600 anos e nos últimos pontificados outros papas quiseram renunciar, mas não o fizeram. Qual é a diferença entre aqueles momentos e a situação atual da Igreja?

Já haviam pensado sobre a renúncia Pio XII, João XXIII… Tantos pensaram sobre a renúncia por causa de questões de saúde, doenças. Paulo VI também chegou a pensar na aposentaria, por causa da idade. A única diferença agora é justamente que esses papas do passado haviam pensado sobre a renúncia, mas nunca renunciaram. Temiam abrir um perigoso precedente. Bento XVI, ao contrário, renunciou. Essa é a grande novidade histórica. A diferença é que Bento XVI renunciou. Ele teve coragem e fez tudo de forma bastante histórica.

Então Bento XVI pode ter aberto um precedente para os próximos papas?

Certamente é um grande precedente.

Qual é exatamente a relação entre o papa Bento XVI e o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano? Bertone é apontado por alguns no Vaticano como um detentor de poder paralelo, mas o papa sempre o manteve no cargo.

Mesmo com seus limites, Cardeal Bertone é homem de confiança de Bento XVI

Mesmo com seus limites, Cardeal Bertone é homem de confiança de Bento XVI

Bertone é atacado e está no centro de tantas polêmicas. Seguramente, a Cúria e a Secretaria de Estado do Vaticano sob o cardeal Bertone cometeram muitos erros. Isso tudo é verdade. Porém, o papa, no fim das contas, sempre confiou em Bertone. O cardeal sempre foi uma figura de confiança para o papa. E por isso o papa vem sempre renovando sinais de confiança, apesar dos limites de Bertone.

Quais são os desafios do próximo papa?

O maior desafio é falar com o mundo. A Igreja precisa de um papa que fale para o mundo, também para fora da Igreja, e anuncie o Evangelho como uma mensagem positiva. É a nova resposta, a nova evangelização. E, depois, uma reforma da Cúria Romana. Uma reforma séria que transforme a Cúria Romana em algo mais simples.

E sobre a questão da liturgia?

Para promover unidade na Igreja e acolher fiéis tradicionalistas, que preferem a missa antiga, em latim, Bento XVI planejava reformar aspectos da liturgia católica. A liturgia é uma das coisas que Ratzinger queria fazer. Seria a reforma da reforma. Porém, essa era uma coisa de Ratzinger. Não sei se o novo papa vai querer fazer.

Outras reformas são discutidas na Igreja, como o celibato dos padres e o sacerdócio feminino. Existirá espaço para pensar sobre isso no novo pontificado?

Eu creio que é preciso fazer uma distinção sobre os temas do celibato dos padres e o sacerdócio feminino, pois ambas as coisas são questões muito clericais, que não se referem verdadeiramente à realidade da Igreja. E, mesmo mudando as normas da Igreja – sobre o celibato dos padres é possível fazer, já sobre o sacerdócio feminino é um pouco mais difícil -, não significa que as pessoas vão voltar à missa. Não significa que as pessoas vão frequentar a missa porque o padre é casado e tem filhos. As pessoas não voltam para a Igreja porque atrás do altar tem uma mulher. As confissões cristãs que fizeram isso não mudaram em nada o problema da secularização. A Igreja Anglicana perdeu e continua perdendo fiéis. Porque isso é uma prioridade clerical, ou seja, para o clero. Hoje, é necessária uma virada não clerical. Um outro discurso, por outro lado, é o tema do cisma silencioso dos divorciados e novamente casados. Evidentemente, como já disse o papa, é preciso procurar um modo de fazer com que eles não se sintam excluídos da Igreja. É preciso pensar em como anunciar o cristianismo de maneira positiva e propositiva.

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VatiLeaks: O mordomo do Papa sorri

Ciente de que não tenho conseguido postar tanto quanto gostaria nas últimas semanas, resolvi escrever um breve post ao menos atualizando no blog como ficou o caso dos “Vatileaks”, série de vazamentos de documentos sigilosos da Santa Sé (entenda), que revelaram detalhes de correspondências do Papa, discussões entre autoridades da Igreja e suspeitas de fraude no Vaticano.

Vínhamos acompanhando passo a passo o problema, mas sequer falamos aqui sobre a prisão e o perdão de Paolo Gabriele, mordomo pessoal do Papa Bento XVI acusado de roubar documentos e facilitar sua divulgação na imprensa. 

Recapitulando: como foi amplamente noticiado pela imprensa internacional, Paolo Gabriele havia sido condenado pela Justiça do Vaticano a um ano e meio de prisão por “furto agravado”, a ser cumprida no sistema carcerário italiano. Entretanto, de acordo com as leis do Vaticano, o Papa tem total autonomia para perdoá-lo e liberá-lo de ter que cumprir a pena. E foi o que aconteceu.

Gabriele não só foi perdoado (antes do Natal) como recebeu um novo emprego, no hospital pediátrico “Bambino Gesù”, que pertence à Santa Sé. Na ocasião, o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, explicou o motivo do perdão concedido por Bento XVI: “Leva-se em consideração a situação de sua família e da benevolência com a qual o Papa quis intervir na situação, e portanto será oferecida uma possibilidade de alojamento e ocupação, mas não na sede da Cidade-Estado do Vaticano.”

Bento XVI perdoa mordomo

Fato é que, desde então, Paolo Gabriele voltou a sorrir. Apareceu publicamente em foto com o Papa, ambos felizes com a reconciliação. Isso levou muita gente a questionar a tal justiça vaticana: Como é que o sujeito rouba documentos, causa uma algazarra internacional e não só é perdoado, como também ganha um novo emprego?

Esse texto do vaticanista Andrea Tornielli, bastante esclarecedor no ponto de vista religioso, levanta justamente essa questão (“O sorriso de Paolo Gabriele”). Tornielli recorda que o Papa não é como um outro chefe de Estado qualquer. Acredita-se que seja o “vigário de Cristo”, isto é, um representante vivo de Jesus e, sendo assim, deve seguir seus ensinamentos. Segundo o jornalista, Bento XVI não se move sobre a base do senso comum, mas de “uma outra coisa”. Conforme a tradição cristã, “Jesus perdoou a traição de Pedro e perdoa nossos pecados, mesmo os mais graves, se reconhecemos a necessidade da sua misericórdia”, explica Tornielli. “O Papa mostra sua compaixão pela família” de Gabriele.

Um gesto caridoso, é verdade. Mas é claro que também buscou ser uma espécie de desfecho público para o complicadíssimo caso “Vatileaks”.

No entanto, algumas perguntas permanecem em aberto e as investigações continuamNo fim do ano passado, o jornal Corriere della Sera e outros observadores da Santa Sé questionaram, por exemplo, por que Gabriele estaria reunindo documentos desde 2006 e só resolveu divulgá-los no ano passado? Quem são as outras pessoas envolvidas? Sabe-se que o programador Claudio Sciarpelletti é um deles.

Gabriele em julgamento

Gabriele havia dito, em entrevista, que ao menos 20 pessoas faziam parte do esquema, que, segundo o próprio mordomo, buscava acabar com “o mal e a corrupção” no coração da Igreja. Mas não se sabe até hoje quem era de fato o alvo desse plano. Seria o secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone? Seria o próprio Papa? Seriam outros? Seria somente um plano mal feito articulado por um bem intencionado mordomo?

O vaticanista John Allen Jr observa que Gabriele, em determinado momento, afirmou ter ligação com pessoas do alto escalão na Santa Sé, mas em nenhum instante ficou claro se alguém teria autorizado ou participado da divulgação de documentos sigilosos.

O mundo continua acompanhando. A consequência positiva para todos dessa história é que cada vez mais o Vaticano começa a perceber que não vive em um mundo paralelo. O Papa e seus colaboradores vêm claramente tentando promover a transparência e a segurança no funcionamento das coisas da Igreja, justamente para evitar novas especulações, conspirações e surtos midiáticos. Seria esse o verdadeiro motivo do sorriso do mordomo?

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Papa se reúne com comissão de cardeais dos ‘VatiLeaks’

Cardeal Herranz, presidente da comissão investigadora dos VatiLeaks

O Papa Bento XVI recebeu na última quinta-feira a comissão de três cardeais criada por ele mesmo para investigar o escândalo de vazamentos de documentos secretos do Vaticano, que ficou conhecido como VatiLeaks (relembre o caso clicando aqui).

Os cardeais transmitiram ao Papa suas conclusões sobre o processo, mas a Santa Sé não divulgou detalhes. O pontífice se limitou a agradecer à comissão, composta pelos cardeais Julián Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi. O Papa pediu que eles “continuem seu trabalho com diligência”.

Alguns dias atrás, a imprensa internacional informou que o mordomo Paolo Gabriele, preso em 23 de maio com documentos sigilosos e suspeito de contribuir com os vazamentos de correspondências do Papa, aguarda julgamento prisão domiciliar. Ele vive com a esposa e três filhos dentro do Vaticano. O julgamento está previsto já para agosto.

O Papa com Paolo Gabriele

O advogado de Gabriele, Carlo Fusco, afirmou que “Paolo escreveu uma carta ao Papa pedindo perdão, especialmente pela dor que lhe causou”. Após o julgamento, também tentará pedir uma espécie de “perdão judicial” para que sera anistiado.  De acordo com o vaticanista Giacomo Galeazzi, do jornal italiano La Stampa, o perdão do Papa pode até ser concedido, mas dificilmente nesta fase atual do processo.

Bento XVI “parece ter intenção de fazer emergir tudo o que aconteceu  – o vazamento de notícias iniciado muito antes dos VatiLeaks, as publicações de documentos reservados e, enfim, as tentativas de despistagem e desinformação que sucederam a prisão do perjúrio mordomo  Paolo Gabriele – para poder proceder uma verdadeira operação de polícia e regeneração”.

O advogado Fusco declarou que Gabriele queria ajudar o Papa e pode ter agido para “limpar a Igreja”. Por enquanto, o mordomo é o único suspeito do caso, mas outras pessoas deram depoimento. A maioria dos observadores do Vaticano acredita que certamente há outros “corvos” rondando a Santa Sé.

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Vaticano proíbe PUC do Peru de se chamar de ‘católica’ e ‘pontifícia’

Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Bertone

Filipe Domingues – Agência Estado

O Vaticano divulgou neste sábado um comunicado informando que a Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) perdeu o direito de usar em seu nome os títulos de “Pontifícia” e “Católica”. Conforme decreto do Secretário de Estado Tarcisio Bertone, o número dois do Vaticano, a universidade fundada em 1917 pela Santa Sé vem alterando unilateralmente seus estatutos desde 1967, “com grave prejuízo para o interesse da Igreja”.

A decisão foi tomada depois de uma série de visitas de representantes da Santa Sé à universidade, em dezembro de 2011, e reuniões com o atual reitor, Marcial Rubio. “A Santa Sé foi obrigada a adotar esta medida”, diz o comunicado. A crise na PUC do Peru começou em setembro do ano passado, quando o arcebispo de Lima, cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, identificou diferenças ideológicas entre professores e alunos em relação às posições da Igreja.

Cipriani pediu mudanças nos estatutos da universidade, conforme as orientações da Igreja para as universidades católicas contidas na constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae. O arcebispo exigiu, por exemplo, o direito de indicar o reitor a partir de uma lista tríplice definida pela universidade em assembleia.

O reitor Marcial Rubio

Mas o atual reitor, Marcial Rubio, e grupos de alunos recusaram a mudança, acusando perda de autonomia universitária. Rubio declarou à imprensa local que Cipriani tem interesse no controle econômico da PUCP. Ao mesmo tempo, a universidade não quer perder os títulos de “católica” e “pontifícia”, pois teria de abrir mão das propriedades que pertenceriam à Arquidiocese de Lima – pois o doador do terreno da PUCP vinculou a herança ao uso por uma universidade pontifícia.

Segundo o comunicado divulgado hoje, Rubio vinha exigindo que a Arquidiocese renunciasse ao controle dos bens. A Igreja recusou, dizendo que os tribunais civis do Peru confirmaram mais de uma vez seu direito de participar da gestão.

A Santa Sé afirmou que continuará acompanhando a situação da universidade e quer que as autoridades acadêmicas reconsiderem sua posição. O reitorado da universidade, por sua vez, informou em seu site que o decreto será discutido em assembleia na segunda-feira.

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Bento XVI diz ao povo que Bertone fica

O Papa Bento XVI manifestou ontem, mais uma vez, seu total apoio ao Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, visto por alguns como o principal alvo do recente  escândalo de vazamento de documentos do Vaticano (VatiLeaks, saiba mais aqui).

“Desejo exprimir ao senhor profundo reconhecimento pela sua discreta proximidade e pelo seu iluminado aconselhamento, que considerei de especial ajuda nestes útimos meses”, diz o Papa em carta a Bertone, divulgada pelo serviço de informações do Vaticano.

“Havendo notado com pesar as críticas injustas levantadas contra a sua pessoa, pretendo renovar ao senhor a comprovação de minha confiança pessoal, que já tive oportunidade de manifestar-lhe com a carta de 15 de janeiro de 2010, cujo conteúdo permanece inalterado.”

Naquela ocasião, em janeiro de 2010, o cardeal havia apresentado sua renúncia por motivo de idade – como pedem as normas da Igreja, todos devem fazê-lo aos 75 anos. Mas Bento XVI pediu que Bertone permanecesse sendo o primeiro-ministro do Vaticano e destacou, naquela carta, o autêntico espírito sacerdotal de Bertone, sua competência, sua dedicação, seu sensus fidei (“sentido da fé”) e sua humanidade.

Com a nova carta, o Papa descarta qualquer possibilidade de afastamento de Bertone no curto prazo – o que era esperado já para depois do verão no Hemisfério Norte. Nas últimas semanas, havia rumores de que ele pudesse ser demitido, na tentativa de dar fim à crise de confiança despertada pelo vazamento de documentos. Vale lembrar que, em junho, Bertone deu entrevista sobre os VatiLeaks, mas não falou sobre a possibilidade de ser ele o alvo do escândalo.

Porém, analistas dizem que afastar Bertone agora seria decretar vitória àqueles que queriam justamente esse movimento. Segundo o vaticanista Andrea Tornielli, pode ser que mais adiante, baixada a poeira dos VatiLeaks, o Papa resolva aceitar a renúncia de Bertone por idade, já que ele vai completar 78 anos, e nomear um novo Secretário de Estado.

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Cardeal Bertone comenta VatiLeaks mas evita considerar-se um alvo

Bento XVI e Bertone

O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, comentou ontem o escândalo dos vazamentos de documentos secretos do Vaticano (VatiLeaks), do qual muitos analistas acreditam ser ele o alvo principal.

Bertone disse que os ataques instrumentais contra a Igreja Católica e o Papa sempre existiram, mas dessa vez são “mais mirados e às vezes também ferozes, destrutivos e organizados”. Em entrevista exclusiva à rede de televisão estatal italiana RAI, o cardeal insistiu que o Papa Bento XVI “não vai se deixar abater pelos ataques, de qualquer tipo”.

Em respostas nitidamente preparadas para a entrevista, Bertone não comentou a possibilidade de ser ele o alvo dos ataques. Acredita-se que pessoas de grupos divergentes a Bertone dentro  e fora do Vaticano queiram enfraquecê-lo, pois ele teria se excedido ao buscar aumentar seus poderes para além da Secretaria de Estado, supostamente interferindo em instituições católicas independentes.  Isso pode estar dando certo, mas apenas parcialemente, pois quem nomeia o Secretário de Estado é o Papa. E Bento XVI já recusou pedidos para dispensá-lo.

Portanto, na entrevista Bertone falou apenas como se objetivo dos organizadores dos vazamentos de documentos fosse enfraquecer o próprio Papa. “Quero destacar o fato de que Bento XVI, como todos sabem, é um homem de grande fé e de grande oração”, disse. “Aqueles que estão perto dele e que trabalham ao seu lado são sustentados por essa grande força moral.”

Pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano

O cardeal acrescentou que os dias atuais “não são dias de divisão” para a Igreja, mas de unidade. “São dias de força na fé, de firme serenidade e também de força nas decisões.”

Falando sobre o Encontro Mundial das Famílias, realizado em Milão e ao qual Bento XVI compareceu, Bertone destacou que todos vivenciaram dias de “extraordinária manifestação de amor ao Papa e de acompanhamento, de apoio a ele e a seu magistério, a seu trabalho, de alegria e entusiasmo em torno dele”.

As declarações de Bertone vieram à tona no mesmo dia em que o jornal italiano La Reppublica publicou novos documentos sigilosos desviados do Vaticano, que detalhavam discussões sobre a aprovação das normas litúrgicas do movimento Caminho Neocatecumenal.  Os papéis foram entregues ao jornal anonimamente, com um bilhete dizendo que há centenas de outros por vir.

O fato confirmou que  mais de uma pessoa está envolvida no problema – como muitos já previam -, pois os novos vazamentos ocorreram depois da prisão do mordomo Paolo Gabriele (saiba mais aqui), que trabalhava como ajudante de quarto de Bento XVI. O porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, minimizou a publicação mais recente e disse que a divulgação a conta-gotas já é esperada. Acrescentou que está evidente a intenção dos criminosos de manter a visibilidade do caso pelo máximo tempo possível. São esperadas, portanto, novas revelações.

A entrevista completa de Bertone à RAI pode ser lida aqui (em inglês) ou assistida abaixo (em italiano). Para entender o caso VatiLeaks, leia o que já foi publicado neste blog sobre o assunto clicando aqui.

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